OPINIÃO – FUNDO DO POÇO PARA PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA?

Coluna de Fausto Jr - Jornal A FOLHA - Torres - RS - Brasil

11 de outubro de 2025
Fausto Araújo Santos Junior

Não conheço ninguém que gostou de haver a colocação de uma Casa de Acolhimento para Pessoas em Situação de Rua próximo a sua casa. Não conheço alguém que ouviu falar, ou que soube que um terceiro gostou, da tal postura. Talvez dentro de um manicômio tenha se ouvido tal comentário.

Digo isto para tentar pacificar essa briga entre sociedade e prefeitura acerca da Casa de Passagem para pessoas em situação de rua, já chamada antigamente de Albergue para Mendigos, atualmente expressão politicamente incorreta e corrigida.

A lei brasileira obriga que as prefeituras tenham esse serviço para tentar a inclusão de ALGUMAS pessoas que ficaram vulneráveis (ou não) e acabaram indo para as ruas.   Digo algumas, porque no mundo inteiro existem andarilhos que moram na rua e não trocam essa vida por nada… Eles têm o direito de ir e vir reconhecido e, talvez por isso, muitos abominam qualquer obrigação, inclusive de ser hóspede para ajuda, além de não reclamarem de suas vidas, num coitadismo que está em moda no Brasil.  Portanto, pessoas em situação  de rua que aceitam ir para uma Casa de Passagem de certa forma assumem que querem ajuda (pelo menos acham isso). E a lei brasileira obriga que os gestores públicos assim o façam.

Particularmente (e humildemente), penso que a melhor forma de uma pessoa que está viciada em drogas ou álcool resolver se curar acontece quando ele ou ela olha para todos os lados e não vê nenhuma saída para seu sofrimento, quando, consequentemente e afinal, aceita um tratamento ou uma espécie de regime caseiro para mudar suas vidas, orientados(as) por parentes (a forma mais saudável – diga-se de passagem). E para sofrer, ela (pessoa) não deve estar recebendo ajuda de terceiros – através de Casa Comida, Roupa Lavada, etc. A tendência, quanto recebe isto sem trabalhar em troca, acaba sendo a de se acomodar…

Esta técnica funciona no sistema de Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos e todos os grupos que imitaram o AA na técnica para tirar vícios contraídos pelos seres humanos, como jogos, sexo exagerado e etc. (além do álcool e drogas).  Nos grupos de autoajuda, isto se chama de “Chegar no Fundo do Poço”, uma situação em que (basta fazermos exercício de empatia para vermos) aparece o desespero que deve ser estar no fundo de um poço psicológico.

Mas têm psicólogos nos governos, tem padres e pastores nas igrejas, que também têm seus métodos. E este método de dar albergue,  para pessoas debilitadas (que são chamadas de vagabundas por boa parte da sociedade) foi o utilizado pelos políticos do Brasil fazerem uma lei, quando também fomos NÓS (democraticamente) que votamos para estes políticos estarem lá… Se não tiver certo, eles devem mudar, ou nós mudarmos os votos seria a alternativa a seguir…  Por enquanto, a lei nos obriga a fazer como está sendo posto em Torres.

 




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