Maria Helena Tomé Gonçalves
Após consultas ao Dicionário, popularmente chamado amansa burros, entendi:
Biologia: ciência que estuda os seres vivos para conhecer as leis de sua organização e dos seus atos. írvore: grande vegetal lenhoso cujo caule é um tronco elevado, despido na base e com ramos e folhas na parte superior. Nativo: natural de algum lugar, produzido pela natureza em um dado ecossistema sem a interferência do homem, original, não adquirido. Exótico: de fora, estrangeiro, de outro lugar, trazido de outro ecossistema pelo homem, esquisito, extravagante. Biólogo: pessoa que se dedica ao estudo da Biologia e í defesa dos seres vivos… exerce atividades relacionadas í conservação, preservação, erradicação, manejo, melhoramento de organismos… deve pautar-se por princípios éticos na defesa do direito í vida… conhecer a legislação pertinente… orientar escolhas e decisíµes…respeitar a diversidade étnica, cultural, as culturas autóctones e a biodiversidade… avaliar impacto ambiental potencial e real; enfim, entendi!
A derrubada brutal das árvores da Praça Getúlio Vargas foi baseada num profundo estudo biocientífico feito por biólogos competentes e credenciados que compreenderam o grave risco ambiental que as velhas e tristonhas árvores traziam para o entorno e decretaram sua morte imediata através do corte radical. Isso eu entendi. Não entendi porque não tiraram todas as árvores da Praça de uma só vez e deixaram algumas sobreviventes? Quero dizer, porque não tiraram todas as árvores exóticas de Torres?
Falar em exóticas me fez pensar nas ruas de Porto Alegre que eu amo justamente por causa das suas árvores: a Getúlio Vargas e a Osvaldo Aranha com as suas imensas palmeiras, as ruas do Bom Fim com seus jacarandás mimosos, a Borges perto do Gigante da Beira Rio com seus plátanos e álamos, os flamboyants, as magnólias, as bétulas, os fícus, os carvalhos, as unhas de vacas, ah… e os cinamomos da Praça Santa Terezinha da minha infância em Butiá … Meu Deus, e se os biólogos de lá pensarem como os de Torres e …záz!.. levarão embora as memórias de nossas infâncias e de nossas juventudes… mas estarão devolvendo ao ecossistema regional a sua biodiversidade original e que os burros dos colonos italianos, alemães, japoneses e outros (que não tinham dicionários) trouxeram junto com sua escassa bagagem, lá dos outros lados do planeta, mudinhas miúdas e franzinas que aqui plantaram com todo amor até que frutificassem em novas mudas e outras e mais outras e foram plantando serra acima, serra abaixo, em vales e picos, até encher estradas, ruas, praças, parques com árvores lindas, vistosas, charmosas, coloridas, perfumadas. Mas isso é coisa do passado. Agora é só nativo que vale por aqui. Ponto final.
Apesar de tudo, das explicaçíµes, da lógica, da tentativa de retorno ao natural, uma árvore é uma árvore, não importa a espécie, a história, a origem e se pudermos preservá-las até sua morte espontânea, tanto melhor. Se tivermos que substituí-las, que seja feito aos pouquinhos… aos pouquinhos porque uma árvore… é uma árvore em qualquer lugar do planeta, nada mais que um pequeno átomo na imensidão do universo.


