O Eu dividido

15 de abril de 2010

 

Muito de nossas açíµes na vida são explicadas por motivaçíµes inconscientes, ou seja, por uma parte de nós a qual desconhecemos, que está oculta pelo mecanismo de defesa mental chamada de repressão. Quando ela é intensa, fruto de uma criação repressora, aonde tudo é feio e proibido, perdemos nossa autenticidade, espontaneidade, privando nos de exercer nossos     desejos, como parte do nosso eu, resultando no seu confinamento neste território pouco conhecido do inconsciente. São vontades, desejos, pensamentos, sentimentos que nossa consciência censuradora proí­be suas manifestaçíµes, pela critica moral severa. E não aceita por causa da repressão.  

  Por exemplo, se fico com raiva de meu irmão, e para minha consciência isto é inadmissí­vel moralmente, eu mesmo me censuro por isso, e reprimo este afeto para o inconsciente. Mas reprimi-lo não quer dizer que irá desaparecer este afeto, mas que poderá se manifestar por vias alternativas, como numa somatização no corpo, numa dor de cabeça, até em uma doença mais grave. Entra ai o papel das emoçíµes no adoecer fí­sico. Passamos então a ter um mundo interior dividido: uma parte dos nossos desejos se esconde de nós mesmos, porque os consideramos inaceitáveis. Tudo isso é fruto de uma domesticação que o homem teve de impor a si mesmo para viver em sociedades complexas.  

 Os impulsos agressivos estão entre os que mais tiveram de ser reprimidos. Caso contrário, a violência seria causadora da desagregação do grupo. Mas quando não são aceitos e expressados de maneira saudável, como parte da vida humana, eles poderão tornar-se intensos, pela repressão, e de uma hora para outra manifestarem-se brutalmente. Pois, não é saudável, do ponto de vista emocional, ter consciência para então contê-los, ou seja, eu sei que senti raiva de meu irmão, reprimir, e sim contê-los. Isto seria igual a manifestar minha queixa, o motivo pelo qual me aborreci, sem precisar agredi-lo. Ao passo que se reprimo, não tomo consciência deste afeto, e por qualquer razão banal, posterior, poderei ser grosseiro com ele, ou até violento, neste caso foi a gota d™água, como dizemos.

 Geralmente vivemos o conflito entre a luta da emoção, querendo se impor, e as regras ou proibiçíµes sociais querendo prevalecer. Então para onde vai tanta energia que não pode se expressar, sob pena de desorganizar toda a vida em sociedade? Muitas vezes, ela fica represada no inconsciente, tornando o indiví­duo empobrecido afetivamente, inibido, até mesmo no sentido produtivo, social.     Acabamos presenciando um efeito contrário da ordem e da vida civilizada, quando ela não é bem sucedida. Como efeito de uma repressão severa, podemos sofrer com o descontrole, ou seja, esta energia reprimida, poderá romper a barreira de repressão a ponto de causar estragos, podendo tomar várias saí­das. Por exemplo, uma delas seria a pessoa ter um surto emocional, um descontrole desproporcional a uma situação banal. Também poderá ter uma doença psicossomática, quando a emoção escoa pelo corpo. Ou poderá ainda desenvolver uma neurose como a fóbica que, neste caso, desenvolve um medo irracional por alguma coisa.  


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