Editorial A FOLHA

27 de novembro de 2009

   

Existe um vácuo de compreensão da sociedade sobre a questão do meio ambiente em geral. Radicais de um lado defendem a preservação de tudo que existe no planeta Terra de forma incondicional, condenando obras civis, retiradas de matas de locais que necessitam ser desmatados e até criticam quem retira gramí­neas de residência quando trocam os pátios das mesmas por cimento ou similares.  O outro lado radical defende a geração de riqueza e o conseqí¼ente emprego como fator incondicional das açíµes humanas no planeta Terra. Acham que manejo autosustentável de um determinado ambiente, rural ou urbano, somente prejudica o progresso e encarece os processos construtivos e produtivos. Os dois lados estão errados. Os que defendem que tudo pare e que gramí­neas sejam preservadas em nome da exagerada destruição atual do planeta sugerem um genocí­dio da humanidade por inanição, causada pelo excesso de seres humanos no planeta sem alimentos para os mesmos. Já os que não levam em conta a natureza, vendo-a somente como um entrave ao progresso, também constroem com este ideal um genocí­dio que será causado também por inanição, agora pela matança das fontes de alimentação, geração de energia e oxigênio pela falta também de processos naturais para construí­-las.

 

 

Fazendo uma analogia entre o meio ambiente e o ambiente das civilizaçíµes podemos aprender muito. Os seres humanos fazem parte do meio ambiente, são espécies que diferem somente pela capacidade de raciocí­nio, é isto fundamentalmente. Nós somos geradores e consumidores de riqueza, como também o são os animais e vegetais, estes últimos irracionais.  Uma polí­tica pública equilibrada e natural deveria ser voltada para o ambiente em que vivemos ao invés de voltada para nossa vida privada. A democracia sugere que a maioria ou o consenso delibere sobre como será o ambiente em que cidades, Estados e naçíµes desenharão para uma melhor relação entre os habitantes e a capacidade de progresso e sobrevivência que todos os seres racionais e irracionais desejam, parece que incondicionalmente. Mas no coletivo… Legislar sobre como será a vida privada das pessoas não é um processo natural: ele leva sistematicamente a uma artificial intervenção na vontade das pessoas e sua liberdade de criarem e serem aquilo que acreditam ser melhor para si e para sua famí­lia, âmago dos processos criativos e desenvolvimentistas. Legislar dentro das vidas das pessoas se equipara a fazer mutaçíµes de espécies da natureza sem necessidade, pois, se feitas intervençíµes seguras dentro do ambiente das mesmas, certamente o processo será muito mais produtivo e dará resultados naturais e previsí­veis.

 

 

Colocar asfalto e esgoto tratado em um bairro é trabalhar em prol da melhoria do coletivo; diferente de utilizar estes mesmos recursos para dar dinheiro para as famí­lias daquele mesmo bairro, um processo que mexe nos costumes e na educação das pessoas de forma artificial, o  que pode gerar traumas irreversí­veis. Proibir por lei pública que alguém que faça alguma coisa de seu costume dentro de locais privados, como, por exemplo, a proibição do fumo em locais privados, é legislar na vida dos outros, uma demonstração autocrática e artificial de administrar. Quem não quiser respirar fumaça deve ir a locais que não tâm fumaça, pois é a pessoa que escolhe e paga sua conta.  E quem tem um restaurante e acha que seu público será fiel mesmo permitindo o fumo no estabelecimento deveria poder assim o fazer. Proibir fumar em locais públicos, ao contrário, é sim uma ação coerente com a democracia.   Diminuir a emissão de gás carbono solto nas ruas através dos carros por leis que limitam a liberdade de seus donos não é sequer perto de uma polí­tica autocrática: ao contrário, trata-se de uma polí­tica pública que diminui a emissão e gás carbí´nico em ambientes que todos nós somos obrigados a conviver, sem saí­da.  Está ai a diferença entre ser natural e democrático nas leis, ou, aço contrário,  ser autocrático em seus ideais públicos.

 

 A aprendizagem que se pode ter com esta analogia entre o homem e seu meio ambiente urbano e a saudável convivência entre homem e o meio ambiente natural sugere que enxerguemos tendências ditatoriais nos governantes. Independente de partido polí­tico, dá para se separar o joio do trigo: O governante ou o partido polí­tico que tendem em legislar para dentro de nossas vidas privadas, certamente têm uma tendência autocrática em seus DNAs. Quem quer manter processos coletivos que a sociedade pede para brecar, também. Mas pessoas e partidos quem se preocupam em fazer leis e polí­ticas públicas para modificar o ambiente coletivo no sentido de desenvolvimento da infraestrutura de bairros, cidades e naçíµes, estes sim mostram que são democratas genuí­nos e naturalmente apoiadores do meio ambiente urbano em um processo de desenvolvimento auto-sustentável.

   

 


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