TRANSPLANTE DE MEDULA í“SSEA E NUTRIí‡íO
13 de março de 2011
Há alguns anos atrás realizei um estudo no Hospital de Clínicas de Porto Alegre a respeito da situação nutricional de pacientes com câncer que requer o transplante de medula óssea autogênico como parte do tratamento. Nos últimos anos houve aumento do uso desta modalidade terapêutica para o câncer em células sanguíneas por esta não requerer um doador. Assim, resolvi compartilhar algumas informaçíµes a respeito da importância da nutrição para uma evolução e recuperação dos pacientes que apresentam estas doenças.
O transplante de medula óssea autogênico/autólogo é uma modalidade terapêutica aplicada principalmente em neoplasias hematológicas, onde há coleta de células progenitoras do próprio paciente. As células retiradas da medula do paciente são congeladas (criopreservadas), e, após a aplicação de quimioterapia e radioterapia, são reinfundidas no paciente. O objetivo deste procedimento é restaurar a produção de células sanguíneas depois que a terapia contra o câncer tiver danificado a medula remanescente do paciente.
O transplante de medula é um tratamento agressivo, que submete o paciente í diversas situaçíµes clínicas que interferem de maneira variável na sua nutrição do mesmo. A perda de peso e a alteração no estado nutricional são evidentes em 50% dos pacientes com câncer no momento do diagnóstico. Já, durante as primeiras semanas pós-transplante, os pacientes apresentam uma ingestão oral muito baixa ou nula, sendo necessária frequentemente a inclusão de suporte nutricional enteral ou parenteral. Este fato é associado aos efeitos pós-transplante como mucosite (inflamação da mucosa oral), esofagite (inflamação do esí´fago), alteraçíµes no paladar e lesíµes intestinais que estão quase sempre presentes nesta fase do tratamento. Os pacientes com câncer também apresentam redução no seu apetite por estarem pelo impacto psicológico que esta doença ocasiona.
Alguns estudos indicam que até as pequenas quantidades de perdas de peso (inferiores a 5% do peso corpóreo) antes da terapia foram associadas a uma má evolução da doença.
O conhecimento do perfil nutricional antes da internação hospitalar destes pacientes é de elevada importância, uma vez que, a partir da mesma, pode-se realizar um condicionamento nutricional para que o paciente sofra menos durante a todo o período da quimioterapia, e também estudar medidas terapêutico-dietéticas precoces afim de determinar o tipo de intervençíµes dietéticas para o acompanhamento durante o tratamento. Assim, não há dúvida que a recuperação do paciente será significativamente melhor.


