EDITORIAL – Um outro enfoque para as campanhas eleitorais énecessário

14 de novembro de 2011

Nesta semana mais um ministério foi exposto após denúncias feitas pela revista Veja. Desta vez foi o Ministério do Trabalho, capitaneado pelo PDT, através do deputado Carlos Lupi, presidente do partido.   Já houve denúncia contra o PR, contra o PMDB, contra o PC do B e agora contra o PDT. Parece que ao brasileiro, resta esperar mais uma edição ou duas da revista semanal, que terá o dissabor de ver mais uma falcratua jogada no ar.

 

O que preocupa é a dedução lógica de que todos os partidos e praticamente todos os ministérios em Brasí­lia estão acompanhados de um esquema de desvio de dinheiro público para as campanhas eleitorais das siglas através de superfaturamentos em contas pré – aprovadas.   Não há como se ser ingênuo para imaginar que outros partidos fiquem como santos no meio desta verdadeira balbúrdia que se encontra a Capital Federal e suas entranças dentro da vida dos brasileiros, brasileiros estes que dependem também cada dia mais das decisíµes vindas do poder central. São desvios através de contas pré-aprovadas em licitação na maioria, ou delineadas através de regras rí­gidas exigidas para a gestão da Coisa Pública, mas que são abocanhados por mal feitores como formigas abocanham animais mortos: sem medo e com esbaldo.

 

Não se pode ser ingênuo também para acreditar que as campanhas polí­ticas pomposas, cheias de produçíµes hollywoodianas e com marqueteiros pagos com salários de jogador de futebol europeu, veiculadas em canais de TV com tabelas de preços também européias ou americanas, possam estar sendo pagas pelos valores declarados pelos partidos nas prestaçíµes de contas pós- eleição. Sabe-se que é necessário muito mais recurso financeiro para bancar estas faustosas atitudes das siglas ao fazerem seu marketing. Por outro lado, as regras eleitorais no Brasil quanto í  utilização de verbas para as campanhas são, a cada eleição, mais rí­gidas. Quem trabalha diretamente com isto sabe da burocracia crescente que as leis vêm recebendo, quando para se fazer um simples santinho de um candidato í  vereador é necessário ter praticamente um manual impresso na imagem do material impressa, tal o número de dados necessários como DNPJ da empresa que fez, valor pago, número de unidades feitas, dentre outras. E, mesmo assim, as campanhas continuam cada vez mais graúdas, cinematográficas, o que deixa o coitado do candidato que possui somente doadores í­ntegros e que não se propíµe a entrar em jogo sujo fique um verdadeiro anão ao lado dos baríµes do Marketing polí­tico. E esta constatação por ser antagí´nica é preocupante. Mostra que as regras estão ineficazes e mostra, acima de tudo, que para ser polí­tico no Brasil tem que se estar muito próximo da bandidagem: no mí­nimo fazer que não enxerga o que está em suas barbas. São duas constataçíµes perigosas que são provas cabais que o sistema não está funcionando.

 

Talvez, se o Brasil optasse por ser mais liberal com o sistema de financiamento de campanha, as coisas fossem mais fáceis e mais empresas, de todos os formatos e tamanhos, poderiam se apresentar para financiar campanhas eleitorais. Pelo viés atual, totalmente preconceituoso, onde a relação de uma empresa que financia um partido ou candidato é mal vista caso a mesma venha a ter oportunidade de prestação de serviços com o governo, ou que busque alguma causa pontual para seu futuro, que dependa de maioria de votos nos legislativos, a sociedade já tem provas que o sistema não funciona: ao contrário, premia os mal intencionados e abonados. Quem sabe se a sociedade através das leis eleitorais, ao invés de encarecerem e burocratizarem cada vez mais os controles das campanhas, optasse por liberar o processo e passassem a controlar somente as falcratuas nas relaçíµes como já de faz hoje?

 

 O financiamento público de campanha não termina com a corrupção. Encarece o sistema, mas mantém as quadrilhas atuantes.   Será que se outras empresas e pessoas tivessem mais liberdade de participar nos processos eleitorais, sem preconceito, não terí­amos um processo mais aberto, plural e com fontes mais disponí­veis?


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados