Moradores torrenses do entorno da BR 101 correm riscos diários de vida

13 de agosto de 2010

 

Esta é a visão de um morador do Campo Bonito antes de
 atravessar a via e ter de, inclusive, pular o muro
 que divide as duas mãos da estrada

 

O progresso sempre é bom para qualquer lugar. Ele notoriamente trás mais oportunidades de emprego e melhorias da qualidade de vida para as pessoas que recebem este belo impacto de vizinhança. Mas existem mazelas enraizadas no Brasil que poderiam ser evitadas. Eles obrigam que comunidades inteiras passem um, dois, três e até quatro anos correndo risco de vida por conta de obras de melhorias públicas que não levam junto a elas cuidados básicos e consideraçíµes básicas para com as pessoas, que são iguais í s outras e consequentemente não têm a obrigação de pagar com o risco de vida uma melhoria em suas comunidades, como se fosse um pedágio dos homens públicos para com elas. í‰ o que está acontecendo na BR 101, na saudável e necessária duplicação da rodovia. Moradores do entorno da estrada estão já há mais de quatro anos sofrendo com as obras e atualmente a situação de tornou crí­tica.      

A estrada passa no meio de várias comunidades da cidade de Torres e de outras. Aqui no municí­pio, corta os bairros Vila São João e Campo Bonito.     Na Vila, atualmente as mazelas são mais de estrutura fí­sica das vias de acesso, o que atrapalha mais o funcionamento normal do comércio, pois as obras de duplicação da BR 101 elencaram um viaduto que passa por cima da Vila. Mas no Campo Bonito a questão é de Segurança Pública. Crianças que moram em um lado da estrada e precisam realizar atividades corriqueiras no outro lado da BR, já duplicada, (embora ainda em obras), por exemplo, ir í  Escola, voltar í  Escola í  tarde, visitar um parente, dentro outras, correm várias vezes ao dia risco de morrerem atropeladas. í‰ que a duplicação não pressupí´s esta possibilidade, e não foram construí­das passarelas, pelo menos até agora. E as crianças, os idosos, as pessoas em geral, para cruzar a via expressa, além de terem que fazer por duas vezes, sem faixa de segurança ou sinaleira, necessitam também pular a mureta do centro que divide as duas faixas de mão única da BR. Basta uma desatenção ou um tombo, por conta do pulo da mureta, que os transeuntes podem, de uma hora para a outra, se verem caí­dos no centro de uma estrada onde passam caminhíµes pesados com velocidades em torno de 100 KM/H.

 

   Uma famí­lia bem servida escapa do

 transtorno parcialmente

   

A FOLHA foi ao local (bairro Campo Bonito) verificar a mazela denunciada por vários vereadores na última sessão da Câmara Municipal realizada a segunda-feira (9), principalmente pelos vereadores George Rech (PTB) e Rogerinho (PP). Lá, a reportagem abordou uma famí­lia que reside no lado da BR que fica voltado na direção da Lagoa do Jacaré. Naquela parte do bairro, existe uma vila com várias casas além das outras várias que povoam a margem da BR.  

 

Encontramos a famí­lia Monteiro. Na mesma casa residem três geraçíµes da mesma famí­lia. A pessoa mais preocupada com os riscos da BR é dona Dirce. Ela é avó de Wesley, um pré- adolescente de em torno de 11 anos que lá habita, lá estuda e faz sua maioria de atividades de lazer. Acontece que a escola pública do Campo Bonito se encontra no outro lado da BR. A bela e nova escola pública municipal, que está sendo construí­da na comunidade pela prefeitura, é mais longe da estrada, mas também fica do lado da BR voltado para o centro de Torres, o lado contrário da famí­lia Monteiro. Portanto, o jovem Wesley necessita atravessar no mí­nimo duas vezes ao dia a estrada duplicada, e ainda ter de pular o muro central. Então, a famí­lia (que neste caso é privilegiada por ter automóvel) se obriga a entrar em ação. O pai de Wesley, que trabalha como chapeador no centro de Torres, leva o filho todos os dias na entrada da escola, e a mãe, que é comerciante na beira da faixa, tem de fechar seu comércio para ir buscar o filho na saí­da da aula, e correr também o risco de ser atropelada, pois mesmo para adultos o local chega a ser hostil. E os que não têm carro?

 

A avó da famí­lia também lembra que é necessário atravessar a BR para outras coisas. Os estabelecimentos comerciais e prestadores de serviço locais se encontram também no lado oposto da via, e mais riscos têm de ser tomados pelos moradores do local. Dona Dirce disse que nestes dias ligou para a rádio Maristela quando o prefeito João Alberto estava no ar, em uma entrevista, e não conseguiu receber uma resposta do mesmo sobre o assunto. Nós da redação de A FOLHA explicamos que a responsabilidade da duplicação da BR 101 é do governo federal e que as autoridades municipais muito pouco podem fazer, a não ser a cobrança das obras das autoridades nacionais.

   

Prioridade invertida

   

A FOLHA fez uma pesquisa sobre as obras de duplicação da BR 101 e chegou í  conclusão que estão previstas passarelas para viabilizar a travessia de pedestres em áreas onde possuem vilas como em Torres. Mas a notí­cia ruim é que nas prioridades de conclusão das obras de duplicação no Estado do RS, o término da via de rolagem de automóveis está na frente da construção das chamadas vias paralelas, que serão ruas de acesso de pedestres nos locais com habitação intensa como o bairro Campo Bonito, e as necessárias passarelas ficam para depois. No Campo Bonito, incrivelmente, se vê claras inversíµes de prioridades. Lá, a calçada no entorno das casas na beira da estrada (muito bem feita) está sendo oferecida pelo orçamento da duplicação da BR 101, mas a passarela, que é uma questão de segurança, sequer existe local para ser construí­da.  

 Cabe í s comunidades continuarem pressionando, pois se trata da única chance de obterem o adiantamento da construção das necessárias passarelas e fugirem dos crescentes riscos de vida que correm. E cabe í s autoridades federais, ou representantes da região em Brasí­lia, que busquem uma alteração da lei de duplicação de estradas, que obrigue a construção de passarelas mesmo antes do iní­cio das obras. Não há necessidade de milhares de pessoas pelo paí­s afora correrem os riscos por simplesmente não haver a obrigação da construção de um equipamento necessário e previsto, antes do iní­cio dos estorvos que uma obra trás a uma comunidade. Não teriam riscos caso as passarelas fossem construí­das no iní­cio.          

 


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