EDITORIAL – UMA CONDENAí‡íO POLíTICA?

24 de novembro de 2013

 

A prisão de vários petistas por conta de suas condenaçíµes pelo STF no processo do Mensalão inaugura uma nova fase na justiça brasileira. Após quase 25 anos de denúncias de falcratuas polí­ticas midiáticas que o povo assistiu quase que diariamente sentado em suas casas, desde a redemocratização, com a eleição direta em 1989, a condenação da cúpula de um partido í  prisão ficará marcada nos anais da história do Brasil. Mas o processo do julgamento do Mensalão e a repercussão na mí­dia mostraram que talvez não tenha sido somente pessoas que foram condenadas de fato. A condenação foi para vários criminosos, de vários partidos e setores da sociedade, mas a repercussão sugere que foi mais para o PT.

 O Mensalão foi montado no PT, dentro da agremiação, em seu diretório. Foram os dirigentes que assinaram embaixo os maus feitos; e o resultado foi suas prisíµes. Foi isto que foi divulgado na mí­dia e   quase que confirmado pelo veredicto final da justiça. Como as leis brasileiras não permitem indiciar e condenar um partido inteiro por fatos consumados por membros desta sigla partidária, são os dirigentes do PT que pagam a fatura ao serem condenados pela estratégia criminosa montada dentro do partido durante o governo Lula. Estratégia esta existente em outros partidos, pelo menos acusada de existir pela própria militância do PT nas campanhas eleitorais, só que, até agora, não chegando í s últimas instâncias dos tribunais como aconteceu no Mensalão. Foram os dirigentes que assinaram, que fizeram conluios e lideraram o processo: foi isto que o julgamento mostrou ao os condenar; e foi em nome do PT que os dirigentes fizeram seus atos considerados criminosos. E é isto que os dirigentes presos estão chamando de condenação polí­tica. A própria postura do atual presidente do partido dos Trabalhadores do Brasil após a condenação mostra isto: a defesa é da imagem do partido, os homens condenados são colocados como meros militantes iguais a qualquer outro petista. Mostra que o ideal do partido está acima de tudo, ele defende a fidelidade de seus atores.

O julgamento abre um precedente nos sempre não esclarecidos desfechos em outros vários escândalos que apareceram no Brasil durante as últimas décadas. Foram escândalos nos governos Sarney, Collor, FHC, Lula e Dilma, que até então eram vistos pela sociedade como mais uma jogada polí­tica de opositores e uma forma das TVs terem audiência. Até a semana passada, nunca polí­ticos de lideranças partidárias tinham sido condenados criminalmente na justiça e presos, com todos os ritos de presidiário comum, como aconteceu nesta semana por conta da prisão dos lí­deres do PT e outros criminosos envolvidos na falcratua. O precedente, portanto é positivo. A justiça finalmente mostra í  que veio no sistema democrático e prova cabalmente que crimes são, foram e serão sempre cometidos em uma sociedade, mas que quando os criminosos são flagrados, a justiça que funciona não perdoa: pune independentemente de quem está no banco dos réus.

Estes 25 anos de redemocratização no Brasil mais pareceram um desfile de criminosos no poder sendo atacados por outra quadrilha de criminosos que está fora do poder. Foram tantos os escândalos sem comprovação e condenação de culpados que dá espaço para o brasileiro simples mais acreditar que os anúncios destes mesmos escândalos foram todos blefes plantados por oposicionistas. O PT, por exemplo, foi o partido que mais acusou seus adversários nos anos anteriores í  conquista da Cadeira Maior pelo presidente Lula. Inclusive, todas as campanhas do PT foram justamente em cima de acusaçíµes aos seus adversários de terem cometido mal feitos em seus governos. Talvez o partido tenha inclusive conseguido chegar í  presidência da república justamente por passar certo ar de paladino da justiça. E, também talvez por ironia do destino, foi justamente o PT o primeiro partido a ser condenado pela última instância dos tribunais brasileiros. Um baque da água fria principalmente em seus militantes e fundadores.

 í‰ a cúpula do PT no poder no ano de 2004 (ano do estouro do escândalo), que está agora em sua maioria presa pela justiça brasileiro, que a julgou criminosa. Os outros escândalos provavelmente foram somente fogo de palha: não houve nenhuma comprovação de nada, embora sempre existam as correntes que sugiram que não houve julgamento por politização do judiciário, o que seria muito sério e digno de um golpe de estado.

Daqui para adiante o mesmo STF irá julgar outros processos de escândalos que envolvem polí­ticos, até partidos, como o chamado Mensalão do PSDB e o também apelidado Mensalão do DEM. Provavelmente, não será falta de preparo e estrutura que fará com que não haja julgamentos exemplares das pessoas envolvidas e citadas como réus nos mau feitos denunciados. Mas o Mensalão do PT foi julgado e o STF indiretamente prejudicou a imagem de uma agremiação inteira. Agremiação partidária esta que esboça respostas fortes contra o ministro do STF e contra a própria instituição da Justiça no Brasil.

Tentar desqualificar o judiciário brasileiro como militantes do PT têm feito para proteger seus companheiros de partido é uma estratégia perigosa. A sociedade e o próprio PT podem ficar desprotegidos de segurança jurí­dica. E isto quando feito de uma forma generalizada, é ambiente propí­cio para Golpe de Estado através da força, das armas. E o Brasil não merece retroceder a tal ponto. O próprio PT não merece ser derrubado por armas.

 


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