AUMENTO DOS MOLHES NORTE: Solução para assoreamento do Mampituba

Coluna semanal de Dani dos Santos Pereira em A FOLHA - Torres

Vista dos molhes de Passo de Torres e Torres, a partir do lado catarinense (FOTO em Prefeitura de Passo de Torres)
1 de abril de 2025
Dani Pereira

A atividade pesqueira da região de Torres e Passo de Torres depende inteiramente do aumento dos Molhes Norte da Barra do Rio Mampituba. Hoje, devido ao assoreamento constante da barra, as empresas que praticam a pesca descarregam suas embarcações em Laguna, onde o imposto é arrecadado. A intenção da Administração Municipal de Passo de Torres é fazer com que o pescado capturado no litoral local seja ali mesmo, em Passo de Torres, armazenado e posteriormente transportado via terrestre
Nossa barra é demasiado assoreada, apesar dos pedidos de dragagens que os profissionais da pesca e suas associações fazem há anos. Piora com a previsão de meses chuvosos chegando, o mau tempo e um período que pode fazer interdição da pesca durar meses, conforme os pescadores locais. Estes são alguns dos fatores que enquadram os vários acidentes, cujas embarcações naufragam na Barra do Mampituba.
“Segurança vai além do cumprimento dos procedimentos por parte dos pescadores. A segurança falta, e há muito, na própria Barra do Mampituba, o nome original da abertura dos molhes existente entre Torres/RS e Passo de Torres/SC”, defendem pescadores e representantes das Colonias de Pescadores. “Este infortúnio leva-nos a refletir sobre o estado de assoreamento da barra” dizem.
Numa barra que não seja dragada com regularidade, o perigo duplica ou triplica para as embarcações que a tentam usar, já que se formam baixios, onde os barcos podem prender, ao manobrar, principalmente com mau tempo, bastando uma onda mais forte para os virar. Até porque, assegura, os mestres das embarcações eles estão preparados para o mau tempo.
Assoreamento é um problema nacional. Os nossos governantes há muito tempo que deixaram de olhar para as barras e para os Portos de Pesca. Deixou de se fazer a manutenção a nível nacional e as coisas degradam-se cada vez mais. Antes, cada capitania tinha o seu batelão, para dragar, que fazia esse trabalho sempre que necessário.

“A BARRIGA DOS PESCADORES PRECISA É DE COMIDA” – Um representante do Ministério da Pesca disse que os pescadores devem ter prudência, evitar sair para o mar quando as condições não forem as ideais. Declarações que não caíram bem aos pescadores, que responderam dizendo, “nossa barriga precisa é de comida e governo não se compadece com a falta dela. O que não falta a nós pescadores é prudência”.
O presidente da Associação dos Pescadores de Passo de Torres, Adilson Machado, destacou que a dragagem, neste momento, não seria eficaz para resolver o problema, opinião compartilhada pelos demais participantes. Segundo ele, a solução definitiva seria o prolongamento dos Molhes Norte (no lado catarinense), proposta que já vem sendo discutida há anos, mas que ainda não foi concretizada. Como alternativa mais viável, Adilson sugeriu a construção de braços de pedra no lado do rio pertencente a Passo de Torres, o que direcionaria o fluxo da água para o sul, na direção de Torres, ajudando a manter o canal da barra desobstruído de forma contínua.
Segundo os pescadores, o banco de areia que se forma na saída do canal dificulta a navegação e provoca acidentes, alguns com vítimas fatais. Além disso, muitas vezes os mais de 50 barcos voltam da pescaria com carga pesada e não conseguem descarregar no porto local, tendo que se deslocar para outros portos mais distantes, como o de Laguna, também em Santa Catarina. Isso prejudica a economia e a arrecadação de impostos do município.
“Não pedimos nada de mais, alem do desassoreamento da barra, pois as coisas não têm estado fáceis, para nós trabalhadores da pesca”, confessou um pescador que não se identificou, referindo-se aos que convivem com medo de sair e entrar no canal. “As pessoas necessitam de ganhar o seu pão e, por vezes, colocando nossas vidas em risco. Ha tempos reclamamos junto aos governantes de ambos os lados do rio, em questão do aumento dos molhes e das dragagens permanentes, garantindo que esta é uma exigência que é feita há pelo menos 20 anos, mas que nunca foi atendida, mas quando acontece uma acidente, vem a lamentar mais uma vida ceifada’, disse.




Veja Também





Links Patrocinados