OPINIÃO – Torres sob Alerta: O que está acontecendo com o Nosso Refúgio de Paz?

"Em meio ao aumento da sensação de insegurança na cidade, comunidade manifesta revolta contra a suposta negligência da prefeitura e do poder público, apontando que o medo está alterando a rotina e prejudicando o turismo local"

FOTO DE ARQUIVO: Vista aérea de Torres
22 de abril de 2026

Não se trata de um texto de opinião de uma pessoa, mas de muitas, levantadas através dos comentários no Facebook para uma pergunta objetiva, que geraram uma série de relatos e anotações de moradores da cidade de Torres, no Rio Grande do Sul, denunciando o visível aumento da insegurança pública na região. De acordo com as fontes, o crescimento da população em situação de rua tem gerado abordagens agressivas e episódios de violência em locais turísticos, como o Parque da Guarita e a Prainha. A comunidade manifesta revolta contra a suposta negligência da prefeitura e do poder público, apontando que o medo está alterando a rotina e prejudicando o turismo local. Entre as sugestões dos cidadãos, destacam-se o pedido por maior policiamento ostensivo e o retorno dessas pessoas às suas cidades de origem. O debate evidencia um clima de tensão social e o receio de que a cidade perca sua característica de refúgio de paz.

Historicamente celebrada como a “mais bela praia do Rio Grande do Sul”, Torres atravessa uma crise de identidade que fere seu bem mais precioso: a tranquilidade. Para muitos, como a moradora Rosane Basotti Spiandorello, que se mudou para a cidade há seis anos em busca de um paraíso, a realidade atual é considerada irreconhecível. O que antes era o cenário de caminhadas seguras durante a madrugada transformou-se em um ambiente de vigilância constante e portas trancadas. O medo redesenhou o mapa de Torres. Onde antes reinava o chimarrão, hoje impera o passo apressado e o olhar sobre o ombro.

Anúncio 1

O Alerta Vermelho: Territórios Perdidos e o Fantasma da Violência

A insegurança deixou de ser uma percepção subjetiva para se tornar um fato visceral em locais icônicos como o Parque da Guarita e a Prainha. Relatos graves de ataques a mulheres nessas áreas acenderam um sinal de aviso que a gestão pública parece ignorar. O lazer, um direito básico, tornou se um artigo de luxo ou um risco inaceitável.

Anúncio Slider Meio
Anúncio Slider Meio

Mulheres relatam serem seguidas na beira-mar; idosas, como as que frequentavam a Lagoa do Violão, agora abandonam o hábito por se sentirem vulneráveis. A memória da comunidade ainda é assombrada por tragédias reais, como o caso do instrutor de autoescola que se tornou vítima fatal da violência urbana. Há um temor coletivo de que episódios como o do criminoso que escalou a sacada de um apartamento para atacar moradores se tornem frequentes. Como sintetiza o clamor popular: “A sensação de insegurança não pode virar o ‘novo normal’ da nossa cidade.”

 

Abordagens Agressivas: O Centro Sitiado e a Omissão Pública

A dinâmica social nas ruas mudou. O antigo “pedinte passivo” deu lugar a uma abordagem intimidadora e coercitiva. No semáforo próximo ao Stok Center ou na Praça do Coreto, a recusa de uma esmola é frequentemente respondida com xingamentos, gestos obscenos e agressividade física. Essa nova realidade atinge de forma cruel os mais frágeis. Há o relato angustiante de uma mãe que hoje teme sair com seu filho autista, sabendo que ele não teria como se defender em uma abordagem hostil. Enquanto isso, pontos de degradação como a Rodoviária Antiga tornaram-se focos de desordem, onde o uso de drogas à luz do dia intimida crianças a caminho da escola e trabalhadores em seus horários de descanso.

 

A “Casa de Passagem”: Apoio Social ou Ímã de Problemas?

Um dos pontos mais inflamados do debate urbano em Torres recai sobre a Casa de Passagem. Com cerca de 100 indivíduos cadastrados, a estrutura é vista por muitos como um catalisador de migração desordenada, intensificada após as enchentes de 2024. A crítica da comunidade não é contra o auxílio social, mas contra o assistencialismo sem regras. A moradora Taty Jeremiash é enfática sobre o impacto dessa política na percepção de segurança: “Todos os torrenses estão alertando sobre a migração desses transeuntes para a nossa cidade… Esta casa de passagem só trouxe mais visibilidade para a entrada deles em nossa cidade.” Enquanto a prefeitura mantém a estrutura, moradores questionam a falta de uma triagem rigorosa e de um plano de retorno aos municípios de origem para aqueles que recusam a reintegração produtiva.

Barraca de ‘inquinino’ em frente ao Morro do Farol

 

O Paradoxo Torrense: Arrecadação Eficiente, Proteção Letárgica

Torres parece viver uma contradição econômica perigosa. De um lado, o mercado imobiliário ergue prédios de luxo e o Prefeito Delci Dimer mantém uma fiscalização de trânsito implacável — com multas para cidadãos que esperam idosos em frente a lojas. Do outro, a segurança pública parece entregue à própria sorte.

É um paradoxo inaceitável: um governo extremamente eficiente para cobrar IPTU e multar o contribuinte, mas letárgico para proteger a calçada. Se a desordem urbana não for estancada, Torres corre o risco de se tornar uma “vitrine de prédios vazios”. Veranistas e investidores já sinalizam a desistência de novos negócios na cidade devido à sujeira e ao medo, provando que o luxo dos apartamentos não sobrevive à decadência das ruas.

 

A Exigência por Ordem: O Espelho de Santa Catarina

A população de Torres não pede por soluções impossíveis; ela exige modelos que funcionam. Cidades como Chapecó, Gramado e Florianópolis são citadas como exemplos de gestão que prioriza a ordem. A demanda é por uma atuação coordenada entre a prefeitura e a Brigada Militar que inclua: Identificação e triagem social rigorosa de quem chega à cidade; Oferta de emprego para locais e qualificação; Retorno imediato ao município de origem para aqueles que optam pela permanência na vadiagem ou na criminalidade. A comunidade clama por uma “postura mais enérgica” que rompa com a passividade do Ministério Público e da administração municipal. CONCLUSÃO: A Segurança como Fiel da Balança Torres está em uma encruzilhada. A cidade precisa decidir se continuará sendo o refúgio das famílias gaúchas ou se consolidará sua transição para uma “mini capital” dominada pela insegurança e pela desordem. A preservação do patrimônio cultural e social torrense exige mais do que notas oficiais; exige vontade política e coragem administrativa.

Com as eleições no horizonte, a segurança pública e a gestão do espaço urbano serão, inevitavelmente, o fiel da balança. O voto será a ferramenta para punir a omissão e exigir que a “mais bela praia” recupere seu status de porto seguro. O futuro de Torres depende de não aceitarmos que o medo seja o nosso novo vizinho.

 

*Autor com especiais interesses tanto pela História quanto pela preservação do patrimônio material e imaterial, histórico, paisagístico e cultural.

 

Quer acompanhar as notícias do jornal A FOLHA Torres no seu celular?

CLIQUE AQUI e acesse nosso grupo no Whatsapp

 

Anúncio Slider Final
Anúncio Slider Final

Publicado em: Geral






Veja Também





Links Patrocinados