A redoma de vidro pode quebrar!

17 de setembro de 2010

Comumente, grande número de pais acredita que a super proteção é demonstração de amor e carinho, mas que na realidade poderá ser muito nocivo, travando o processo de desenvolvimento emocional da criança e do adolescente.  Encontramos, por parte desses pais, uma "dominação asfixiante" e, ao mesmo tempo, um comportamento em que falta firmeza ou controle, mas repleto de agrados e/ou mimos; o que não deixa de ser uma espécie de dominação, submissão infantil por meio de verdadeiros subornos, barganhas, sedução, desprezando as reais necessidades psicológicas do filho.  

 Os pais super protetores resguardam excessivamente seus filhos e os afastam, desde a mais tenra idade, de todos os supostos perigos, muitas vezes irreias e imaginados, impossibilitando que eles desenvolvam por conta própria sua defesa existencial. Ao invés de protegê-los,   estão   despreparando-os   para a vida, tornando-os indefesos e amedrontados. Colocam-se em guarda para defender sua prole das experiências evolutivas necessárias para o crescimento emocional, acreditando que sejam tribulaçíµes ou sofrimento desnecessários, e, com essa atitude, impedem que as vivências naturais possam promover uma série de aprendizados. São permissivos a qualquer teimosia ou capricho, porque muitas vezes não suportam que a criança sinta raiva e fique braba, o que é inerente í  relação pais e filhos. Impossibilitados de negar seja o que for, alegam que os filhos exercem um fascí­nio, um domí­nio afetivo ao qual não podem resistir, ou seja, passam uma idéia para a criança que ela é mais forte, poderosa, e que sua vontade manda no mundo. Na verdade estão criando um terrorzinho.    

 Quando uma mãe aponta, sistematicamente, os defeitos de educação no filho da vizinha, por exemplo, pode haver aí­ um "ponto cego", ou seja, ela ignora ou não consegue ver as falhas educacionais do próprio filho e projeta seu desconforto materno para algo ou alguém. Desta maneira, o resultado futuro desta criação será um adulto frágil, inseguro e infantilizado. Enfim, abortam a capacidade imprescindí­vel para se viver em sociedade, trabalhar, amar, ser feliz. Muitos pais sentem necessidade ilimitada de satisfazer todos os desejos dos filhos, sempre os desculpando, como se fosse uma maneira de resgatar sua dí­vida de afeto. Dentre alguns comportamentos tí­picos de super proteção:

 

– relação pegajosa e maçante com a criança, sempre ao lado dela, vigiando-a incansavelmente, controlando-lhe todos os movimentos com o olhar;    

– criação de uma atmosfera de bloqueio ao amadurecimento da criança, revelada pelo tratamento inadequado, como se ela fosse mais infantil do que na verdade é;    

– esforço sobrenatural para que os filhos não saiam do ambiente familiar, impedindo-os de se desenvolverem socialmente e sendo responsáveis,   pela incapacidade que os mesmos terão para se auto governar e pela eterna dependência emocional;    

– pensamentos catastróficos que geram uma submissão neurótica nos filhos, deixando-os inseguros e medrosos além dos limites do aceitável;

    – atitude de culpabilidade e vitimização, transmitidos por meio de frases do tipo: "Quase morri em seu parto"; "Sacrifiquei toda minha juventude", "Deveria ser grato, porque me mato por você"; "Passei muitas noites em claro", "Sempre tudo primeiro em seu favor".  As crianças precisam de elogios verdadeiros e não de supervalorização; necessitam de afetos reais, e nunca de carinhos excessivamente pegajosos. O verdadeiro amor não é exatamente o ter tudo.


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