A Revolução Farroupilha e seu legado

19 de setembro de 2011

 

 

 

Por Guilherme Rocha (*)

 

                 

                      Marcada como uma das mais extensas rebeliíµes já deflagradas no Brasil, a Revolução Farroupilha durou quase 10 anos, e marcou a luta do povo rio-grandense contra o autoritarismo imperial da época. A Epopéia Farroupilha se constitui num marco fundamental da história do nosso Rio Grande, com seu significado libertário exemplificando a permanente batalha do bravo gaúcho contra as injustiças das tiranias.

 

   

                20 de Setembro: precursor da liberdade

 

 

     

      Retrato de Bento Gonçalves ( Acervo

 do museu Julio de Castilhos)

     

                      Na história da região sul, a pecuária sempre foi um dos principais focos da economia gaúcha. Durante o perí­odo Imperial, altos impostos e a concorrência desleal dos produtores de Argentina e Uruguai impediam melhores lucros dos fazendeiros sulistas, em razão do alto preço final do charque regional. Buscando um acordo com o governo central que impulsionasse sua pecuária, os estancieiros gaúchos exigiam a tomada de medidas que, pelo menos, garantissem o monopólio sulista sob o comércio do charque da época. Em meio ao descaso das autoridades imperiais e a falta de autonomia dos estancieiros sulistas, um grupo liderado por Bento Gonçalves exigiu a renúncia do presidente da proví­ncia do Rio Grande do Sul, o que não ocorreu í  princí­pio.  

                      Assim, no dia 20 de setembro de 1835, os revolucionários se organizam, invadem Porto Alegre, vencem a Batalha da Azenha e dão iní­cio í  Revolução Farroupilha. Em resposta í  invasão da maior cidade gaúcha, os defensores do poder imperial, também conhecidos como chimangos, conseguiram retomar a cidade em junho de 1836, controlar a situação em favor do Império e principiar a perseguição aos revoltosos. Enquanto isso, no interior, ocorria em setembro do mesmo ano a Batalha de Seival, comandada pelo general Neto, que marcou uma surpreendente vitória dos farroupilhas contra as tropas imperiais (que estavam em maior número e mais bem armadas). Esta batalha insuflou a vontade separatista de conquistar e manter um paí­s rio-grandense, independente entre as naçíµes do mundo. Assim, em 11 de setembro de 1836, os gaúchos proclamaram a fundação da República de Piratini ou República Rio-Grandense, cujo presidente seria Bento Gonçalves.

                      Farrapos ou Farroupilhas foram chamados todos os que se revoltaram contra o governo imperial, no que culminou com a Proclamação da República Rio-Grandense. Estes eram militares, estancieiros, liberais, pessoas ligadas a maçonaria, abolicionistas e escravos. Inicialmente nem todos eram republicanos e separatistas, mas os acontecimentos e os novos rumos do movimento conduziram a esse desfecho. Vale lembrar também que os escravos compunham o exército Farroupilha em troca da promessa de liberdade ao final da guerra.  

                        Com a expansão do movimento republicano, espalhou-se o sentimento de revolução também pela região de Santa Catarina. Chegando í s terras de Laguna, após uma ardilosa e arriscada manobra náutica liderada por Guiseppe Garibaldi, os farrapos se uniram as tropas do exército, comandado por David Canabarro, surpreendendo os chimangos e por fim tomando a cidade. Foi fundada então, em 29 de julho de 1939, a República Juliana, paí­s independente que deveria confederar-se í  República Rio-Grandense. Até o ano de 1840, podia-se perceber um perí­odo de ascensão Farroupilha, com várias vitórias no campo militar que culminaram com a anexação de boa parte de Santa Catarina e Rio Grande do Sul pelos separatistas. Após esse perí­odo, porém, é perceptí­vel uma situação de decadência dos Farrapos, iniciada com a queda de Laguna.    

