Torres tem mais empregos e melhor renda, mas ainda sofre com a falta de mão-de-obra qualificada

14 de novembro de 2011

 

Por Guilherme Rocha

 

   

índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM) é um estudo anual do Sistema FIRJAN, que acompanha o desenvolvimento de todos os 5.564 municí­pios brasileiros em três áreas: Emprego & Renda, Educação e Saúde. No estudo deste ano, constata-se que Torres ocupa a 27 ª posição entre os mais de 500 municí­pios do estado, uma prova que nossa cidade já possui um desenvolvimento social destacado frente a outros municí­pio. Neste processo, o aumento de renda e a geração de empregos são os pilares fundamentais para reduzir as desigualdades sociais de nosso paí­s e possibilitar uma dignidade maior í quelas pessoas que ainda se encontram a margem da nossa sociedade.  

   

Geração cidadã de emprego e inclusão social em Torres

   

Marivânia Rodrigues de Oliveira é gerente municipal da Secretaria de Ação Social e Cidadania, que busca encontrar soluçíµes para a inclusão social e profissional das populaçíµes de baixa renda em Torres. Dentre as medidas oferecidas pela pasta atualmente, destacam-se os projetos itinerantes, que oferecem oficinas de panificação, cursos de cabeleireiro, artesanato e reciclagem. Os projetos itinerantes são voltados para os chefes de famí­lias em situação de risco, buscando realizar uma ação de inclusão social e melhora da qualidade de vida para a população de baixa renda, através do aprendizado de um ofí­cio. No momento temos 80 adultos envolvidos, além de 200 crianças incluí­das em programas de esporte e recreação. Marivânia destaca ainda que, nos cursos e oficinas disponibilizados aos chefes de famí­lia pela secretaria, há uma presença muito maior de mulheres do que de homens, indicando que nas populaçíµes de baixa renda a presença do pai de famí­lia é rara, em decorrência do abandono e alcoolismo destes homens, entre outras razíµes.  

 

Outros projetos interessantes desenvolvidos pela Secretaria de ação social são o Torres da Cidadania e as frentes emergenciais de trabalho. O primeiro regulamenta uma troca, em que as pessoas de baixa renda trabalham por um dia (nas segundas ou sextas-feiras) para o poder público municipal e, em troca, recebem um auxí­lio emergencial. Já as frentes emergenciais de trabalho selecionam especificamente pessoas em situação de risco e proporcionam a estes a oportunidade de exercer um serviço de limpeza urbana em troca de um salário mí­nimo. São mais de 100 famí­lias por ano atendidas pela frente emergencial de trabalho, que ao proporcionar emprego devolve a dignidade a muitas pessoas que estavam í s margens do mercado de trabalho. Além disso, oferecemos cursos de capacitação e motivação (em parceria com o SENAC) para possibilitar uma inclusão cidadã destas pessoas, indica Marivânia.

   

O Bolsa Famí­lia

   

O Bolsa Famí­lia é um programa de transferência direta de renda com condicionalidades, que beneficia famí­lias em situação de pobreza e de extrema pobreza. O Programa integra o Fome Zero, que tem como objetivo assegurar o direito humano í  alimentação adequada, contribuindo para a conquista da cidadania pela população mais vulnerável í  fome. O Bolsa Famí­lia atende mais de 13 milhíµes de famí­lias em todo território nacional. A depender da renda familiar (limitada a R$ 140 por pessoa), do número e da idade dos filhos, o valor do benefí­cio recebido pela famí­lia pode variar entre R$ 32 a R$ 306. Hoje, Torres conta com 3285 cadastrados no Bolsa Famí­lia. Quanto maior a situação de risco da famí­lia, maior será o valor da assistência do governo. O programa também beneficia crianças e adolescentes em idade escolar, sendo que até cinco filhos por famí­lia podem ser incluí­dos pelo benefí­cio, finaliza Marivânia.

 

  Para obter mais informaçíµes sobre o Bolsa Famí­lia, o acesso a página oficial do programa pode ser feito pelo site www.mds.gov.br, e a Secretaria de Ação Social e Cidadania também está disponí­vel para esclarecimentos.

 

   

Empregos sobrando, mas falta mão-de-obra qualificada

 

     

 

 Melissa Fraga é a coordenadora municipal do SINE

     

O Sistema Nacional de Emprego (SINE) visa melhorar as condiçíµes de acesso, permanência ou retorno dos trabalhadores ao mercado de trabalho. Presta também assessoria í s empresas interessadas na contratação de trabalhadores, sendo os candidatos, selecionados de acordo com o perfil desejado, e encaminhados para os futuros empregadores.

