Quando o protetor éo assassino

2 de abril de 2010

í‰ doloroso e revoltante em cada um de nós imaginar o suplí­cio de um ser inocente e puro na tenra idade vendo sua vida se esvair na mão daquele que deveria amá-la e protegê-la, no caso o pai ou a mãe. Filicí­dio é o termo usado para designar o assassinato de filhos cometidos pelos próprios pais. Mas crimes assim, dentro do próprio seio familiar, cometidos pelo próprio pai ou mãe que deveriam proteger a criança, não são cometidos por pessoas normais.  

O psiquiatra e médico legista do Instituto Médico-Legal Rui Fernando Cruz Sampaio afirma que, na grande maioria dos casos, os agressores têm uma personalidade antissocial: vêem a sociedade como um mal necessário… "Crimes familiares, diz o psiquiatra, são cometidos por banalidades e raramente são premeditados. O estopim pode ser o sofrimento e a motivação é o impulso de se livrar de um problema. Todos esses fatores agregados í  violência fí­sica, psicológica e, algumas vezes, sexual, são o gatilho para o desfecho violento.  

Quando se fala em filicí­dio (mãe/pai que provoca a morte do filho) está se falando em comportamento psicopatológico, ou seja, existe sempre um quadro mental por trás da motivação. O "curto-circuito mental" que leva a uma ação primitiva não ocorre com qualquer pessoa. "í‰ preciso uma predisposição", ou seja, o indiví­duo tem um uma personalidade psicopática, demonstrando frieza afetiva, ausência de culpa e juí­zo moral.  

Aparentemente podem dissimular serem sociáveis, trabalham, têm amigos, famí­lia. Mas, no í­ntimo, têm comportamentos desviados que outras pessoas não apresentariam e, num momento de estresse ou ansiedade, podem cometer crimes dos mais hediondos.  

O casal Nardoni, por exemplo, aparentemente levava uma vida normal, ambos cursaram faculdades, vindos de uma famí­lia de classe média, constituí­ram famí­lia, mas nesse micro universo deles havia certos ingredientes de desagregação familiar. Um histórico de rompantes e agressíµes, personalidades explosivas, ciumenta, possessiva e que não admitia contrariedades e a presença de um terceiro elemento, uma criança inocente entre eles, que faltamente tornou-se mais uma ví­tima de filicí­dio.

 Por fim, a sociedade demonstrou sua sede por justiça como se vingasse a morte atroz de tantas outras crianças inocentes da nossa pátria mãe gentil!  


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