OPINIÃO – EXEMPLO INVERSO DA SUSTENTABILIDADE

"Será que as crianças que morrem de fome no mundo precisam que as autoridades mundiais gastem tanto para “combater” suas fomes - com diárias de hotéis milionárias, aluguel de veículos de transporte milionários, alimentação com iguarias "?

16 de novembro de 2025
Coluna semanal de Fausto Jr - A FOLHA - Torres - RS - Brasil

Por que os chefes de Estado no Brasil, e em vários países do mundo, são tratados com solenidade tão alta que parecem que são de outro planeta? O pior é que as a narrativas destes perante nós, simples viventes, são ao contrário, de propor igualdade, fraternidade e combate à fome…

Será que as crianças que morrem de fome no mundo precisam que as autoridades mundiais gastem tanto para “combater” suas fomes – com diárias de hotéis milionárias, aluguel de veículos de transporte milionários, alimentação com iguarias raras (e até em extinção), aviões próprios e comitivas enormes percorrendo o mundo…. para fazer o que atualmente pode se fazer com uma reunião virtual sentado em uma residência simples, após comer pão com manteiga e café no dejejum? Penso que isso não é sustentabilidade, isto não é digno de representação de vontades de qualquer povo.  Ou é?

Somente quem vai tirar vantagens diretas destes atos confia nos discursos deste tipo de “autoridade” pelo mundo.  E é por isso que os programas eleitoreiros planeta afora acabam sendo “da hora” em discursos populistas, geralmente mostrado por ideologias mais socialistas, mas que na verdade são regimes ditatoriais (ou ‘em rumo a’) que tiram recursos de quem produz e gera emprego saudável para comprar votos – através de bolsas de ajuda direta e geração de empregos públicos nababescos para os apoiadores.

Se reunir em um lugar longe, obrigando que o mundo inteiro viaje para lá, onde recebem de seus países e do Brasil (como anfitrião) pagamento de diárias de custos altíssimos, para estada dos governantes e assessores(vários)… penso que isso não é exemplo de sustentabilidade, como o que se está ocorrendo AGORA na COP 30, em Belém. Não se tata de uma forma de dar exemplo para o mundo, creio eu, de que se deve gastar menos do que se tem para ‘não matar o organismo’, como se sugere em sistemas sustentáveis obedecidos tecnicamente. Tudo isso se poderia fazer em um click de computadores, sem remoção nenhuma. Putin que pariu!

 

SUSTENTABILIDADE É A INVERSAO DOS GASTOS PUBLICOS

O salário no setor público é significativamente maior que no setor privado, especialmente no início de carreira em algumas carreiras específicas. Em alguns países, como o Brasil, os servidores públicos podem ganhar uma média maior do que trabalhadores do setor privado, o que mostra insustentabilidade por conta de ser o setor privado que gera dinheiro (pelos impostos) para o salário do setor público… ou não?

Em algumas profissões, como as carreiras jurídicas federais no Brasil, os salários iniciais podem ser duas a três vezes superiores aos pagos em funções comparáveis no setor privado.

O rendimento médio das pessoas no setor público é cerca de 71,7% maior do que o dos trabalhadores do setor privado (tirando os domésticos), apontam dados do Censo 2022, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). As médias de rendimento mensal eram de R$ 4.131 e R$ 2.406 (ou R$ 4.741 e R$ 2.761, em valores atuais corrigidos pela inflação) para profissionais dos setores público e privado, respectivamente. Isto, ainda, sem considerar os benefícios sociais e vantagens, muito maiores no público também.

Travar o aquecimento global através de diminuição de emissão de carbono no ar é evitar que um processo igual esteja acontecendo no planeta. Estamos consumindo o capital do sistema que sustenta o surgimento de tudo, o que é insustentável.  Mas devemos fazer isto também na relação gastos de capital entre os setores públicos e privados. Enquanto o setor público não gastar menos, o sistema estará caminhando também para um precipício de auto-flagelo. E não existe sustentabilidade que não seja gerada por sistema sustentáveis. Não fecha a conta!

 

PETRÓLEO NA FOZ DO AMAZONAS:  MEDIDA COERENTE

Há um debate polarizado, mesmo dentro do governo Lula (que tem a ambientalista Marina Silva como ministra do Meio Ambiente), dividido entre os que apoiam a exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas e os que não apoiam.  Preservacionistas no mundo inteiro colocam (com autoridade moral) que explorar petróleo nas ‘barbas da selva’ amazônica seria um erro duplo. Além da exploração de um dos maiores vilões do aquecimento global, para que petróleo queime e gere o gás (que é um dos grandes causadores do efeito estufa), fazer isto na Amazônia seria um mau exemplo para os cuidados planetários fomentados pelo movimento COP 30:  de preservar as florestas – que geram umidade para mitigar aquecimento e manter bom fluxo de água no planeta – uma medida fundamental para atender a narrativa dada como correta hoje.

Só que o petróleo atualmente é a “munição” da riqueza de todos os países. Se tem gente consumindo em qualquer quadrante do mundo, terá alguém vendendo. E dinheiro é a forma de produzir riqueza e projetos em prol da humanidade, em qualquer nação! Ou não? E se o Brasil não participar deste mercado ele estará ficando menos competitivo para realizações de ações progressistas no jogo mundial da geopolítica. Mas transferir o uso de energia suja em energia limpa é uma forma de sustentabilidade que o Brasil pode ser exemplo para o mundo, já que a energia por aqui é na maioria de origem hidrelétrica.

Um dono de posto de combustíveis no Brasil pode “fazer sua parte” abastecendo seu carro com álcool e fomentando que mais gente assim o faça, o que diminui em parte a emissão em cada veículo (em relação a gasolina). Mas este mesmo cidadão empreendedor não precisa deixar de vender gasolina para àqueles que ainda querem comprar o mais barato para abastecer seus carros, como forma de sustento de sua vida através da venda de gasolina e diesel.  Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa… E qualquer um de nós pode fazer a sua parte, trocando também a gasolina pelo álcool ou vendendo o carro e usando transporte público, o que é melhor ainda.

Inclusive, o consumo de álcool nos veículos oficiais (dos governos) brasileiros deveria ser lei. Imagina esta frota incalculável de carros públicos, que levam e trazem políticos e executivos em suas tarefas diárias usando álcool nas esferas federal estaduais e municipais, ao invés de gasolina e diesel? Os pulmões humanos e a natureza terráquea agradeceriam. Diminuir estes cargos traria ganhos duplos, inclusive.  Mas tem que falar com o tribunal de contas por conta do princípio da “economicidade” cobrado dos gestores – e que gera improbidade administrativa

Deixar de produzir petróleo só é coerente quando isto for lei em todo o mundo, o que com certeza não aconteceria sem dar origem a muita confusão, quem sabe até uma guerra mundial. Exemplos individuais escalados, sim podem ser uma solução mais sustentável e pacífica.

 

 

 

 

 

 




Veja Também





Links Patrocinados