 

Melissa Fraga é a coordenadora municipal do SINE, e explica que o momento de Torres é bom, í  ní­vel de geração de empregos.  A cidade está evoluindo, como percebe-se pelo crescente número de grandes empresas interessadas em investir em Torres. A Unidasul, por exemplo, estará em breve abrindo 131 empregos diretos tanto na rede de varejo quanto atacadista. E também desde quinze de setembro Torres já está confeccionando carteiras de trabalho, o que facilita a situação do trabalhador que agora pode ter sua carteira regularizada para empregos formais aqui na cidade mesmo.

 

A coordenadora do SINE complementa que, embora as oportunidades de trabalho sejam muitas, nem todas as vagas acabam preenchidas. No geral estamos com mais oportunidades do que trabalho, e também contamos com mão-de-obra que seria suficiente para cobrir esta demanda. O problema é a falta de qualificação para muitas das pessoas que estão procurando um emprego, e que acabam ficando com poucas opçíµes. No último mês de fevereiro havia mais de 140 vagas, mas apenas 94 foram preenchidas, analisa Melissa.

 

Ele anuncia ainda que a Comissão Municipal de emprego, que foi reativada após oito anos parada, irá atuar em uma parceria entre trabalhadores, empregadores e governo que discutirá as demandas mais urgentes dos empresários, para realizar cursos nas áreas com maior carência de mão-de-obra qualificada, focando assim exatamente onde as necessidades são maiores. A fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (Fgtas) também oferecerá cursos de qualificação, especificamente para as mulheres, com o objetivo de capacitá-las para funçíµes de acabamento vitais na construção civil (que conta com pouco pessoal capacitado em relação í  demanda), como pintura e rede elétrica, conclui Melissa.

   

O crescimento profissional a partir da qualificação

 

       

                                                                       Equipe do SENAC      

 

Há seis anos em Torres, o Senac já se tornou uma grande referência para a capacitação profissional da população de nossa cidade. Atendendo oito municí­pios da região além de Torres, a diretora da instituição, Luciane Golo Cauduro, explica que a missão do Senac é buscar capacitar e educar as pessoas para o trabalho, em atividades do comércio, turismo, bens e serviços. Nosso foco é na área da gestão, informática e idiomas, mas estamos constantemente expandindo e abrindo novos cursos para atender áreas de demandas essenciais em Torres, como hotelaria e saúde. Oferecemos cursos pagos com preços bastante acessí­veis, mas também cursos gratuitos disponí­veis para toda a população, principalmente aqueles sem renda fixa.

 

Luciane explica que, entre os cursos mais procurados na instituição, estão os de auxiliar administrativo, atendimento ao cliente, montagem e manutenção de computadores, softwares voltados para arquitetura (AUTOCAD e Sketch) e garçom. Eles geralmente ocorrem de 2 a 3 vezes por semana, e são mais procurados durante os meses fora de temporada, pois as mesmas pessoas que se matriculam nos cursos esperam estar trabalhando durante o verão. Em certos cursos, como o de garçom, os alunos já saem daqui com emprego garantido no verão. Além disso, o Senac também está oferecendo cursos para a terceira idade, visando principalmente a inclusão digital e um conví­vio social para a maturidade ativa.

 

  De acordo com a diretora do SENAC-Torres, nosso municí­pio já tem potencial para crescer sem uma dependência tão grande em relação ao turismo, e ela explica a importância da capacitação profissional para que isso aconteça. Temos que fomentar a qualificação profissional dos nossos moradores, pois se deve saber que um diploma comprovando a especialização de uma pessoa abre as portas para empregos melhores, ao mesmo tempo em que melhora a auto-estima e o desenvolvimento pessoal, finaliza Luciane.

 

   Foi-se o tempo em que pedreiro era um  trabalhador desvalorizado        

 

Danilo Freitas tem 26 anos, e está trabalhando como pedreiro em uma obra no centro de Torres. Ele possui o segundo grau completo e, por alguns anos, trabalhou de garçom na cidade, até que viu na construção civil uma possibilidade de estabilidade financeira. Quando eu trabalhava como garçom o salário até era melhor, por causa das gorjetas que recebia e pela carga horária maior. Tenho curso de garçom e experiência na área. Mesmo assim, era muito difí­cil conseguir algum emprego fora do perí­odo de veraneio. Agora, trabalhando em obras, tenho emprego garantido o ano todo e o salário também é bom, indica o pedreiro.

 

 Desde 2009 que Danilo vem atuando na área da construção civil, e de lá para cá viu seu pagamento crescer mais de 15%%, em decorrência da grande demanda por mão-de-obra e pelo amento do salário mí­nimo. Quando comecei a trabalhar em obras ganhava uns 900 reais, e hoje ganho 1100 reais todo o mês. Já é passado o tempo em que o pedreiro era um trabalho desvalorizado, hoje é possí­vel ter uma vida digna como funcionário da construção civil. Não tenho o que reclamar, já estou na minha quinta obra e sei que, quando o trabalho aqui terminar, com certeza terei outro emprego me esperando, conclui.                                        


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