A questão da Casa de Passagem e das Pessoas em Situação de Rua de Torres mais uma vez entrou em debate na sessão da Câmara Municipal de Torres desta segunda-feira (06). E em meio a diversos argumentos nos posicionamentos, percebeu-se que muitos dos vereadores (talvez a maioria) posiciona-se contra o formato atual das ações de acompanhamento e acolhimento às pessoas em situação de Rua na cidade (incluindo a Casa de Passagem).
Dentre vários assuntos abordados na última sessão ordinária, o vereador Zé Milanez (PL) citou que casinhas de Guarda-vidas não utilizadas estariam virando morada improvisada para indivíduos errantes na cidade. E sobre pessoas em situação de rua, ele lamentou que “só se falam nos direitos e não se cobram os deveres” dessas pessoas, que estariam cada dia mais “estorvando” a sociedade local. A seguir, Milanez citou o caso do município de Bento Gonçalves acerca do mesmo tema, indicando que o prefeito atual de lá conseguiu ‘mandar embora’ pelo menos os “aproveitadores” – após verificar a biografia e ficha criminal destes.
Caso de violência e Cracolândia
Rafael Silveira (PSDB) foi mais uma vez pragmático, e iniciou contando sobre um caso que teria acontecido naquela mesma segunda (06) em Torres, quando uma pessoa dita em situação de rua teria tentado atacar uma trabalhadora com uma tesoura (sendo que acabou preso pela Brigada Militar). O vereador afirmou que há, dentre as pessoas em situação de rua na cidade, muitas que já recebem algum benefício social do governo, e por isso não querem trabalhar ou sair da rua. “Já está ganhando, tem onde ficar e preferem a vida deste jeito”. Citou ainda sua preocupação com ponto próximo da própria Câmara – na Av. do Riacho com a Castelo Branco – que, conforme disse, “estaria virando uma Cracolândia”. Salientou o visível aumento de andarilhos pela cidade e disse que, conforme dados repassados pela Brigada Militar local, a maioria dos furtos em Torres estão sendo cometidos por pessoas ditas em situação de rua.
Concluindo, Rafa Silveira disse que o acolhimento proposto pela Casa de Passagem (que, para ele, deveria ser transferido para ponto mais afastado da região central) fica muito abaixo do total de pessoas em situação de rua existente em Torres. “Precisamos de um novo cadastro (das pessoas em situação de rua), de novas políticas públicas, de abordadores, entender quais (pessoas) querem sair desta vida, quais querem ser internados”.
Rogerinho (PP), por sai vez, repetiu sua peremptória opinião – de que o governo municipal não deveria priorizar atender os casos de pessoas em situação de rua. “A população não quer a Casa de Passagem”, reclamou com veemência o vereador. A seguir, disse ter recebido ligações de pessoas que vivem próximo da Estrada do Mar e que não querem que o equipamento vá para lá, como sinaliza a prefeitura (Com a mais recente possibilidade sendo que a Casa de Passagem se transfira para o atual espaço da Casa de Acolhimento Estrela Guia – que em breve mudará de endereço). “Pessoas não aguentam mais a questão dos moradores de rua, querem é segurança”, encerrou Rogerinho.
Problema também na Vila São João e questão social
Deise Clezar (PSDB), também se posicionou. Disse que lamenta que na Vila São João (onde reside) já chegaram relatos sobre assaltos e abordagens violentas por algumas pessoas ditas em situação de rua. Conforme disse, esses também ficam utilizando drogas ‘a vista’ dos que passam.

Dilson Boaventura (MDB) líder do governo Delci Dimer na Câmara, afirmou que, embora seja pessoalmente contra a existência de programa de acolhimento as pessoas em situação de rua, pensa que se trata de um problema “de toda a sociedade”. Apesar de pensar que o certo seria a busca pelo trabalho, pela reinserção social destes indivíduos – ou tratamento para dependência química, se necessário – lembrou que são pessoas que têm “direito de ir e vir”, e que isso é algo que todos devemos, socialmente, respeitar. O vereador Dilson sugere que as forças de segurança, Executivo e legislativo torrense deveriam fazer uma reunião para buscar uma solução sobre o assunto.
“Assistencialismo barato” do governo federal, diz outro vereador
O vereador Gimi (PP) desabafou sobre o assunto. Após ter sido um dos articuladores pela saída da Casa de Passagem do primeiro endereço (na região Central) e crítico também ao atual imóvel (na Praia da Cal), em outras ocasiões, o parlamentar do PP afirmou que o problema se origina na “política do governo federal”, que busca o “assistencialismo barato e eleitoreiro” para exigir essas ações do município (em prol de pessoas em situação de rua).
Ainda sobre o assunto, o vereador Tenora (MDB) contou que ,certa vez ofereceu emprego a uma pessoa que pedia esmola e que, quando voltou, ele tinha sumido – ironizando assim sobre a falta de vontade para o trabalho. E sugeriu que as autoridades fizessem mais abordagens (com revistas) às pessoas em situação de rua de Torres, verificando com diligência a sua situação na polícia, porque acha que muitas pessoas que estão nas ruas tem registros criminais anteriores. (*editado por Guile Rocha)
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