A D R E N A L I N A ! – (FALíCIA TRíGICA)

20 de agosto de 2010

                             

Em janeiro deste ano, abordamos o assunto n™A FOLHA, numa espécie de despedida funéria, da moçada que vem para o litoral no Verão do Sulão. Bebem todas, comem todas; depois entram no mar, para não mais voltar… Faltou lembrar a trágica rotina simultânea: o trânsito. Para ser adequadamente sarcástico, estamos falando do auto, como instrumento tânico de auto-destruição. Esta ilação está clara nos ensinamentos do professor Mira y López. Na versão de janeiro, apelamos para as metáforas, na esperança de obter alguns surtos de bom-senso, quase impossí­vel num universo cruelmente insano.    

                      Focamos a substância de nome sonoro Adrenalina, vinculada inocentemente a eventos ao mesmo tempo glamurosos e trágicos. Intrigado com as intrigas (a redundância é de gosto), o sagaz autor resolveu procurar   explicação para a ligação adrenalina-esportes radicais. Acabamos monitorando que ela carrega nas costas (molécula) 9 átomos de carbono, 13 de hidrogênio, 3 de oxigênio e 1 de nitrogênio (C9H13O3N). Tem nome especí­fico e várias serventias como remédio. Foi sintetizada como Epinefrina ou Suprarrenina. Aplicada aos humanóides, aumenta a pressão sanguinea, fortalece a pulsação cardí­aca; e ainda regula a quantidade de açúcar no sangue. Age direto sobre as glândulas supra-renais. Uma vez ingerida, fica fácil invocar, com todo glamour, aquele deus grego da morte, o Thanatos. Recém   viramos o semestre, e as estatí­sticas trágicas nos obrigam a voltar ao tema.

   

900   CRUZES   MAIS   UMA

   

                      Imaginemos os 900 quilí´metros da costa atlântica gaúcha, balizados cada um, com uma cruz. Da barra do Chui í  foz do Mampituba em Torres. Ainda sobraria uma cruz, para o Passo de Torres, do lado catarino. Safra recorde das funerárias. O trânsito, esta coisa etérea, matou até agora, 1.000 pessoas, como se ele, trânsito fosse o agente ativo de tamanho desatino.  

                      Este tipo de projeção está arraigado nos nossos usos e costumes. São cacoetes simplistas, assumidos pela mí­dia. Vide o besteirol que rola sobre a maltratada Estrada do Mar. Começam chamando de açudes, as áreas de empréstimo inundadas; românticos lagos marginais que tornam a viagem tranquila. Outra vitima é a BR-386 , chamada estrada da morte. Em Pindorama, um paí­s sem lei e sem grey, imperam a desobediência e a imprudência das pessoas, desarticuladas da infra-estrutura em uso.      

                      Vamos encerrar, ressaltando a senhora Adrenalina como medicamento. Não há qualquer predicado de dela, que a associe ao Demo, personificação do Coisa-Ruim. Nos esportes-radicais, Hospí­cio e Circo se confundem. í‰ nesta arena, que a juventude atual exercita sua compulsão pela finitude precoce.              

        grlacerd@terra.com.br


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