Dando sequência à ideia de criar um roteiro virtual com locais e personagens históricos da cidade, esta semana destacamos o acendedor de lampiões: Eloi Krás Borges.
Antes da implantação das linhas elétricas, a iluminação pública provinha de lampiões. No Brasil, apenas grandes centros urbanos contavam com o benefício, que exigia um profissional incumbido de acender diariamente as grandes lamparinas no alto dos postes; ele também era responsável por apagá-las pela manhã. Os lampiões eram acesos com longas varas, que tinham a ponta acesa, ou abaixando a lamparina para acendê-la e, em seguida, içando-a novamente ao topo do poste.
Aqui em Torres, existiam os lampiões nas ruas da cidade, e o acendedor era uma figura muito conhecida na comunidade. Elói Krás Borges residia na casa de número 838, na Rua Júlio de Castilhos (conhecida como “Rua de Baixo”), que futuramente se tornaria a antiga Casa de Cultura da cidade.
A colocação dos primeiros postes com lampiões na cidade foi autorizada pelo conselho municipal em 1897. No entanto, apenas em 1901 é que os tais postes foram erguidos. O intendente mandou colocar na rua principal da vila (Rua de Baixo, mais tarde Rua Júlio de Castilhos) seis lampiões a querosene. Com a instalação dos primeiros postes, a iluminação começou a se expandir pela cidade, que possuía poucas ruas na época. Em 1914, já havia doze postes, número que subiu para vinte e um em 1916.
A iluminação elétrica teve início em 1920, mas era restrita à temporada de janeiro a março, fornecida pelo balneário Picoral. No restante do ano, a cidade retornava à iluminação a querosene com lampiões. Em 1929, um contrato entre a intendência e o senhor Picoral garantiu a iluminação elétrica pública durante todo o ano. Essa parceria durou até o fechamento do Hotel Picoral em 1940, momento em que a prefeitura assumiu a responsabilidade e construiu sua própria usina. A partir desse momento, os postes de lampião remanescentes foram retirados, e o senhor Elói, funcionário da prefeitura, mudou de função até se aposentar.
A casa número 838, na calçada alta, pertenceu a Teodoro Pacheco de Freitas, irmão do Coronel Pacheco, o intendente que ficou mais de 25 anos não consecutivos como intendente da cidade. A casa, que mais tarde se tornou a moradia de Elói Krás Borges, também abrigou na década de 1940 a tipografia do jornal “Torrense” e, posteriormente em 1992, serviu como Casa de Cultura do município por alguns anos. Atualmente, o imóvel ainda se mantém de pé e razoavelmente conservado. Sabe-se que Elói, funcionário municipal, também foi proprietário de uma “Caieira” localizada ao pé da “Torre do Meio”. Essa caieira produzia cal, material utilizado na mistura com barro para a construção de muitas casas na “Rua de Baixo”, incluindo, muito provavelmente, a residência do próprio acendedor de lampiões.
A história de Elói Krás Borges e dos lampiões de Torres nos oferece um fascinante vislumbre do passado, revelando como a cidade evoluiu em sua busca por iluminação e progresso. Mais do que um simples acendedor de lampiões, Elói representa uma figura emblemática da vida comunitária da época, conectando-se não apenas à luz que banhava as ruas, mas também à própria construção da cidade através de sua caieira. Sua trajetória, e a da casa que habitou, são um testemunho vivo das transformações urbanas e sociais de Torres, convidando-nos a valorizar as raízes históricas que moldaram a cidade que conhecemos hoje.
Aqui estão duas sugestões de placas informativas que poderiam ilustrar a história nas ruas de Torres: uma em frente à casa número 838, indicando ser a residência do acendedor de lampiões; a outra no calçadão da Praia da Cal, marcando o local aproximado da caieira que produziu a cal daquela época.
