EDITORIAL – Torres: fora dos planos do turismo

14 de janeiro de 2013

 

Definitivamente, o Estado do Rio Grande do Sul não considera a cidade de Torres um pólo de turismo local. Mesmo sendo a cidade gaúcha que mais recebeu argentinos; mesmo o cartão postal do Parque da Guarita fazendo parte dos materiais de divulgação da maioria das agências de Turismo brasileiras;  mesmo que sejamos a única praia do Estado que possui falésias de pedra (as três torres), origem do nome do municí­pio; mesmo sendo a única praia gaúcha que possui a captação e tratamento de esgoto universalizado; mesmo sendo, junto com Gramado, cidade impar no quesito grau de meios de hospedagem (hotéis) em relação í  população; mesmo tendo em um mesmo lugar o mar – e suas falésias – além de um rio desembocando no mar, uma lagoa central, uma lagoa no interior, e uma ilha que é refúgio natural preservado pelo IBAMA; mesmo sendo considerada nascedouro do surfe no Estado e no Brasil, alem de ter a praia da Guarita como um parque turí­stico protegido do progresso urbano; mesmo tendo a pratica de esportes radicais consolidada, com um festival de balonismo realizado anualmente há mais de 20 anos; mesmo tendo uma estrutura viária razoável para abrigar turistas que multiplicam a população por dez no perí­odo de veraneio; mesmo sendo a única praia que possui coleta de lixo seletiva organizada e uma usina de tratamento de resí­duos; mesmo sendo a única praia do nosso litoral que possui aeroporto internacional em seu traçado geográfico: apesar deste e de vários diferenciais competitivos turí­sticos, os governantes do Estado do RS não consideram nossa cidade um local turí­stico, assim como consideram Gramado e Porto Alegre.

Estamos em plena estação de verão – a safra da economia torrense – e este governo estadual, no poder há dois anos,  não demonstrou nenhuma simpatia por colocar nossa cidade litorânea ao menos na lista de vários roteiros demonstrativos (Famtur) que realizou com turistas internacionais. Leva o pessoal í  Gramado, a Porto Alegre, a Caxias ( terra da secretaria comunista no poder, Abgail Pereira), mas sequer lista Torres nos roteiros.  

Nesta semana, a secretaria (e a secretária) de Turismo do Estado está em Punta Del Este, no Uruguai, onde abre publicamente que quer trazer o público latino americano, que freqí¼enta aquela praia, para Porto Alegre e para a serra. Trabalha, portanto, no planejamento do perí­odo de inverno, o que é de se saldar. Mas não se ouviu notí­cias da mesma secretaria de ter ido a Bariloche, no inverno, por exemplo, para planejar a vinda de turistas para Torres.

Infelizmente os governantes não têm coragem de enfrentar o que seria sua obrigação. Com medo de represálias, colocam a cidade de Torres, dona de todos os atributos listados acima – portanto altamente diferenciada dentro do RS – no mesmo balaio do chamado Litoral Norte. Somos a única praia turí­stica do RS e, para recebermos uma placa de sinalização turí­stica em estradas gaúchas, os governantes se acham na obrigação de colocá-las em igual quantidade de Quintão í  Torres. E o que vemos são mediocridades, quase nulidades.

O orçamento de toda a secretaria de turismo do Rio Grande do Sul representa um terço (ou menos) do orçamento gasto somente em mí­dia pelo Estado vizinho a nós, Santa Catarina. Mas como se isto não bastasse, a cidade de Torres ainda é colocada de lado. Fica completamente fora dos planos do governo. Parece que somos um balneário comum, aonde os gaúchos e governantes vem gastar seu dinheirinho, muitos deles oriundos do pagamento de impostos acima da média nacional – realidade do RS. Uns deles ainda fazem brincadeirinhas, elogiando o litoral catarinense e denegrindo o nosso, incluindo Torres.

Uma das lutas que a nova prefeita da cidade deveria colocar em sua agenda é a mudança radical desta atitude. Não se trata de uma postura deste governo que aí­ está. Trata-se de uma atitude dos polí­ticos do Estado, de todos os partidos. Na época do governador Jair Soares, de Amaral de Souza e outros,  a abertura de verão do RS era realizada em alto ní­vel, com um concerto da OSPA, no Parque da Guarita, considerado orgulho dos gaúchos. A prefeitura anterior a que está atualmente no poder realizou algo similar. Um projeto junto ao SESC abria a temporada de verão no nosso cartão postal mundial: a praia da Guarita recebia um concerto ao ar livre. Mas os governantes estaduais desconsideravam a ação local, e a abertura das portas ao turista ficou a cargo apenas da cidade. O Estado, definitivamente varreu a cidade de Torres de seus planos de turismo.  


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