EDITORIAL – Uma questão de escolha Errada?

19 de setembro de 2011

O Rio Grande do Sul, í  exemplo do Brasil, convive governo a governo com o mesmo modelo de gestão. Um Estado grande, inchado, com secretarias de todos os assuntos espalhadas por todo o território, mas que não cumpre suas funçíµes essenciais para com seu povo: Proporcionar Saúde, Educação, Segurança e Infraestrutura para o crescimento econí´mico de sua população.   Diariamente e   insistentemente a população convive com demonstraçíµes da quase falência do modelo de gestão destes itens vitais para a qualidade de vida do povo, mas convive também com açíµes e açíµes de outros setores menos importantes, açíµes estas que na maioria das vezes se baseiam na necessidade da implementação de projetos que necessitam também de altos investimentos para chegarem í s suas buscas principais. E o resultado disto é a mediocridade de ambos os lados. Não temos Saúde, Educação, Segurança e crescimento da infraestrutura com qualidade e quantidade, e não temos também projetos implantados nos outros setores, tudo por falta de recursos.

 

Fica claro que os projetos de governo na maioria colocam acima de tudo o aparelhamento do Estado com recursos humanos, em todas as áreas, buscando fortalecer mais o poder dos polí­ticos eleitos do que os serviços de Estado. Com isto, os partidos e coligaçíµes no poder garantem duas coisas essenciais para se reelegerem: açíµes em áreas onde convivem diretamente com pessoas mais pobres, mesmo que os projetos afinal fiquem na maioria somente no papel; e vagas para colocar pessoas ligadas aos partidos coligados, o que de certa forma prende as pessoas e partidos ao mesmo projeto, defendendo os mesmos incondicionalmente, em nome de seus empregos.

 

Esta mazela se estende também para outros poderes de Estado, mesmo que eles (os poderes) não façam parte do Executivo e das açíµes administrativas diretas.   O Judiciário, o Ministério Público e a Assembléia Legislativa são exemplos. Acabam se mostrando aparelhados, principalmente em suas cúpulas, e aí­ fica mais fácil governar, principalmente governar para se reeleger. E a resolutividade do trabalho destes poderes acaba também sendo baixa. Mais uma vez a falta de recursos acaba abortando na ponta a possibilidade de resultados. Temos juí­zes julgando, mas não temos um sistema prisional adequado. Temos um Ministério Público cobrando a cada dia o cumprimento dos muitas vezes utópicos direitos constitucionais, mas não existem recursos para que os municí­pios e o Estado federativo cumpram suas obrigaçíµes.  

 

Na verdade, a estrutura do Estado em todo o Brasil, mas principalmente no RS, se organizou para tentar cumprir o que reza nossa constituição, mas não se fez cálculo para que houvesse um planejamento mais real do ritmo de implementação das açíµes em nome da busca da real cidadania local. E o resultado acaba se mostrando quase que patético. Fazendo uma analogia para simplificar nossa compreensão, podemos afirmar que o que se está fazendo no RS e em geral em toda a nação fica parecido com uma empresa, que contrata pessoas para implantar seu organograma tecnicamente exigí­vel para funcionar em todo seu escopo, mas que não possui a seguir capital de giro para operar. E o que se vê são funcionários prontos para trabalhar, mas sempre sem recurso para isto. E querendo manter seus empregos, busca de qualquer cidadão médio.

 

Mas foi o povo que escolheu este modelo. í‰ o povo que elege projetos e pessoas para governarem os recursos tirados de forma compulsória de seu trabalho diário. í‰ o povo que tem culpa de não ter os serviços básicos funcionando como Saúde, Educação, Segurança e infraestrutura em nome do aparelhamento do Estado para áreas que pouco produzem para a cidadania, principalmente quando não possuem recursos para isto. Não adianta termos uma famí­lia aparada pelo Estado como se fosse um filho doente, se este mesmo Estado não propicia ambientes básicos para que estes possam crescer na vida por suas próprias forças.  

 

 Não adianta termos projetos modernos de geração de igualdade entre os seres se estes mesmos seres não têm atendimento básico do Estado. Não adianta, afinal, termos várias frentes de trabalho em várias áreas, se não temos recursos para darmos o básico para a população: Saúde gratuita, Educação gratuita e de qualidade, Segurança efetiva e infraestrutura de saneamento e  viária,  para o povo e para as empresas, que afinal   é quem produz no paí­s. Mas tudo é uma questão de escolha… errada?

 


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