Viajando de bicicleta por longa distãncia: adrenalina e aventura com Torres no caminho

11 de dezembro de 2010

O cicloturismo cresce e nossa cidade passa a ser roteiro

 de muitos viajantes sobre duas rodas

 

Por Marlene Grings

   

Viajar de bicicleta é possí­vel e até mesmo comum. Viajar longas distâncias inclusive. Uns viajam de bicicleta por estilo, opção de vida, aventura, desafio. Outros por ser uma opção de viajar com poucos recursos financeiros. Mas o certo é que cada vez mais encontramos pessoas viajando de bicicleta.    

E Torres é cidade de passagem de muitos que optam por conhecer o Brasil ou o mundo viajando de bicicleta. Mas também tem sido procurada por turistas que buscam roteiros curtos, com passeios de bicicleta apenas para contemplação da natureza.    

Mas os viajantes de longas distâncias é que experimentam a liberdade, podendo viajar no seu ritmo, conforme suas condiçíµes fí­sicas, conhecendo de perto as pessoas e lugares ao longo do caminho. As dificuldades são muitas, os perigos também. O planejamento da viagem minimiza os problemas e a superação das dificuldades de cada dia representa uma rica experiência de vida.

   

Planejamento e meta facilitam a viagem

   

Na semana passada, Torres recebeu um desses apaixonados por bicicleta. O chileno César Altamirano, 34 anos, jornalista especializado em música. Ele está conhecendo a América Latina de bicicleta, a garota La Fuser, como a chama, em homenagem a Che Guevara. Ele saiu do Chile com meta de chegar ao México. Já passou pela Argentina e Uruguai e agora atravessa o Brasil.    

Vai sem pressa, pois não definiu prazos, mas calcula que em meados de 2011 chegue ao México, onde encontrará amigos, pretende voltar para a universidade e trabalhar. A viagem foi preparada por um ano antes de colocar o pé na estrada.    

Para facilitar sua vida de viajante, ele importou dos Estados Unidos uma mochila com sistema solar para carregar bateria de celular, ipod e máquina fotográfica. Também se inscreveu num site da internet que cadastra pessoas ao redor do mundo que hospedam gratuitamente viajantes por poucos dias. Através desse site conseguiu hospedagem em Torres, na casa da amiga   Carla Patrí­cia Horn. Ela disponibiliza, conforme contatos anteriores, o andar térreo aos amigos internacionais cadastrados no site, onde tudo fica registrado.    

Mas na maioria das vezes, César pernoita na sua barraca, em área de postos de gasolina, embaixo de árvores na beira da estrada ou dorme em casas abandonadas e até em guaritas í  beira-mar. Leva na bagagem 60 Kg de material básico. Quando está na estrada pedala por cerca de 60 quilí´metros por dia. No caminho vai encontrando solidariedade. Recebe comida e até dinheiro. As cidades pequenas são mais hospitaleiras, comentou.

   

Viajando com poucos recursos

   

Em Torres, por casualidade, o jornalista encontrou outro viajante de bicicleta que veio do Chile. Juan Francisco Villa estava procurando hospedagem quando sua bandeira chilena foi reconhecida por César. Assim, Francisco conseguiu hospedagem solidária na mesma casa que abrigava César.    

César sonhava desde pequeno viajar de bicicleta e planejou, marcando, inclusive, sua trajetória num mapa. Mas Francisco, 43 anos, que é ex-policial, especialista em resgate e segurança privada, definiu tudo em cinco dias. Saiu do Chile em cima de uma magrela com apenas 20 dólares no bolso rumo ao Brasil.    

Até a Argentina conseguiu hospedagem em albergues da Polí­cia, depois montava sua barraca í  beira da estrada, onde também cozinhava sua alimentação. Com pressa e bom preparo fí­sico, pedalava mais de 100 km por dia. Em 19 dias chegou a Torres.    

Morou em vários paí­ses, entre eles os Estados Unidos, onde atuou como resgatista na queda das Torres Gêmeas. Fala inglês e um pouco de francês. Voltou ao Chile, mas é cidadão do mundo. Decidiu buscar vida nova no Brasil, pensando em se fixar em Florianópolis ou Curitiba. A única coisa certa é que quer trabalhar e construir famí­lia. Gostou de Torres e por aqui está permanecendo.

   Dois exemplos de que o sonho de viajar pelo mundo não custa tão caro “ pelo menos sob duas rodas.  


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