A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava como Deise Moura dos Anjos teria adquirido arsênio, substância apontada como utilizada nos crimes que terminaram com quatro familiares mortos em Torres, no Litoral Norte do RS, há um ano.
Em investigação concluída em fevereiro, Deise foi apontada como autora de quatro homicídios triplamente qualificados, por motivo fútil, emprego de veneno e dissimulação. Presa temporariamente em janeiro, ela foi encontrada morta na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba no dia 13 de fevereiro.
Agora, em dezembro de 2025, cerca de um ano após as mortes, a polícia concluiu a investigação sobre a origem do arsênio utilizado nos crimes. A apuração revelou que a compra foi feita por meio de dois sites distintos, mas ambos pertencentes à mesma empresa, registrada no Rio de Janeiro.
A Delegacia do Consumidor (Decon) identificou o responsável pela venda, mas reforçou que, apesar do risco à saúde, não há previsão penal para esse tipo de negociação.
Segundo a polícia, a comercialização do produto não é considerada ilegal atualmente, já que não existe regulamentação específica que proíba a venda para pessoas físicas. “Tal venda não é proibida e ainda está pendente de regulamentações”, explica a delegada Milena Simioli.
Contudo, a polícia reconhece que podem existir infrações de caráter administrativo, mas ressalta que a fiscalização dessas substâncias é responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que avalia se houve descumprimento das normas sanitárias e de segurança na comercialização do produto.
A delegada Milena ainda comenta que dois projetos tramitam na Câmara dos Deputados para tentar corrigir essa brecha, sendo: PL 985/2025 e PL 1381/2025. As propostas pretendem proibir a venda de compostos arsenicais a pessoas físicas e exigir justificativa técnica para uso, além de reforçar mecanismos de identificação do comprador.
Relembre o caso
Três mulheres morreram após comer um bolo com arsênio em Torres, dias antes do Natal em 2024. As vítimas são as irmãs Maida Berenice Flores da Silva e Neuza Denize Silva dos Anjos, além de Tatiana Denize Silva dos Anjos, filha de Neuza.
De acordo com a Polícia Civil, sete pessoas da mesma família estavam reunidas em uma casa, durante um café da tarde, quando começaram a passar mal após comer fatias do bolo. Zeli dos Anjos, que preparou o doce em Arroio do Sal e levou para Torres, também foi hospitalizada. Ela era irmã de Maida e Neuza, sogra de Deise e alvo do envenenamento, segundo a Polícia Civil.
Zeli dos Anjos sobreviveu e recebeu alta do hospital em janeiro deste ano. Uma criança de 10 anos que comeu o bolo também sobreviveu.
A investigação concluída em fevereiro confirmou que três familiares morreram em dezembro de 2024, após comerem o bolo envenenado com arsênio, e três meses antes, o sogro de Deise morreu ao ingerir bananas e leite em pó contaminados levados pela nora. Marido e filho da suspeita também podem ter sido vítimas de tentativa de envenenamento.
Antes de ser presa e encontrada morta, Deise deixou um recado em tom de desabafo na cela onde ela estava presa. Em uma das mensagens, escrita em uma camiseta, Deise afirmou à família que “não era assassina”, e sim uma pessoa com depressão que estava, segundo ela, sendo “incompreendida”.

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