Torres de luto: O adeus a Paulinho Cabeleireiro

26 de fevereiro de 2012

 

 

A sociedade de Torres perdeu uma de suas mais queridas e folclóricas figuras. Paulo Ricardo Borges, o Paulinho Cabeleireiro, faleceu na madrugada da última terça-feira (21), aos 46 anos, vitimado pelo repentino rompimento de uma úlcera que lhe afligia. Foi um choque para todos. Paulinho era um cara fora de série, com um bom coração, que sempre procurava ajudar o próximo. Era um companheiro valoroso e ético, um grande amigo que vai fazer muita falta. Agora resta manter a memória viva desta boa alma que espalhou muita coisa boa por essa cidade, lamenta Alcido Schneider, proprietário da Loja Tamanco.

O enterro de Paulinho ocorreu na terça-feira, no cemitério do Barro Cortado, e contou com a presença de dezenas de pessoas que foram se despedir do barbeiro, que mantinha vivas as tradiçíµes de sua profissão, sempre com irreverência, em fraternidade com os amigos e clientes. O Paulinho era gente finí­ssima, dizia sempre a verdade sem rodeios. Um cara honesto e batalhador, que mantinha as raí­zes do barbeiro. Seu salão era um verdadeiro clube, onde o pessoal se divertia, conversava e dava risada.   Embora pudéssemos ter sido concorrentes, éramos na verdade bons amigos. Fica a lembrança de um cara viveu sua vida intensamente. As vezes fumava e bebia demais, mas sabia dos riscos que estava correndo. Ao menos ele se foi dormindo, sem sofrimento, mas seu que, se ele pudesse dizer alguma coisa nesse momento tão difí­cil, ia dizer que para ninguém ficar triste,mas sim celebrar a vida, indica Ataualpa Lumertz, notório cabeleireiro torrense.

Entre seus clientes, um dos mais fiéis com certeza era Nasser Samhan, proprietário da Casa São Paulo. Há vinte anos que era cliente e amigo do Paulinho. Hoje (quarta-feira) foi a primeira vez que fiz minha barba na vida, com um sentimento de perda no coração. Fazia minha barba com ele todos os dias, confiava na experiência dele na profissão, e cultivava a amizade com muito carinho. Pela manhã o pessoal ia lá para tomar o tradicional cafezinho com ele, e depois das cinco da tarde o salão se tornava uma festa. O Paulinho era um cara que esbanjava alegria, e que viveu intensamente até o fim. í‰ uma tristeza muito grande saber que não vamos mais ter ele por perto, e faz pensar sobre os males do fumo e da bebida. Paulinho… vais fazer muita falta meu irmão! finaliza Nasser.

De seu pai, Vânio, Paulinho herdou muitas coisas: o bom humor, a música, o gosto em cozinhar e beber um bom vinho, o talento como cabeleireiro.   Em sua organizada casa, atrás do salão onde trabalha, Vânio falou sobre os ensinamentos que passou ao filho. Paulinho sempre foi um companheiro, ensinei-o a ser sério e honesto, respeitando a famí­lia como algo sagrado. A maior virtude dele era ajudar ao próximo, sendo muito amigo de todos, desde as crianças até os mais velhos, não distinguia o rico do pobre. Foi um bom filho, e claro que vai fazer muita falta. Mas não adianta chorar as mágoas agora, melhor estar trabalhando, a velhice nos deixa mais calejados na vida. O Paulinho não ia querer me ver como um velho triste, sei disso.

O Jornal A FOLHA deixa seus pêsames para a famí­lia e os muitos amigos de Paulinho, e faz esta singela homenagem a este irreverente companheiro e parceiro, esperando preservar a memória desta tão querida pessoa, que viveu sua vida espalhando alegria e boa vontade. Onde quer que estejas, Paulinho, que estejas em paz!

 

 


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