 

   

 

 

 

Retrato de Garibaldi e a expedição í  Laguna ( Lucí­lio de Albuquerque “ 1916)

                      O sonho termina, mas as memórias ficam  

 

                      O Império, que estava disposto a restabelecer a ordem e acabar com os regimes separatistas do sul, reagiu em Laguna com força total, tendo mais de três mil homens atacando por terra e 13 bem equipados navios atacando por mar. Apesar da bravura e valentia nas batalhas, os Farrapos estavam em número bem menor para buscar uma reação, e assim eles se viram obrigados a recuar, proporcionando aos chimangos a retomada de Laguna em novembro de 1839. Seguiram-se muitas outras duras batalhas, com algumas heróicas vitórias dos revolucionários, mas um número bem maior de vitórias em favor do Império, que multiplicava cada vez mais o número de mortos e feridos farroupilhas. Mesmo não conseguindo aniquilar definitivamente a revolta, o governo imperial valeu-se de desentendimentos entre os próprios farroupilhas e a crise econí´mica que vinha se instaurando na região para buscar uma trégua. Cedendo í s exigências dos revolucionários, o governo finalmente estabeleceu o aumento das taxas alfandegárias sobre o charque estrangeiro. Ainda assim, os Farrapos não cediam, seguiam resistindo com seu o sonho de paí­s rio-grandense independente. Foi quando surgiu a figura de Duque de Caxias, iniciando os diálogos que deram fim ao movimento separatista.  

                      Entre suas várias açíµes, o Duque de Caxias iniciou uma campanha de estrangulamento da economia da República, atacando as cidades da fronteira que permitiam o escoamento da produção de charque para Montevidéu e Laguna, comprando cavalos para impedir que os Farrapos tivessem montaria e reativando o comércio. Em 1844, depois da derrota farroupilha na batalha de Porongos, um grupo de lí­deres separatistas foi enviado í  capital federal para dar iní­cio í s negociaçíµes de paz. Após várias reuniíµes, estabeleceram os termos da Paz do Ponche Verde, em março de 1845. Com a assinatura do acordo foi concedida anistia geral aos revoltosos, o saneamento das dí­vidas dos governos revolucionários e a libertação dos escravos que participaram da revolução. Dos escravos sobreviventes, alguns acompanharam o exército do general Antí´nio Neto em seu exí­lio no Uruguai, outros foram incorporados ao Exército Imperial e muitos foram vendidos novamente como escravos no Rio de Janeiro. Segundo os historiadores, cerca de 20 mil homens e mulheres estiveram em luta, resultando na morte de aproximadamente 3.500 pessoas, em sua maioria revolucionários farrapos.    

                      Mas não é verdade que no Vinte de Setembro comemoramos uma revolução derrotada, como de malgrado dizem alguns despeitados. O que comemoramos e o que fica é a grandeza dos homens e das mulheres que a fizeram, indiví­duos sob terrí­veis sofrimentos levantaram valentemente a bandeira da liberdade, em busca dos ideais de uma república independente. Um levante contra a imposição da autoridade central e indiferença que sofria a proví­ncia gaúcha. Figuras para sempre gravadas em nossos livros de história, como Bento Gonçalves, Giuseppe Garibaldi, David Canabarro, Antí´nio da Silva Neto, Domingos Crescêncio e Anita Garibaldi, viraram exemplos da bravura do sul. Nobres peleadores que participaram da construção e afirmação dos princí­pios sociais, polí­ticos, econí´micos e ideológicos que ficaram até hoje eternizados nos coraçíµes dos filhos e filhas do Rio Grande. A Revolução Farroupilha é imortal porque o seu legado tem bases universais: a eterna luta pela justiça, pela dignidade humana e contra qualquer tipo de opressão polí­tica e econí´mica

 

   (*) Com informaçíµes de Wikipédia, Brasil Escola, Pampas Online e Movimento Tradicionalista Gaúcho


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