Os 203 anos de Saint-Hilaire nas Torres – 05 a 07 de junho de 1820

Ao tempo de sua passagem nas Torres, o Rio Grande do Sul não era Província, mas a Capitania do Rio Grande de São Pedro. O período colonial português se findava dando lugar ao imperial que viria a acontecer a partir de 1822.

Auguste François César Prouvençal de Saint-Hilaire (1779-1853) – Imagem de Prefeitura de Rio Pardo
6 de junho de 2023

Ao tempo de sua passagem nas Torres, o Rio Grande do Sul não era Província, mas a Capitania do Rio Grande de São Pedro. O período colonial português se findava dando lugar ao imperial que viria a acontecer a partir de 1822.

Conforme diário de viagem de Saint-Hilaire (botânico, naturalista e viajante francês, que fez muitas pesquisas e importantes observações na época em que visitou o Brasil, mais de 200 anos atrás) na chegada vindo do norte, passou primeiro por uma obra em andamento que identificou como a construção de uma igreja, que segundo deixou escrito “dont il n’existe encore que la charpente”¹, ou seja, “dos quais ainda existe apenas o quadro”. Referia-se as fundações que viriam a suportar mais tarde as paredes e telhado da futura capela, que se constituiu ao lado da residência do Alferes e sua família, dentro de seu sítio, os quais estavam nas Torres desde 1801 quando foi transferido de Santa Maria da Boca do Monte. A casinha do Alferes e sua família veio a se tornar – por sua precedência histórica – a Casa Nº1 do núcleo urbano, quando da organização da vila por volta de 1900. Existe até hoje tendo sido reformada várias vezes inclusive com a mudança da orientação do telhado.

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Após esse trajeto informa que já na “maison” – residência – do Alferes apresentou os seus papeis e credenciais, “sendo muito bem recebido e hospedado numa pequena casa, onde ficou sozinho e de onde se avistava o lago¹” [Lagoa das Torres, hoje do Violão].

Destaca que na construção da futura capelinha foram empregados “prisioneiros tomados de Artigas todos índios exceto um e com traços de sangue espanhol”¹  , ou seja, escravizados aos quais foi dada apenas uma opção para poder continuando a viver.

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Fazendo um exercício crítico ele usou uma denominação muito branda ao se referir aos “tomados de Artigas”. Após vencidos em batalha se tornaram “escravos” dos vencedores sendo a partir de então submetidos a trabalhos forçados muito longe de suas origens. Essa foi umas formas clássicas de obtenção de escravos – seja qual for a cor de pele – desde sempre assim nos legou a História.

Saint-Hilaire chegou dia 05 em Torres e descansou. Pesquisou no local o dia 06 inteiro e no dia 07 se deslocou para “Itapera”.

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Curiosidade: O Alferes Manoel Ferreira Porto, que recebeu Saint-Hilaire nessa ocasião, veio a falecer exatamente no mesmo dia e mês (05 de junho) da chegada do pesquisador, oito anos após este encontro em 1828, sendo sepultado no Cemitério da “Capella de São Domingos das Torres”².

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Fontes:

1- SAINT-HILAIRE, A. D. Voyage Rio-Grande do Sul (Brésil). Paris: Orléans, 1887;

2- LOPES, D. C. O Detetive do passado e sua viagem além-mar. 1ª. ed. Brasília – DF: Autor, 2015.

 

*Presidente em exercício do Centro de Estudos Históricos de Torres e Região – CEHTR

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Publicado em: Cultura






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