Acessibilidade significa permitir que pessoas com deficiências ou mobilidade reduzida participem de atividades que incluem o uso de produtos, serviços e informação, além de permitir o uso destes por todas as parcelas da população.
Esse assunto me surgiu depois de olhar alguns dos acessos a cadeirantes nas ruas da cidade. Alguns desses acessos são para cadeirante atleta, me perdoem a piada. No verão de 2010 eu vi um destes ridículos banheiros químicos com uma placa indicando ser para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Nada de mais se ele não estivesse num lugar de difícil acesso até para quem não tem mobilidade reduzida (ver foto acima).
Muitos acreditam que a colocação de uma rampa ou um elevador somente resolve o problema do deficiente, isso quando não cumprem a lei de forma a somente dar uma satisfação as autoridades. Devemos ter mais cuidado ao adaptar a cidade ao público portador de necessidades especiais, pois conforme o Censo há mais de 51 milhíµes deles no Brasil. Quase 36 milhíµes de brasileiros possuem deficiência visual, mais de 9 milhíµes sofrem de falta de audição, 13 milhíµes são portadores de dificuldade motora e 2,6 milhíµes têm deficiência mental ou intelectual. No total, 51,6 milhíµes de deficientes no Brasil. Como visto não são só rampas de acesso que determinam uma cidade como atenta ao tema acessibilidade, mas muitas outras preocupaçíµes devem ser levadas em conta, principalmente com os deficientes visuais e auditivos.
Acessibilidade é uma palavra pouco conhecida no Brasil e em Torres pelos governantes, arquitetos e construtores, apesar de ter melhorado muito nos últimos tempos. Até as vagas destinadas para deficientes nos supermercados da cidade, embora bem colocadas, ainda não são respeitadas e são ocupadas por automóveis que não possuem o adesivo próprio (nem o ocupante próprio). Ou seja, além da preparação da estrutura temos que pensar na preparação das pessoas sensibilizando-as para este tema.
Vou citar um exemplo de uma cidade do interior paulista com características muito semelhantes a Torres (mesmo número de habitantes e turismo como atividade econí´mica principal). A cidade de Socorro, estância hidromineral localizada a 134 km de São Paulo e que integra o circuito das águas paulista, referência em turismo de aventura no estado, e se preparou para receber também turistas com deficiência (aproximadamente 10% dos 400 mil turistas/ano).
O investimento de 1,5 milhão na cidade (financiados pelo Ministério das Cidades) incluiu transporte e equipamentos adaptados, além de treinamento de profissionais para atender pessoas com deficiência. Cada público é atendido de acordo com suas necessidades. Além disso, os pontos turísticos do centro histórico são interligados por um piso tátil e os semáforos foram adaptados com recursos sonoros, para atender a pessoas com deficiência visual. No município foram construídos banheiros e rampas de acesso para pessoas em cadeira de rodas, demarcadas vagas de estacionamento para pessoas com deficiência. Também foram adaptados brinquedos em locais públicos. Para desenvolver esse trabalho, além de contar com o respaldo da legislação já existente, o município conta com o apoio da população e do comércio local.
Este é um dos vários exemplos que estão surgindo pelo país e que pode servir de inspiração aos candidatos a prefeito de Torres e quem sabe até os motive a colocar em seus programas de governo.
Para os hoteleiros, restauranteiros, comerciantes e autoridades eu tenho uma dica: De 22 a 25 de novembro, o tema Acessibilidade terá um salão específico com expositores ligados ao turismo acessível, além de palestras voltadas ao assunto no congresso do Festival de Turismo de Gramado.
Roni Dalpiaz
Site: www.ronidalpiaz.com.br e-mail: ronidalpiaz@gmail.com
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Referências:
Sites: http://www.dicionarioinformal.com.br/acessibilidade/
http://www.socorro.sp.gov.br/dadosgerais.asp
http://www.festivalturismogramado.com.br/Press/News/id/4299000617055585278


