Na sessão da Câmara de Vereadores de Torres, realizada na segunda-feira (3 de novembro), um dos assuntos mais citados nos pronunciamentos foi referente a uma espécie de “nó” que o sistema de transporte coletivo de Torres estaria enfrentando – na relação do tripé Concessão/ concessionário/passageiro.
É que o transporte público coletivo é constitucionalmente considerado um direito do povo e um dever do Estado, mesmo que seja atendido através de conceções e com tarifas – como ocorre atualmente com a linha municipal de ônibus em Torres. Consequentemente, quando o sistema corre risco de colapso (como parece estar acontecendo em Torres, assim como em muitas cidades brasileiras), o poder público que gestiona a concessão é protagonista das propostas de reorganização necessárias.
Torrescar foi à Câmara pedir apoio e articulação dos vereadores
Conforme informaram alguns vereadores torrenses em seus depoimentos, uma reunião com diretores da Torrescar aconteceu na Câmara – para a princípio tratar de demandas da comunidade, acerca da falta de linhas operando em comunidades mais distantes do interior. Mas acabou sendo pautado também o problema que a empresa responsável pelos serviços em Torres estaria enfrentando (conforme os diretores), problema este de insustentabilidade financeira.
Segundo relatado aos edis, estaria havendo déficit na relação dos valores recebidos através das tarifas/passagens e os custos operacionais da empresa, que precisa manter a frota e pagar os funcionários para operarem as linhas licitadas.
Aumento de preço das passagens poderia ser solução temporária
O vereador Moises Trisch (PT), em seu pronunciamento, abordou o ‘nó’ existente no sistema, afirmando que é dever do setor público oferecer o serviço aos cidadãos.
Ele, no entanto, se mostrou pessimista em relação a algumas soluções – que chama de temporárias – como o aumento de tarifas (que pode ser autorizada pela prefeitura, mas que tem que passar pela Câmara Municipal em princípio). Moisés sugere que a cidade de Torres evolua para o sistema de transporte coletivo gratuito (a ser oferecido pela municipalidade) como forma de resolver, na raiz, o impasse da sustentabilidade da concessionária. E sugeriu, inclusive, que recursos do Estacionamento Rotativo – que vai inaugurar a cobrança na cidade em alguns dias – seja uma forma de financiar os custos do sistema com ônibus gratuito para as linhas municipais, sistema defendido por ele já faz tempo.
O presidente da Câmara, Igor Beretta (MDB), em seu espaço de tribuna também afirmou que a prefeitura deveria intervir a favor de subsídios para a Torrescar – buscando assim resolver o problema que considera perigoso para a comunidade, uma vez que muitos cidadãos torrenses dependem de transporte público.
O vereador Rogerinho Evaldt (PP) também utilizou parte de seu espaço para repetir que é favorável a implantação do sistema gratuito de transporte coletivo através da municipalidade (como já havia manifestado também na campanha eleitoral do ano passado)
Prefeito já sinalizou com possibilidade de passe livre
O prefeito Delci Dimer (antigo proprietário da própria Torrescar), quando em campanha para prefeito (a qual se sagrou vencedor) afirmava que “teria uma fórmula” para melhorias do sistema de transporte coletivo público de Torres. E o Passe Livre (gratuito) foi uma das possibilidades anunciadas por Delci.
Provavelmente, esteja se aproximando a hora de se aprofundar neste debate.
*texto editado por Guile Rocha
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