EDITORIAL – Elites de toga?

24 de setembro de 2010

 

Mais uma vez entra-se nas vésperas da campanha eleitoral no Brasil para presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais, e o Supremo Tribunal Federal mais uma vez também entra na mesma reta final do certame eletivo julgando a legalidade da chamada Lei das Fichas Sujas, que afinal, após aprovada na Câmara Federal e no Senado Federal, proí­be que polí­ticos concorram a cargos públicos quando já foram condenados por alguma improbidade em mandatos anteriores ou em casos de contravençíµes penais julgadas.  Mais uma vez, portanto, temas polêmicos e que denigrem ou não imagem de polí­ticos vão í  cabo em época eleitoral, como se os membros do poder judiciário da nação necessitassem aparecer nas câmaras para que o Brasil tivesse o privilégio de passar por um pleito com as regras do jogo definidas, mesmo em pleno jogo andando. Trata-se de uma temeridade para o sistema democrático brasileiro, que além de possuir uma constituição recheada de ambigí¼idades, passa a ameaçar a possibilidades de cidadãos se fazerem representar no âmbito polí­tico nacional.   í‰ como colocar sistêmica e insistentemente obstáculos obscuros na frente dos ainda incultos eleitores brasileiros, confundindo a tudo e a todos e denegrindo ainda mais a imagem da polí­tica nacional em todas as esferas, polí­tica esta que gerencia mais de metade da produção dos cidadãos nacionais,   cobrado através de pesados impostos repassados aos preços abusivos praticados na nação.  

Na eleição do ano de 2006, portanto há quatro anos, a questão da chamada Cláusula de Barreira também entrou em pauta justamente na reta final do pleito que se realizava para as mesmas candidaturas. Partidos, chamados de aníµes pela sociedade corriam o risco de serem retirados deles direitos adquiridos pelas regras eleitorais do Brasil, caso não chegassem a um determinado percentual de participação na votação do paí­s. Partidos tradicionais do Brasil correram atrás de eleitores mendigando votos somente para se manter no jogo, o que certamente prejudicou sobremaneira a dedicação especí­fica das siglas para com as efetivas candidaturas. E prejudicou também a imagem das agremiaçíµes polí­ticas por serem chamadas de uma forma generalizada pela mí­dia de nanicas™. Quem vota em nanico? No final, após ser realizado o pleito, o Supremo julgou a matéria inconstitucional e tudo voltou como antes era. E qual a recompensa que esta confusão concedeu aos partidos chamados vulgarmente de nanicos?  

O Brasil já possui uma legislação que urge ser modernizada. Assassinos são soltos por conta de brechas no Código de Execuçíµes Penais por um lado; cidadãos podem ser processados até por outro par seu de cidadania achar que o mesmo olhou para ele a achou que ele era gay, por exemplo. Os juí­zes de todas as comarcas e os promotores públicos convivem diariamente com estas hilárias situaçíµes de antagonismo.  

As únicas oportunidades democráticas que os cidadãos possuem para mudar algo em sua nação, no seu Estado Federativo ou no seu Municí­pio, as eleiçíµes, agora insistem em mudar as regras em cima do pleito, parece que para confundir a todos e deixar o barco andar. Deixar andar um Estado altamente dispendioso e manter, por confundir os eleitores, o marasmo do estabelecido.  

 Chamam em geral as elites de uma sociedade as pessoas que são mais abastadas financeiramente. E atualmente esta elite é claramente ocupada por funcionários públicos e polí­ticos federais, Estaduais e Municipais das cúpulas dos poderes executivos, legislativos e judiciário do paí­s, em todas as esferas. Quem sabe, então, esta morosidade e esta relatividade absoluta em se fazer a justiça na nação não é fruto de uma elite togada?


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