Por Guilherme Rocha
Eis o Facebook. Que está prestes a atingir a marca dos 700 milhíµes de usuários. Que após sete anos de criação já gera algumas centenas de milhíµes de dólares em receita por ano. O fení´meno da internet, que duplicou sua abrangência em menos de 2 anos e, contando as visitas repetidas, tornou-se o maior site dos Estados Unidos em termos de acessos. Ultrapassou até aquele que é o cérebro do internauta, o quase-soberano Google. De acordo com estatísticas divulgadas pelo Facebook, 50 % de seus usuários no mundo regressam todos os dias ao site. 200 milhíµes acessam a rede social através de um telefone celular. Dentro de alguns meses a rede pretende ser incluída no mercado de açíµes mundial, numa operação que pode avaliar o site como valendo mais de 100 bilhíµes de dólares. Ave Facebook!
Pois é, um sucesso impressionante. O Facebook já parece ser uma febre maior, mais bem articulada e importante do que o seu precedente Orkut. Lançado em 2004 nos EUA pelo aluno Mark Zuckerberg, o site tinha a inocente idéia primordial de desenvolver uma rede para conectar os colegas da universidade de Harvard. Hoje, o Facebook está alçado a posição número um das redes sociais, e é uma multibilionária marca mundial.
Bom, é verdade que, provavelmente dentro de alguns anos, o site entrará na obscuridade, como está acontecendo com o Orkut agora. Provavelmente alguma outra inovadora rede de relacionamentos, com alguma outra revolucionária idéia na relação entre as pessoas da internet, irá surgir. O Facebook será, então, relegado ao esquecimento. Mas, até que este momento chegue, quando algum nerd aborrecido se cansar da masturbação em frente ao computador e ter uma brilhante idéia, idéia que de alguma forma será solução para os internautas do futuro próximo e que lhe renderá muitos bilhíµes, até que este fatídico dia chegue e esta ainda inexistente idéia apareça, o Facebook será "a grande rede social da internet atual" (o que, verdade seja dita, é um título deveras importante em nossa sociedade de mudanças instantâneas).
Algumas razão para o sucesso…
São muitas as ferramentas de interatividade, os joguinhos sociais, e as possibilidades de criação que o site proporciona como entretenimento e inovação, ao mesmo tempo que trata de nortear a sua vida social virtual. Mas, dentre essas ferramentas bacanas, a mais importante e responsável pelo diferencial criativo perante as outras redes sociais é, certamente, a complexa conectividade entre usuários do mundo inteiro. Para Marcus Silveira, 22 anos, que estuda processamento de dados em São Paulo e passou os últimos dois anos viajando pela Oceania e Europa, o "Facebook representa uma possibilidade de estar conectado com pessoas do mundo todo, ter contato com diferentes pontos de vista e, ao mesmo tempo, te ajuda a encontrar velhos amigos e até oportunidades de trabalho".
No caso do Brasil, especificamente, muitos dos usuários optaram pelo Facebook após a massificação e banalização do Orkut, que via de regra não é uma rede social com interação mundial . O site se tornou uma alternativa para internautas mais exigentes, que queriam fazer parte de um produto mais globalizado do que é o Orkut, cujos usuários são predominantemente indianos e brasileiros. Ainda deve-se destacar como trunfo do Facebook a integralização de novos nichos sociais que vem surgindo na internet, incorporando não apenas jovens, mas usuários numa faixa etária entre 30 e 60 anos. Muitos são empresários, publicitários, jornalistas, engenheiros, artistas. Gente que vê no Facebook não apenas uma rede social sofisticada entre pessoas, mas também uma forma de difundir e captar trabalhos ou produtos na cada vez mais influente internet.
O acesso ao Facebook é totalmente gratuito, e toda a receita que o site arrecada vem dos banners publicitários espalhados pelo site. A publicidade é dirigida e relativamente sutil, o site não é tão cheio de spams a ponto de fazer você querer amaldiçoar o site, largar a internet e todos os valores do capitalismo para então virar hippie e morar na floresta. O que é fato é que, de acordo com dados do site de estatísticas e Marketer, a receita do Facebook apenas com publicidade, excluindo-se moedas virtuais e outras fontes, foi de US$ 1,86 bilhão para o ano de 2010, e projeta-se o dobro disso para 2011. Pois é, as cifras do site são sempre altas.
