Um saruê (gambá-de-orelha-preta), animal silvestre nativo da região, foi encontrado agonizando em uma caçamba de obras na esquina da Rua Padre Gollo com a Rua São Domingos. De acordo com relatos, o marsupial foi vítima de uma paulada e estava em intenso sofrimento.
Funcionários da obra em questão, comovidos com a situação do animal, acionaram imediatamente o Grupo Guardiões da Natureza de Torres, que foi em busca de socorro para o animal. O grupo transportou o saruê ferido para a Patrulha Ambiental da Brigada Militar (PATRAM) que prontamente partiu em busca de atendimento veterinário para o animal. “Pela inexistência de designação de um veterinário do poder público para atender a fauna silvestre, contou-se com o apoio de um veterinário particular que por solidariedade, prestou os primeiros socorros ao animal, mas lamentavelmente, o saruê não resistiu aos ferimentos e faleceu em seguida”, destaca a comunicação do Grupo Guardiões da Natureza de Torres .
O triste episódio reacendeu o debate sobre a inexistência de atendimento veterinário para a fauna silvestre de Torres.O município, conhecido por sua rica biodiversidade que inclui capivaras, tamanduás, lontras, tuco-tucos, e as famosas tartarugas do Lagoa do Violão, não possui veterinários do poder público municipal para atender estes animais.
“Essa ausência gera um problema crônico e urgente, visto que a fauna silvestre frequentemente necessita de cuidados emergenciais. Um exemplo recorrente são as tartarugas do Lagoa do Violão, vítimas constantes de atropelamentos devido à pista de asfalto passar muito próxima à margem da Lagoa, obrigando-as a atravessar a via em busca de terra seca para a desova”.
Ainda conforme relato do Grupo Guardiões da Natureza de Torres, a situação foi agravada recentemente. “Antes, saruês podiam ser levados para o CECLIMAR – Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos, em Imbé. Contudo, o centro não está mais recebendo estes animais, criando uma lacuna grave que precisa ser preenchida urgentemente pelo Poder Público Municipal”.
Grupo pede soluções para a mazela ambiental
A fauna silvestre é protegida por Lei, e a falta de um serviço de atendimento veterinário disponível representa uma falha no cumprimento da legislação ambiental e um risco à vida dos animais.
“Além da questão humanitária e legal, a morte do saruê é uma perda ecológica, pois esses animais desempenham funções importantíssimas no ecossistema, sendo verdadeiros aliados no controle biológico de áreas urbanas. Eles se alimentam de pragas como insetos, vermes, escorpiões e aranhas, possuem uma resistência natural impressionante a venenos de cobras e escorpiões, ajudando a controlar a população dessas espécies. Eles também realizam dispersão de sementes pois ao comerem frutas, auxiliam na dispersão de sementes, contribuindo para a manutenção e recuperação da vegetação local. Consomem carcaças e restos, atuando como ‘faxineiros’ do ambiente”.

Concluindo, o grupo diz que a comunidade e os protetores da natureza de Torres aguardam agora uma resposta do poder executivo sobre quais medidas serão tomadas para garantir o atendimento veterinário adequado e permanente à rica, mas vulnerável, fauna silvestre do município. (FONTE – Ascom Guardiões da Natureza de Torres
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