OPINIÃO E ANÁLISE – CRESCEM EXPECTATIVAS PARA AS ELEIÇÕES DE OUTUBRO

Eleições gerais : Presidente e Governadores, com respectivos vices, Senadores e deputados federais e estaduais (...) No Legislativo, a grande corrida será mesmo para o Senado, que terá 2/3 de seus membros substituídos

19 de janeiro de 2026

Virou o ano, mudou a lua, veio o calor, e o único que se ouve no Estado é: “Nós sempre teremos o litoral”. Poucos, na verdade, sabem que, a construir-se o tal Porto de Arroio do Sal, acabou-se a vocação turística da nossa região. Acabaremos, todos em Punta del Este. Meu amigo Dr. Cesar Paim, “torricácio” há décadas, mas visitante eventual nas praias do Uruguai, já decidiu: – Não vou mais vender meu apartamento lá, sabe-se lá o que vai acontecer por aqui…”

Entrementes, o mundo gira, a “Luzitana “ roda e os brasileiros de todos os cantos e matizes, o primeiro deles Lula, candidato à reeleição, começam a pensar nas eleições em outubro. Eleições gerais : Presidente e Governadores, com respectivos vices, Senadores e  deputados federais e estaduais. Neste nível, parlamentar, não se esperam muitas mudanças. São eleições proporcionais, alimentadas por alianças com Prefeitos, solidamente nutridos pelo processo de “distritalização” dos Orçamentos Executivos por parlamentares das respectivas casas e localidades: as Emendas.

No Legislativo, a grande corrida será mesmo para o Senado, que terá 2/3 de seus membros substituídos, alguns, poucos, tentando a manutenção da cadeira cujos mandatos vencem. Risco total para quem estiver no Palácio do Planalto em 2027. A esse respeito penso que  o melhor artigo, recentemente publicado é este: ‘A batalha real de 2026 será pelo Senado’,  de Wilson Gomes (quarta-feira, 14 de janeiro de 2026). A seguir um dos trechos:

“Dos 81 senadores, 54 terão seus mandatos renovados. Para qualquer governo sobreviver politicamente, é indispensável manter 41 cadeiras, a maioria absoluta. Considerando o estoque atual que não entrará em disputa, os partidos da base precisariam eleger ao menos 28 das 54 cadeiras em disputa, algo próximo de 52%. Trata-se de um patamar elevado para um governo que entra no ciclo eleitoral sob desgaste natural, polarização intensa e um eleitorado mais favorável à direita nas disputas majoritárias estaduais. O risco ( para Lula, se for reeleito) não está em uma derrota acachapante, mas em pequenas perdas mal distribuídas. Hoje, cerca de 33 das cadeiras governistas entram em disputa. Basta que sua base perca seis delas, sem reposição, para cair abaixo da maioria absoluta.”

Daí a preocupação do Presidente quanto à indicação de nomes estaduais com efetiva capacidade competitiva. Fala-se que está de olho na mudança de Partido de Marina e Simone Tebet,  com vistas a candidaturas delas ao Senado E, aparentemente, não desistirá facilmente de ter Haddad para o Senado em São Paulo.

Quanto ao Rio Grande do Sul, o cenário já parece mais ou menos definido.

Na esquerda, depois da defecção de Paulo Paim, por Paulo Pimenta no PT, este deverá ter como parceira a Manoela D´Avila, que volta à Política pelo PSOL. Ela, aliás, está melhor do que ele na preferência eleitoral (26%) , tem mais e melhor imagem de mulher jovem -, eis que já foi até candidata a Vice-presidenta de Haddad e candidata a Prefeita da capital; mas o Governador Leite (24%) também será candidato ao Senado, vez que seus sonhos à Presidência esfumaram-se no tempo. Ele, porém, não tem, ainda uma chapa própria forte ao Governo, que deverá ser disputado, na aliança já consolidada com MDB, pelo seu Vice Gabriel Souza. Namora com o PDT na esperança de ganhar os votos brizolistas, numa eventual dobradinha com Juliana. Se ela for inteligente, não cai nessa. Ele, depois de 8 anos no Governo está bem melhor “aparelhado”.  Ficará mais garantida como candidata à deputada federal. Tem nome, mas lhe falta empenho para uma campanha estadual. À direita, dois candidatos se apresentarão, Van Hatten (15 %) ,pelo Novo, e Sanderson (4%), pelo PL; ou seja, só o primeiro é competitivo. Enfim, tudo indica que Leite, Manoela e Van Hatten serão os mais cotados para o Senado. No máximo, um voto “governista” …

Quanto ao Piratini, sem novidades. A “terceira via” que sucumbiu no plano nacional teima em sobreviver nos campos do Rio Grande. Viveremos a reedição de várias outras eleições que elegeram Brito, Rigotto, Yeda Crusius e o indefectível Sartori. Divisão na esquerda, que se reduzirá ao campo mais combativo do PT + PSOL + PCdo B, com os respectivos “federados”,   na indicação de E. Pretto (PT) ao Governo, um meio de campo com o Gabriel Souza, puxado por Leite ao Senado, com eventual apoio do PDT, eterno inimigo do PT no Estado e um polo bolsonarista  com o Deputado Luciano Zucco (PL)  articulado com P.Novo, com apoio do que sobrar do Centrão articulado ao projeto nacional.

Independentemente de seu voto, que tal este cenário? Lembrando que ele é apenas um foto do momento, sempre sujeito às “mudanças climáticas”…

 

*Nota 1– Os números relativos à preferência eleitoral colhidos em www.gazetadopovo.com.br

**Nota 2 – a opinião dos colunistas de A FOLHA Torres é independente e não necessariamente representa o posicionamento do veículo de comunicação**




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