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15 de janeiro de 2011
Sobre Saltos de Scarpin, de autoria de
 David Coimbra

   

Num futuro distante e incerto, as mulheres dominam o planeta pelo poder do sexo e os homens são manipulados e perseguidos conforme seus desejos. Os que não atendem aos padríµes impostos por elas são aprisionados, torturados e banidos da sociedade. í‰ neste mundo radical que três prisioneiros tentam uma rebelião contra suas sensuais e persuasivas algozes, revelando as fragilidades, dificuldades e também os prazeres da tentativa de uma convivência pací­fica entre os sexos.    

Concepção  

 

A famí­lia é o ideal da mulher. Na famí­lia, a mulher reina, mesmo que o mando, supostamente, seja patriarcal.   A afirmação se encontra em Jogo de Damas, livro no qual o autor propíµe a idéia de que a civilização é um produto feminino. Segundo Coimbra, desde o surgimento do homo sapiens, as fêmeas manipulam e dominam os machos através daquilo que eles mais apreciam: o sexo. O objetivo delas no entanto é um só “ a mantenência da espécie e, por consequência, da civilização.  

Mas a civilização está em colapso, alerta o cronista, e é partindo desta premissa que a concepção de Sobre Saltos de Scarpin situa a ação da peça num futuro pós-apocalí­ptico, quando a Terra, sobrevivente do dito colapso, vive sob um regime totalitário feminino.  

  Nesta ditadura de scarpin, as mulheres dominam e ditam as leis, visando a perpetuação da raça humana através de relaçíµes estáveis. Os homens, por isso, são vigiados e controlados constantemente. Aqueles que fogem ao padrão estabelecido por elas (um bom reprodutor, fiel, emocionalmente dependente e intelectualmente inferior), são perseguidos e se tornam prisioneiros numa espécie de campo de concentração.  

  E é neste espaço de confinamento masculino que as crí´nicas são encenadas. Separadas de seu tempo e contexto social, as narrativas breves do cotidiano de homens e mulheres contemporâneos são utilizadas como mote para o jogo dos atores, que transformam ou reinterpretam seu significado para ilustrar as torturas impostas pelas mulheres dominadoras, ou as trentativas de rebelião dos prisioneiros e, principalmente, a gama de conflitos e emoçíµes que envolve o conví­vio entre os gêneros.  

Longe de pretender uma projeção futura da guerra entre os sexos, a proposta de um distanciamento temporal visa o efeito cí´mico, estético e um olhar crí­tico sobre o senso comum a respeito da relação entre homens e mulheres na sociedade atual. Todos os elementos da encenação, na verdade, fazem uma caricatura das convençíµes sexistas difundidas na nossa cultura.  

Assim, a configuração do espaço de atuação deve fazer menção a esse tempo futuro, mas sem caracterizá-lo inteiramente. O mesmo se dá com a representação do campo de prisioneiros, que deve fazer alusão í  suposta supremacia feminina, mantendo possí­vel o deslocamento e a transformação conforme a necessidade da cena. A noção de mobilidade e transitoriedade é fundamental para todos os elementos desta montagem, por refletir volubilidade das relaçíµes de poder e sedução estabelecidadas ao longo da ação.  

Quanto í  relação dos atores com o texto, será preservada a forma literária original das crí´nicas, mantendo-se a narração, mas não a figura do narrador. Todas as narraçíµes serão ditas como falas das personagens e todos serão intérpretes da ação no intuito de reforçar a noção de jogo entre os intérpretes e provocar o distanciamento e a comicidade.  

Já na composição dos personagens, está presente a idéia de caricaturizar os estereótipos masculinos e femininos e a artificialidade de seu comportamento alimentados pela cultura de massa. Para tanto, como inspiração para caracterização dessas figuras, bem como para toda composição do universo da peça, está a estética kitsch.  

    Utilizado para designar o mau gosto artí­stico e produçíµes consideradas de qualidade inferior, o termo kitsch surgiu por volta de 1870, em Munique, caracterizando objetos de valor estético distorcido ou exagerado, feitos para satisfazer a ascendente burguesia.    

  Produto tí­pico da sociedade de consumo, o kitsch é mais do que uma qualificação estética, é também uma atitude perante a vida, na qual o prazer fugaz da não-permanência é valorizado.  

  Neste espetáculo, o conceito de kitsch é empregado no intuito de criar um visual saturado, representando a padronização do comportamento social e sexual do homem mediano; o predomí­nio do ter sobre o ser. Sendo assim, quanto mais padríµes de conduta se evidenciam, mais obsessíµes e manias se revelam, transformando os indiví­duos, pouco a pouco, em seres artificiais. As mulheres sedutoras e insaciáveis e os homens inseguros e apaixonados que figuram entre os tipos interpretados, são como produtos de arte kitsch: cópias de um modelo distante e idealizado.  

  A sobrecarga visual, portanto, simboliza o peso que a imposição dos padríµes sociais inflige aos indiví­duos. Mais do que uma bagagem cultural, a excessiva padronização pode tornar-se, muitas vezes, um fardo. Fardo, este, que homens e mulheres muitas vezes preferem arrastar consigo e exibir como adornos e ou artimanhas, empregadas em sua busca por dominação e conquista, num esforço para ignorar o medo da condição intrinsecamente solitária do ser humano.

   

Ficha Técnica  

   

DireçãoTAINAH DADDA

   

    Elenco  

 

JOANA VIEIRA  

MAGDA DE OLIVEIRA    

PATRíCIA LA MACCHIA  

PAULO SALVETTI    

WILLIAN MARTINS

 

Figurinos

 

DANIEL LION

 

Cenografia:

 

ZAO FIGUEIREDO

 

Trilha Sonora

 

 ARTHUR BARBOSA NETO  

 

Iluminação

BATHISTA FREIRE  

 

   

Breve Biografia do Autor

   

DAVID COIMBRA

Nascido em Porto Alegre, no ano de 1962, David Coimbra é formado em Jornalismo pela PUCRS. Atualmente é diretor executivo de Esportes e colunista do jornal Zero Hora, além de comentarista da TV COM, onde participa do programa Café TV COM.

 Entre reportagens, romances compilaçíµes de crí´nicas e contos já lançou, entre outros, A Mulher do centroavante, 2003; A cantada infalí­vel, 2003; Crí´nica da selvageria ocidental, 2003; Canibais “ paixão e morte na rua do Arvoredo, 2005; Mulheres!, 2006; Jogo de Damas, 2007; Cris, a fera, 2008 e Meu guri,de 2008.

Como jornalista, David ganhou dez prêmio concedidos pela Associação Riograndense de Imprensa (ARI), o prêmio Esso Regional Sul e o prêmio Direitos Humanos de Reportagem. Como escritor, foi vencedor dos prêmios Açorianos, Habitasul e Erico Verissimo de Literatura.

   

Maiores informaçíµes:

 

Sandro Lopes produçíµes:  

exitobahia@hotmail.com

 (51)8108 5631


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