O massacre policial no Rio, terça tenebrosa, ultimo dia 28 (2025/Oct), ainda domina a imprensa no país, com repercussões internacionais: 121 mortos (pelo menos). A própria ONU e inúmeras ONGs de Defesa dos Direitos Humanos denunciam excessos e erros da ação policial. Muitas dúvidas sobre a suposta correção da ação de cumprimento de mandatos judiciais e não de uma estratégia de retomada dos territórios controlados pelo NARCO, hoje, novamente em ação
O Narco Estado, aliás, não é o Estado infiltrado por traficantes de drogas. É o Estado cujo território está parcialmente ocupado por grupos organizados que se originaram no tráfico e que hoje exploram grandes conglomerados de prestação de serviços, inclusive falsa segurança. Já são conglomerados econômicos com projeções internacionais. A AÇÃO GOVERNAMENTAL, portanto, jamais poderá se reduzir à estratégias militares de liquidação dos “inimigos”.
Quando o Governo do Rio alega que ficou um ano preparando a ação sobre o Alemão e Penha, esqueceu-se de dizer que essa estratégia foi exclusivamente militar, no sentido de cercar os traficantes morro acima. Até aí, tudo bem, mas o heroísmo das ações policiais, que fez 4 vítimas fatais, são insuficientes para construir uma verdadeira estratégia de combate ao crime organizado que tem no Poder/controle sobre os territórios ocupados sua maior fonte de domínio e de rendimentos. A droga, hoje, é a menor parte dos ganhos do crime organizado, o qual que controla vários serviços nas áreas ocupadas. Faltou ao Governo do Rio – e não por acaso, em virtude de ser um Governo ideologicamente ligado à extrema direita, já filiado à gramática de Trump do “narco-terrorismo”, uma ESTRATÉGIA POLÍTICA. Hoje, por acaso, o ESTADO já substituiu, nas áreas atacadas, o crime organizado? Não. Tudo com dantes no quartel de Abrantes…
E como justificar a ação de abandono dos cadáveres na mata, sem concluir a zeladoria do local, de onde a comunidade acabou recolhendo os cadáveres abandonados? Qualquer Inspetor de Polícia sabe que onde há cadáveres há uma “cena de crime” que deve ser preservada. Ou seja, mesmo do ponto de vista militar, a ação do governo foi plena de erros.
E por que o Governo Federal não se fez presente IMEDIATAMENTE diante da gravidade da ação policial do governo do RIO ? E, quando apareceu, o fez timidamente, ao lado do Governador Castro, sem uma palavra forte de cobrança pelo FRACASSO CRIMINOSO da operação. Aliás , Polícia prende braço-direito e operador, mas deixa escapar chefe do Comando Vermelho (CV): o impacto da megaoperação na cúpula da facção: Secretário de Segurança afirmou que Edgar Alves Andrade, o Doca, usa soldados do Comando Vermelho como barreira para dificultar a sua prisão.. Enfim, quem mais sofre com essas “operações”? O povo trabalhador.
Tiros em casa, falta de transporte, muito medo são relatos dos cidadãos afetados pela operação no Rio.
Por fim, parabéns a ABIN pela divulgação de extenso relatório sobre a rota da droga que , oriunda do Peru e Colômbia, entra no Brasil pela Amazônia, evidenciando, também por aí, que o enfrentamento ao crime organizado ou é NACIONAL, com forte presença do Governo Federal, ou é apenas enxugamento de gelo
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