Interatividade
Linkando as coincidências entre você e seus amigos, suas escolas, cidades, países que você visitou, locais onde trabalhou, universidades que estudou (ou fingiu estudar), o Facebook vai associando de tudo e encontra quase todo mundo que passou pela sua vida. Você encontra até aquele amigo dentuço, meio gordo e cheio de espinhas da 6a série, que fedia muito e não tinha amigos e agora é um escritor consagrado, vencedor de prêmios de literatura, morando numa bela casa em frente para o mar na paradisíaca Fiji e namorando uma loira fabulosa, capa da Playboy de agosto de 2009 na Estí´nia. O Facebook te ajuda a mostrar que o tempo passa, e que as pessoas mudam também.
Mais uma sacada do Facebook está no compartilhamento e marcação de fotos, como já ocorria com o Orkut. Jorge te marcou numa foto e lá está seu corpo bêbado, meio que estirado no chão, com um alegre e levemente dopado sorriso, naquela inesquecível noite da qual todos lembram menos você, pois suas memórias ficaram dançando no copo de whisky vazio. A foto é um retrato de seu momento de fraqueza, sua decadência, motivo de risadas, você odeia seu "ex-melhor amigo" Jorge pela exposição pública ao ridículo a qual ele lhe submeteu. Assim, o Facebook te faz lembrar que a vida é feita de bons e maus momentos. De qualquer jeito, a opção de marcação de fotos do Facebook pode ser um recurso interessante também, algumas vezes auxiliando o usuário a encontrar fotos das quais nem se lembrava mais ou até pessoas de tempos atrás. Se o tiro da câmera foi bacana ou os momentos nostálgicos alegram sua memória, isso pode ser algo bem legal.
Baseando-se na premissa de convergência total que a internet vem difundindo, o Facebook trabalha interativamente com Twitter e You Tube, possibilitando que você acesse vídeos a partir de links no site. Em algumas operadoras brasileiras, há acesso ao site pelo celular de forma gratuita, mesmo se você não tiver créditos para isso. A rede social oferece também um serviço de bate papo simultâneo í interface do site que, se não é um utensílio revolucionário, ao menos se faz funcionar como meio de comunicação entre o usuário e seus amigos online do Facebook.
Conversei neste bate-papo com Juan Baumann, argentino com coração brasileiro, torcedor do Boca Juniors e morador de Torres, mas que, neste momento está vivendo em Melbourne, na Austrália. A conversa é um retrato da globalização social proporcionada pela internet nos dias de hoje. Ele me conta que está trabalhando usando uma bicicleta para fazer entregas, trabalha bastante para receber, no final do mês, em volta de 2000 dólares. "O pagamento é bom e justo, mas de qualquer forma existe exploração dos imigrantes pelos empregadores australianos , algo que não condiz com a idéia de país de primeiro mundo que eu esperava" Ainda assim, Juan valoriza muito a experiência de viver em um país seguro, com outro estilo de vida e onde ele pode capacitar seu inglês através de convivência real com pessoas nativas que falam a língua. Mas, voltando ao assunto Facebook, Juan cita o site como uma ferramenta essencial para manter o contato com a família e amigos que ficaram no Brasil "í‰ um site muito útil para mim, posso compartilhar o que estou passando com pessoas queridas para e saber o que está acontecendo no Brasil. í‰ uma ferramenta muito boa, desde que seja usada de forma correta".
Conclusão
Bom, poderia gastar mais algumas páginas aqui descrevendo características e ferramentas do Facebook, tentando entender o encantamento que o site causa em alguns, a repulsa que pode causar em outros. Mas, na minha opinião, o Facebook não passa no final das contas de uma febre passageira, que se vale do fascínio da nossa sociedade contemporânea pela internet para atrair a atenção dos internautas, e que prende a atenção de algumas pessoas de forma tão ostensiva que pode tornar-se perigosa. í‰ claro que o Facebook é uma valiosa ferramenta de auxílio para as complexas relaçíµes sociais de nossos tempos, uma ligação entre pessoas diferentes, de lugares diferentes, com pontos de vista diferentes. Mas vale-se frisar que, por mais que a internet venha tentando sofisticar as relaçíµes virtuais, a "vida real" ainda é feita de relaçíµes sociais verdadeiras, pessoas interagindo fisicamente com pessoas. Devemos sempre lembrar disso, por mais óbvio que pareça, ou corremos o risco de viver em um futuro onde a tecnologia suplantará a realidade, onde estaremos agindo mais como robí´s e menos como seres humanos com sentimentos.


