Entrou nos ritos da Câmara Municipal de Torres, na sessão de segunda-feira (04 de maio), uma Indicação Parlamentar, de autoria do vereador Zé Milanez, que sugere formalmente que a prefeitura de Torres implemente, gradualmente, um programa de troca do sistema de distribuição de energia por rede subterrânea.
A proposta do vereador sugere que seja priorizada, inicialmente, a zona da Avenida Beira Mar (sendo que parte do calçadão na Praia Grande já conta, parcialmente, com fiação subterrânea).
O objetivo principal da proposta parlamentar – de sugestão para ação executiva (da Prefeitura de Torres) – cita a redução da poluição visual, o aumento da segurança geral e a valorização visual de área turística de destaque na cidade como pontos positivos desta indicação.
O gabinete de Zé Milanez sugere, ainda, que façam parte do projeto de implementação de rede subterrânea algumas etapas executivas, alguns objetivos secundários e ganhos adicionais com a implantação de redes subterrâneas – baseado em observações de programas similares em outros municípios (como regiões turísticas de Gramado).
Modernidade, mas com custos altos
Segundo consulta acerca do assunto, menos de 1% da malha elétrica no Brasil está ‘enterrada’, sendo essa tecnologia limitada a áreas nobres, centros históricos ou novos empreendimentos. “O alto custo de conversão faz com que a adoção em larga escala seja considerada inviável no curto prazo, defendendo-se o uso prioritário em regiões de alta densidade demográfica ou importância local”.
Os principais atributos positivos do sistema são:
Confiabilidade e Menos Apagões: A rede subterrânea é imune a quedas de árvores, ventos fortes, raios e colisões de veículos com postes, reduzindo significativamente as interrupções de energia.
Melhoria Estética e Valorização: A remoção dos postes e do emaranhado de fios elimina a poluição visual, melhorando a paisagem urbana, especialmente em centros históricos e áreas turísticas.
Segurança e Acessibilidade: Aumenta a segurança ao eliminar fios energizados baixos ou rompidos, além de liberar espaço nas calçadas para pedestres. Ainda, combate ao furto de energia, dificulta as ligações clandestinas (os “gatos”) e o roubo de cabos.
Menor Necessidade de Poda: Evita conflitos entre a fiação e a arborização urbana.
Em contrapartida, as dificuldades principais da implementação são:
Custo de Instalação: O custo de conversão é extremamente elevado, podendo ser até 10 vezes mais caro que a rede aérea, exigindo altos investimentos públicos ou repasse às tarifas.
Manutenção Complexa: Quando ocorre um defeito, a localização é mais difícil e o reparo é mais demorado do que na rede aérea.
Obras Intervencionistas: A instalação exige abertura de valas, movimentando o solo, o que acaba causando impacto no trânsito e no dia a dia da cidade, além da necessidade de adequação dos centros de medição nas residências.
Mapeamento Subterrâneo: Muitas cidades carecem de um mapeamento preciso de outras redes (água, esgoto, gás), o que complica a instalação.
Nos casos já implantados a sinalização indica que as prefeituras das cidades precisam atuar como agentes articuladores, se integrando às concessionárias de energia, telecomunicações e serviços de infraestrutura.







