Opinião – VEGETAIS ALTERAM GENES HUMANOS

1 de novembro de 2011

ANTONIELA VIEIRA  

 

O divórcio, quando ocorre, ou quando sua possibilidade se torna real na vida dos casados, é uma das mais importantes crises da vida do adulto. No casamento, ambos os parceiros mudam ou evoluem com os anos, geralmente em diferentes ritmos, e não necessariamente em direçíµes complementares, podendo surgir a necessidade de separação. Assim, diante de um casamento não satisfatório, começam a surgir inúmeros problemas no conví­vio e no relacionamento, que chamaremos aqui de desajustes conjugais. Ocorrendo a separação, ambos os ex-parceiros , independente de quem tenha tomado a iniciativa, passam por um perí­odo de sofrimento em decorrência da perda da relação, por pior que essa estivesse no perí­odo imediatamente anterior ao divórcio.

 

 A maior facilidade legal para o divórcio e a diminuição da influência da religião com dogmas rí­gidos tornaram a separação um acontecimento mais aceitável, com as pessoas separadas sofrendo menor preconceito que no passado. Muitas vezes, se perpetuam relaçíµes desajustadas no casamento e a responsabilidade pelo problema é de ambos os cí´njuges, mesmo que aparentemente a situação aponte para um único responsável. Isso porque ocorre o que pode ser chamado de acordo inconsciente entre os dois no casamento, isto é : um problema que aparentemente é de apenas um dos cí´njuges, é, em geral, compartilhado ou até mesmo aceito pelo outro. Assim, uma pessoa ao se casar ou manter-se casada o faz pelas virtudes do parceiro ou da própria união. Porém, com as virtudes, aparecem as diferenças e até mesmo os problemas.

 

Questíµes sócio-culturais também são muito importantes na manutenção de casamentos muito desajustados, principalmente em culturas e classes sociais em que a mulher (ou o homem) tem uma educação rí­gida em relação ao casamento, não tendo uma vida pessoal própria, independente, mesmo profissionalmente, em que o casamento e a maternidade são vistos como meio de vida, muitas vezes por necessidade e não como opção. Além disso, muitos casamentos mantêm-se pela extrema dependência afetiva dos cí´njuges um do outro, que faz com que desajustes intensos no casamento sejam tolerados, de modo que a tristeza pela perda do casamento seja intensa ou até insuportável, não permitindo uma separação mesmo que os problemas conjugais sejam vários, até pelo medo de ficar só.

 

Geralmente a separação é mais comum entre casais que se uniram na adolescência ou entre membros de diferentes ní­veis sócio-econí´micos e culturais. Também pessoas cujos pais eram separados têm maior tendência a resolver um problema conjugal optando pelo divórcio. Outra experiência provocadora de tensíµes no casamento é a paternidade, fazendo com que o parceiro sinta menos prazer com o outro após o nascimento de filhos, passando a buscar no filho sua completude. Na meia idade (40 a 60 anos) 60% dos homens e 40% das mulheres tiveram pelo menos um encontro extraconjugal (segundo dados americanos). A maioria desses acontecimentos é mantida em segredo, mas a sua revelação raramente se transforma em causa suficiente para a separação. Muitas vezes, contudo, a relação extraconjugal sinaliza insatisfaçíµes prévias dentro do casamento, de um ou de ambos os parceiros, e não necessariamente apenas insatisfaçíµes sexuais.  

 

 Inúmeras e praticamente incontáveis podem ser as razíµes objetivas e práticas de separaçíµes. As pessoas que se separam podem atribuir a perda do amor, a presença de um relacionamento extraconjugal, o esfriamento sexual, as brigas constantes, a interferência dos sogros, a falta de dedicação ao casamento, e tantos outros que propiciam um desajuste conjugal. Além disso, muitas pessoas podem sentir necessidade de tratamento durante ou após a separação, justamente pela perda que esta envolve, ou pelas modificaçíµes de vida decorrentes da mesma. Em outros casos, o casamento poderá se manter caso a dupla consiga mudar sua posição e atitude para e a partir dai, obtendo uma nova relação mais ajustada e saudável.


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