EDITORIAL – Onde estáa liberdade?
10 de setembro de 2010
Em época de campanha para presidente do país e em meio í s quebras de sigilos demonstradas na campanha federal e na Estadual do Rio Grande do Sul, há de se questionar o respeito a mais sagrada lei que move qualquer democracia: a liberdade do povo. Qualquer pessoa um pouco mais esclarecida pode imaginar que a intromissão de autoridades nas vidas de nós, simples viventes, seria imensurável, pois se aparecem quebras de sigilo de presidenciáveis e familiares e de outros políticos, em plena campanha eleitora, deduz-se que nossas vidas são facilmente devassadas diariamente por muitas e muitas pessoas. E devassadas por pessoas que são empregadas da população, pois cumprem mandatos políticos ou de serviço púbico pagos pelo árduo e estressante trabalho da mesma população, que é espionada sem escrúpulos.
A reação de todos os políticos e detentores de cargos públicos, inclusive do atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, é sempre a mesma. Debitam os erros í s instituiçíµes, mesmo sendo estas instituiçíµes ligadas hierarquicamente ao seu governo, quando estão no poder. Já a oposição se agarra ao tema como se o caso fosse um atentado político. Mas os funcionários que fazem as falcratuas ficam ilesos. Incrivelmente, os partidos que estão no poder não têm coragem de aplicarem puniçíµes exemplares aos contraventores penais e aos seus chefes, como se as contravençíµes fossem normais. E a oposição sequer cita a possibilidade de punição exemplar aos funcionários públicos envolvidos na falcratuas e seus chefes. Culpam somente os cargos políticos pela errança. E nós, simples viventes? Onde ficamos nesta verdadeira festa que o Estado faz com nossa intimidade? Isto mostra que, por baixo dos panos, o poder dado por nós aos políticos abre a possibilidade que eles, indiscriminadamente, invadam nosso sagrado espaço privado.
Infelizmente o jogo de poder que envolve um orçamento anual de 40% do PIB dos brasileiros acaba sempre caindo em jogadas veladas e criminosas, de ambos os lados. A ganância de dirigir orçamentos bilionários e ministérios ou secretaria que agrupam milhares de pessoas, um carrossel de emprego publico, faz com que os brasileiros assistam de cadeira que os donos do poder tenham chance de tratar seu povo como um Big Brother, vasculhando nossa intimidade. E incrivelmente acaba votando no brother que foge com mais expertise das acusaçíµes, ao invés de execrar o ato como um todo, o que seria normal em um ambiente onde as pessoas soubessem o verdadeiro conceito de democracia e de liberdade de ir e vir.
Um destes candidatos ao poder ironizou o fato dizendo que não se preocupava como dossiês, pois o eleitor dele não saberia o que significava isto. Brincando, disse que se trataria para seus eleitores de algo parecido com algum doce… Mas a democracia no Brasil está ameaçada. Não por um partido investigar o outro partido por eventuais falcratuas, ou um político investigar a vida pregressa de outro para colocar o caso em jogo na briga pelo poder: Isto se trata de política pura. Mas a democracia está em jogo pela facilidade que simples funcionários públicos têm em acessar sem ordem judicial a vida de qualquer brasileiro.


