Maria Helena Tomé Gonçalves
Na vida não pode haver nem tempo nem idade certos para receber ajuda nem para ajudar. A cada início de inverno aqui no sul, a região mais fria do Brasil, surgem as campanhas do agasalho para ajudar as pessoas mais pobres a suprirem suas necessidades de roupas adequadas para combater as baixas temperaturas. Na nossa casa funciona uma pequena regrinha: a cada peça nova de roupa que entra no armário de cada um, uma peça correspondente deve sair para vestir alguém necessitado. A cada par de calçados que entra na sapateira, um par deve sair. Assim não ficam peças acumuladas e sem uso ano após ano mofando nos armários enquanto tantas pessoas andam desnudas e descalças. O mesmo acontece com o alimento. A cada dia um prato, pelo menos um prato de alimento é oferecido a alguém necessitado. Isso não vai salvar a humanidade da miséria, da má distribuição de renda, da falta de emprego satisfatório e bem remunerado, mas ajuda naquela hora, naquele exato momento a aliviar o tormento da fome e do frio de pelo menos um ser humano que nos está mais próximo. Porém, o processo de ajuda não consiste somente no aspecto material. Quantas vezes quem está próximo de nós precisa tão somente de uma palavra amiga, de um pequeno gesto de compreensão, de um abraço ou de um afago para sentir-se melhor, mais apoiado e mais compreendido, mais pleno e menos infeliz e sofrido e a gente não se dá conta disso, fica alheio ou é incapaz de perceber aquela necessidade do momento.
Não há nem tempo nem idade para aprender e saber ajudar os outros. Nos nossos lares e nas salas de aula percebe-se claramente as crianças que já nascem vocacionadas para o processo de ajuda, são aqueles pequenos que podemos chamar de cuidadores, de ajudadores dos seus irmãos, dos coleguinhas e dos amiguinhos, estão sempre disponíveis e ajudam realmente os outros, emprestam coisas quando necessário, não são nem egoístas nem egocêntricos, nem por isso são bobocas. Essas crianças já vem prontas para serem voluntárias no processo de viver. Mas a grande maioria precisa ser ensinada, necessita ser educada, deve aprender a olhar além de si mesmo e alcançar a compreensão das desigualdades e das diferentes necessidades daqueles que estão próximos de si. Precisam aprender a grande verdade de Jesus, a maior e melhor lição que Ele nos deixou e que tantos de nós teimamos em não aprender e não praticar: amar aos outros como amamos a nós mesmos. Esse é o grande princípio do processo do voluntariado: a disponibilidade interior para amar e ajudar o próximo, seja ele quem for e em que circunstâncias está próximo de nós, proximidade essa que não significa ser física nem geográfica, mas a proximidade da compreensão humana da presença dos outros no planetinha Terra e das suas dificuldades.
O tempo e a idade da ajuda estão presentes em cada tempo e em cada idade das nossas vidas desde que nascemos. Tanto quanto é preciso aprender a ajudar os outros, é preciso também aprender a receber ajuda. Nos momentos da dor e da solidão, nos momentos em que nossos rumos se confundem e nossas vidas perdem o sentido, nos momentos das grandes perdas dos nossos amores e das dificuldades econí´micas que nos assolam é bom saber receber a ajuda espontânea de quem nos rodeia e se essa ajuda não vem assim tão espontaneamente, é bom aprender a pedir ajuda, quem sabe fazê-lo sem sentir-se diminuído ou incapacitado certamente será beneficiado pelo encontro de mãos e pelo abraço afetuoso entre verdadeiras pessoas que se completam como seres humanos.
Não há nem um tempo nem uma idade específicos para dar e receber ajuda. Não há nem uma situação de dificuldade material nem um momento de necessidade afetiva para o estado voluntário do processo de ajuda. Esse é um processo de conscientização permanente e insubstituível.


