Torres em um verão ESCALDANTE

3 de fevereiro de 2014

A foto não mente: o termí´metro marcava 45 ºC as 18h de quarta, na Praia Grande, e havia chegado aos 48 ºC mais cedo. Mas que o leitor desavisado fique sabendo: esta não é a temperatura real do ar  (mais se aproxima da sensação térmica).  

 

Por Guile Rocha

 

Tarde de quarta-feira (29), 18h. O sol “ ainda escaldante “ começava a cair, e a o termí´metro na Praia Grande “ que serve ainda como expositor publicitário de uma empresa de celular- marcava 45 ºC. No começo da tarde o termí´metro estava marcando mais de 48 ºC, nem dava para acreditar, contou uma atendente do Banrisul. O calor estava mesmo intenso, daqueles que te fazem suar parado como se estivesse voltando de uma corrida. Mas 48 ºC? Convenhamos que temperatura assim só mesmo no deserto do Saara. Pensei que os 48 ºC poderiam ser relativos a sensação térmica do ar, mas ainda assim achei exagerado. Preferi então falar com um especialista no assunto para tirar a questão a limpo.

 

48 ºC (mas não é bem assim…)

 

Bento Barcelos da Silva é observador meteorológico aqui em Torres. E com a bagagem de seus 44 anos atuando na cidade, e estudando nosso clima, ele responde calmamente quando pergunto sobre ao extremo calor marcado pelo termí´metro na Praia Grande. Quando falamos na medição de temperatura real, este aparelho não serve de padrão. O que o termí´metro da Praia Grande podia estar marcando era a sensação térmica do ar, que talvez tenha chegado próximo aos 48 ºC no local. Segundo Bento, uma das razíµes que potencializa as chances do termí´metro em questão marcar tão alta temperatura é o fato dele estar dentro de uma caixa preta de metal, localizado entre a areia “ que reflete o calor como um espelho – e o asfalto “ que irradia o calor.   Mas a condição é muito diferente no método utilizado para a medição de temperatura real, embasado pela Organização Meteorológica Mundial (vinculada í  ONU). Neste caso, A temperatura do ar deve, a rigor, ser medida na sombra, ao ar livre, 1,5 metros (em média) acima de um solo gramado e afastado de qualquer obstáculo em 15 metros.

O observador meteorológico informa que a temperatura real máxima da quarta-feira foi de 32,5 ºC em Torres. Mas termí´metros a parte, posso acrescentar que o verão atual vem sendo o mais quente dos últimos anos, finaliza Bento Barcelos da Silva, cuja experiência de mais de 4 décadas é propriedade para falar sobre nosso clima torrense .

 

Ah, que calor adorável….

 

O Rio Grande do Sul inteiro registrou muito calor nesta semana. Em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, a sensação de calor chegou a 46 ºC no iní­cio da tarde de terça-feira (28), segundo a Metsul Meteorologia. E o clima da capital gaúcha, carinhosamente conhecida como Forno Alegre no verão, irrita o arquiteto Raul Rezende. Devemos ter o pior clima do mundo (em Porto Alegre): no inverno é uma ˜friaca™ que faz sofre para sair da cama, e no verão um calor insuportável, onde só o ar-condicionado salva (o ventilador só engana um pouco o calor). Além disso tem os problemas de falta de luz, que viram rotina no verão e dão prejuí­zos para muitas empresas, ressalta o arquiteto.

A estudante de arquitetura Carolina Pires Cereser é outra que detesta o calor, e mesmo que tenha se ˜refugiado™ do verão porto-alegrense aqui em Torres, continua sentindo-se impotente ante as altas temperaturas. O inverno é uma estação muito melhor, pelo menos podemos nos aquecer da temperatura baixa com um bom cobertor ou com roupas, e ainda nos vestimos com mais elegância Mas no verão não há o que fazer: se passa calor, o suor é irritante e as roupas já são as mí­nimas possí­veis. A sensação do abafamento nos deixa com menos disposição de fazer as coisas também.

E quem pensa que o pior já passou, pode estar vivendo uma doce ilusão. O calor (que perdurava até esta quinta-feira) pode ser considerado fraco perto do que está por vir, foi o que previu o Professor Eugenio Hackbart em artigo para a Metsul. Segundo ele, que é especialista em meteorologia, O pior deve ser esperado para o começo de fevereiro, quando a massa de ar quente se intensificará muito sobre o Sul do Brasil. Não apenas o Rio Grande do Sul vai sofrer com marcas muito acima da média nos termí´metros nos próximos 10 a 15 dias, mas também uma extensa área do Brasil (Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além do Paraguai, Uruguai e o Centro-Norte da Argentina. Será um evento excepcional de calor que pode fazer deste verão o mais quente ou um dos mais quente já registrados em mais de um século de observaçíµes, conclui Hackbart

 

No Brasil e no Mundo: As maiores temperaturas já registradas

 

No Brasil, o calor recorde foi registrado no Rio de Janeiro, em janeiro de 1984, quando os termí´metros chegaram a 43,2 ºC , segundo o site Mundo Estranho. Já a maior temperatura ambiente registrada no mundo foi em Azí­zia, na Lí­bia, em 15 de setembro de 1922. A marca? Acredite se quiser: insuportáveis 58 ºC! Picos assim são causados por ondas de calor que podem durar alguns dias ou várias semanas. "Considera-se uma onda de calor quando a temperatura atinge cerca de 32 ºC e, normalmente, cinco graus acima do normal para aquela área. Isso durante, no mí­nimo, uns dois dias", diz (para a mesma revista Mundo Estranho) a meteorologista Micheline de Sousa Coelho, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em São Paulo.

Apesar de não saberem ao certo os motivos que levam a esses aumentos bruscos de temperatura, os pesquisadores afirmam que isso tem sido muito comum, principalmente nas cidades grandes."Em São Paulo, por exemplo, tem-se observado uma elevação de temperatura considerável na última década", afirma Micheline. Alguns especialistas acreditam que as causas de tanto calor são fatores naturais, e que isso seria parte de um ciclo, como o ocorrido durante o derretimento das geleiras no fim das eras glaciais.

 

Efeito Estufa

 Mas muitos outros estudiosos, porém, apostam que a bagunça climática é resultado do efeito estufa, que estaria provocando um aquecimento global. A emissão de gases tóxicos, como o gás carbí´nico e o metano, resultantes do desmatamento de florestas e da queima de combustí­veis, funciona como um cobertor que retém o calor na Terra, causando o polêmico efeito. O resultado é o intenso calor durante os veríµes dos quatro cantos do planeta. O maior problema das ondas de calor é que as pessoas nem sempre estão prontas para enfrentá-las, o que causa muitas mortes por desidratação e insolação.

 


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