Uma cidade que vive do Turismo – como Torres – deve tratar com proficuidade e seriedade esta atividade. Assim como uma cidade onde a maior atividade e econí´mica é a plantação de arroz – ou a indústria de implementos agrícolas, ou a indústria automotiva, dentre outras – trata estas propostas como tema central da tomada de decisão publica local, uma cidade que sobrevive do movimento de veranistas e turistas também deveria colocar o Turismo no centro de todas as decisíµes, como uma espécie de eixo central, que espalha as pás das políticas de Segurança, de Educação, de Saúde, de Ação Social e outras, para trabalharem sempre guiadas pelo destino e pela velocidade deste eixo.
Mas a atividade turística é diferente. Não se trata de uma atividade standard como as outras vocaçíµes econí´micas, que são desenvolvidas no entorno de uma cidade formada por pessoas que lá vivem, que lá trabalham, que lá, enfim, buscam o desenvolvimento pessoal. O Turismo vive de visitantes.
Os clientes do turismo não são meros pagadores de duplicatas em bancos como são os clientes das indústrias, dos produtores rurais ou de outros modelos econí´micos tradicionais; No turismo, temos pessoas que gastam seu dinheiro de forma presencial, espalhando pelas cidades os seus recursos, optados de acordo com suas preferências para serem gastas no destino. São escolhas usualmente feitas de forma prévia, para que passassem suas férias, seus finais de semana, dentre outros motivos pessoais, da forma mais agradável que lhe convir. A cidade é o produto na economia baseada no turismo.
E para que pessoas escolham cada vez mais esta cidade como destino, ou, melhor ainda, que voltem para Torres em novas férias, em novos finais de semana, se faz necessário que cada vez mais os chamados destinos turísticos (o que Torres é) apresentem com clareza um diferencial competitivo aos olhos e sensaçíµes de seus clientes: os turistas e veranistas.
Mas não temos bem claro esta diferença aqui em Torres. O conceito de dizer que Torres é a mais bela praia do RS é fraco, sugere certa arrogância e superficialidade de postura, embora seja válido mesmo assim. Podemos dizer que somos a Capital do Balonismo? Sim, mas o evento ocorre apenas uma vez por ano, e não é um evento que tenha relação com o turismo de beira de praia, de verão. Podemos dizer que temos o melhor Réveillon do litoral? Talvez, mas mesmo assim o Réveillon é um dia e o ano tem 360 dias. O que mais podemos dizer? Não muito, na realidade!
Mas temos o surfe como um dos esportes que marcou presença na cidade – em toda a sua história dos últimos 50 anos, ou mais. Temos atualmente formatadas propostas de tentar linkar o surfe a um macro conceito de diferencial turístico de Torres. Temos casualmente neste final de semana a demonstração, cabalmente provada,de que o surfe e a praia da Guarita são uma dupla bastante harmí´nica e forte no contexto de lugares para a prática deste esporte. E isto pode virar um diferencial competitivo também forte para a cidade.
A praia da Guarita pode não ter a melhor onda do litoral, mas se caracteriza como quase o único espaço de beira de praia natural preservado por lei, perante os riscos iminentes das mudanças urbanas. Mudanças que todos os lugares sofrem por conta do obrigatório desenvolvimento das cidades, mesmo as turísticas, mesmo as de beira de praia. Pegar esta espécie de gancho ou sinal para que o trade do turismo local (hoteleiros, comerciantes etc.) fomente para que o conceito de Surfe City sugerido pela Ulbra em conferência no ano passado seja eleito como principal diferencial competitivo de Torres seria um bom tema de casa para a sociedade torrense e as autoridades da sociedade organizada. Um bom tema de debates, pelo menos.
O surfe já funciona como conceito básico em vários destinos de beira de praia espalhados pelo mundo. Poderíamos ao menos ser a primeira (potencialmente única) cidade gaúcha e das poucas no Brasil se pegássemos este conceito para fazer parte das estratégias de crescimento sustentável para o futuro de Torres. O estilo de vida sugerido pela atividade faz parte de marcas de roupas pelo mundo inteiro, de marcas de veículos, dentre outros. Isto prova que a base surfe como modelos de turismo acaba trazendo para as cidades, paras as marcas de roupa, para as marcas de veículos, para até ilhas inteiras (como Hawaii) outros admiradores do estilo de vida que o estar em torno do surfe traz. Trata-se de uma inteligente e bastante viável escolha política local.


