O último verão do Rio Grande do Sul vai ficar marcado por temperaturas acima da média, três ondas de calor e pouca chuva. Sob esta condição mais uma vez extrema, agricultoras e agricultores do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia experimentaram semear crotalária, milheto, feijão de porco, mucuna e girassol para proteger a vida do solo. As sementes, 865 quilos, foram doadas por meio do Projeto Reconstrução Agroecológica no Sul do Brasil, pensado pelo Centro Ecológico com apoio do Fundo de Agroecologia, após as chuvas de maio e junho de 2024.
“A gente semeou dentro dos figos (pomar de figos) e de umas áreas de bananeiras que temos aqui perto de casa. Elas cresceram, daí o Jairo (da Rosa) roçou. Ficou uma camada bem boa de matéria orgânica”, relatou, no final de março, Nara Martins, do grupo Eco das Torres. O milheto não cresceu, conforme a agricultora, por causa do clima chuvoso do mês em que foi semeado no ano passado. Já a crotalária se desenvolveu bem na propriedade na Vila João XXIII, em Torres.
Em Santo Antônio da Patrulha, Jorge da Silva, da Agrisap, observou que as plantas de dois tipos de crotalária e o milheto foram as que mais se adaptaram ao calor e à seca. O girassol também nasceu, mas mais ralo. Na propriedade de Teresinha Spitznagel dos Santos, o primeiro plantio atravessou justamente a primeira onda de calor, entre 17 e 23 de janeiro, e acabou não dando certo. No final de março, apesar do tempo continuar seco, a agricultora viu que as plantas, semeadas num declive, estavam se mantendo melhor. O local do plantio foi escolhido para prevenir a erosão provocada por chuvas intensas como as do ano passado, que arrancaram até os pés de aipim.
Adubação verde e trapoeraba
Além das sementes de adubação verde, Ricardo Gonçalves Behenck e Simone Coelho Behenck, do Grupo Chapada dos Mesquitas, de Três Cachoeiras, está usando diversos tipos de trapoeraba para manter o solo coberto. “Tem que ser uma terra um pouquinho mais forte pra ele (a trapoeraba) vir. A terra está ficando bem escura, no sol ela funciona bem, nesses calorão aí ela segura bastante a umidade na terra. A gente viu que ela ajuda bastante em relação ao panamá (mal- do- panamá), tá ajudando bastante”, explicou Ricardo.
Núcleo agroecológico
Formado por 285 famílias organizadas em 46 grupos de agricultura ecológica em 13 municípios do Litoral Norte, o Litoral Solidário é um dos 34 núcleos da Rede Ecovida de Agroecologia. É por meio de seus núcleos regionais em 412 municípios, no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, que a Rede Ecovida busca promover o desenvolvimento da agroecologia como proposta de viabilidade econômica e social para a agricultura familiar.