Pedalando de TORRES até a PATAGÔNIA: Uma jornada de autoconhecimento

Torrense cicloviajante, Felipe Araujo Santos (foto) parte de Torres iniciando uma nova aventura. O destino? Ushuaia. A cidade mais ao extremo sul da Argentina e do continente americano.

19 de julho de 2025

Com certeza você já ouviu esse ditado: “Não sei se caso ou se compro uma bicicleta”. Bom, foi mais ou menos essa a dúvida que Felipe teve poucos meses atrás, antes de tomar uma das decisões mais importantes de sua vida. Mas antes de explicar um pouco mais sobre esse caso, vale entender brevemente quem é Felipe e saber um pouco de sua história.

Nascido em Porto Alegre, Felipe se mudou com sua família para Torres ainda criança , nos anos 90, quando tinha 7 anos. Aos 16 retornou a capital, quando ingressou na universidade federal no curso de administração. Seguiu carreira no mercado imobiliário, cresceu de cargos e num determinado momento resolveu abrir a sua própria empresa, aos 27 anos. A empresa deu mais certo do que se esperava e, muito cedo, Felipe alcançou ganhos financeiros em níveis que jamais imaginava ganhar naquela velocidade. Mas ao chegar nesse tão almejado ponto, começou a questionar seu caminho de busca incessante pelo dinheiro e, num determinado momento, entendeu que precisava ficar um tempo afastado do sistema para olhar para dentro de si e entender mais sobre quem realmente era Felipe. Então, no final de 2019, largou sua empresa e um relacionamento promissor para iniciar uma viagem sabática sem prazo ou ponto final. Ficou 4 anos fazendo um mochilão pelo Brasil, de carona e dormindo em sua barraca. Basicamente em todo o período mais crítico da pandemia. No final de 2023, mudado e se conhecendo muito mais, retornou para Torres, entendendo que era hora de parar um pouco e estar mais perto da família. Uma nova experiencia de vida se apresentou ,e ele se tornou guia de ecoturismo em Praia Grande-SC e voltou a experimentar um pouco do estilo de vida mais estático e convencional.

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Volta ao “convencional”

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Foi aí que Felipe passou a entender que esse era o verdadeiro caminho para sua plena felicidade. Trabalhar no mercado de turismo (que diga-se de passagem, mercado que Felipe teve muito contato em sua viagem), estar perto de seus pais, irmão, amigos e, com o tempo, ter a sua própria casa e família. Só que agora sendo ele mesmo, mais próximo da natureza e de uma forma muito mais leve e natural. E foi exatamente entender isso que fez Felipe tomar a decisão de sair para a estrada de novo. Talvez vocês estejam pensando, “mas qual o sentido disso?”. Felipe nos explicou. Segundo ele, desde sua primeira viagem, ao conhecer muitos cicloviajantes (nome dado a viajantes que usam a bicicleta de meio de transporte) teve essa imensa vontade de fazer algo parecido que ficou arquivada para o futuro. Felipe usou a seguinte frase: “Você pode até sair da estrada, mas a estrada nunca mais vai sair de você”.

 

Outra aventura de autoconhecimento 

Mesmo vivendo de uma forma mais estática, viajar continuaria estando em seus planos, mas de uma forma diferente. Mais segura, com períodos mais curtos e, muito provavelmente em algum momento, levando consigo uma possível família. E justamente por entender que esse momento de “novas construções” seria necessário e que a possibilidade de fazer uma nova viagem sabática ficaria cada vez mais distante, Felipe optou por aproveitar essa atual lacuna e se lançar ao mundo novamente. “Eu estou com 35 anos e me sinto no ápice de meu vigor físico e de minha maturidade. Para subir em uma bicicleta e atravessar um continente o melhor momento é agora. Não quero começar uma nova vida e depois ter que olhar para trás e ter algum tipo de arrependimento”, pensou.  E foi então que Felipe decidiu comprar uma bicicleta. O destino? Ushuaia. A cidade mais ao extremo sul da Argentina e do continente americano. Também conhecida como “o fim do mundo”. Felipe não tem um plano exato, pois prefere deixar a viagem ir desenhando sua rota, mas estima que tenha um percurso total de 6.000km até o destino final. Considerando dias pedalando e dias parado (quando irá descansar e/ou desfrutar de destinos no caminho), ele pretende vencer o trajeto em até 6 meses, chegando nas tão distantes terras do sul do mundo ainda no verão.

Felipe pretende conhecer os diversos Parques Nacionais na Patagônia argentina, aprender espanhol (hoje ele diz falar apenas “portunhol”), conhecer novas culturas e continuar sua busca por autoconhecimento. Seu meio de locomoção será sua bicicleta, onde leva consigo todos seus mantimentos, roupas, kit de acampamento, etc. Além do peso da bicicleta, Felipe estima estar levando cerca de 40kg entre todos esses itens. Como princípio de viagem, visando gastar o mínimo possível, Felipe disse que irá gastar apenas com comida e itens básicos de dia a dia. As noites serão em sua barraca, acampando em postos de gasolina, beiras de rio e pequenos povoados. E como toda viagem nesse estilo, Felipe sabe que passará por muitas provações, perrengues e muitas, muitas histórias que ficarão marcadas em sua vida e que também serão passadas com exclusividade aqui no Jornal A Folha. Assim como já havia feito em sua primeira jornada pelo Brasil, Felipe seguirá tendo uma coluna semanal onde irá relatar um pouco de suas andanças e aprendizados.

 

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Publicado em: Turismo






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