Existe um vácuo de compreensão da sociedade sobre a questão do meio ambiente em geral. Radicais de um lado defendem a preservação de tudo que existe no planeta Terra de forma incondicional, condenando obras civis, retiradas de matas de locais que necessitam ser desmatados e até criticam quem retira gramíneas de residência quando trocam os pátios das mesmas por cimento ou similares. O outro lado radical defende a geração de riqueza e o conseqí¼ente emprego como fator incondicional das açíµes humanas no planeta Terra. Acham que manejo autosustentável de um determinado ambiente, rural ou urbano, somente prejudica o progresso e encarece os processos construtivos e produtivos. Os dois lados estão errados. Os que defendem que tudo pare e que gramíneas sejam preservadas em nome da exagerada destruição atual do planeta sugerem um genocídio da humanidade por inanição, causada pelo excesso de seres humanos no planeta sem alimentos para os mesmos. Já os que não levam em conta a natureza, vendo-a somente como um entrave ao progresso, também constroem com este ideal um genocídio que será causado também por inanição, agora pela matança das fontes de alimentação, geração de energia e oxigênio pela falta também de processos naturais para construí-las.
Fazendo uma analogia entre o meio ambiente e o ambiente das civilizaçíµes podemos aprender muito. Os seres humanos fazem parte do meio ambiente, são espécies que diferem somente pela capacidade de raciocínio, é isto fundamentalmente. Nós somos geradores e consumidores de riqueza, como também o são os animais e vegetais, estes últimos irracionais. Uma política pública equilibrada e natural deveria ser voltada para o ambiente em que vivemos ao invés de voltada para nossa vida privada. A democracia sugere que a maioria ou o consenso delibere sobre como será o ambiente em que cidades, Estados e naçíµes desenharão para uma melhor relação entre os habitantes e a capacidade de progresso e sobrevivência que todos os seres racionais e irracionais desejam, parece que incondicionalmente. Mas no coletivo… Legislar sobre como será a vida privada das pessoas não é um processo natural: ele leva sistematicamente a uma artificial intervenção na vontade das pessoas e sua liberdade de criarem e serem aquilo que acreditam ser melhor para si e para sua família, âmago dos processos criativos e desenvolvimentistas. Legislar dentro das vidas das pessoas se equipara a fazer mutaçíµes de espécies da natureza sem necessidade, pois, se feitas intervençíµes seguras dentro do ambiente das mesmas, certamente o processo será muito mais produtivo e dará resultados naturais e previsíveis.
Colocar asfalto e esgoto tratado em um bairro é trabalhar em prol da melhoria do coletivo; diferente de utilizar estes mesmos recursos para dar dinheiro para as famílias daquele mesmo bairro, um processo que mexe nos costumes e na educação das pessoas de forma artificial, o que pode gerar traumas irreversíveis. Proibir por lei pública que alguém que faça alguma coisa de seu costume dentro de locais privados, como, por exemplo, a proibição do fumo em locais privados, é legislar na vida dos outros, uma demonstração autocrática e artificial de administrar. Quem não quiser respirar fumaça deve ir a locais que não tâm fumaça, pois é a pessoa que escolhe e paga sua conta. E quem tem um restaurante e acha que seu público será fiel mesmo permitindo o fumo no estabelecimento deveria poder assim o fazer. Proibir fumar em locais públicos, ao contrário, é sim uma ação coerente com a democracia. Diminuir a emissão de gás carbono solto nas ruas através dos carros por leis que limitam a liberdade de seus donos não é sequer perto de uma política autocrática: ao contrário, trata-se de uma política pública que diminui a emissão e gás carbí´nico em ambientes que todos nós somos obrigados a conviver, sem saída. Está ai a diferença entre ser natural e democrático nas leis, ou, aço contrário, ser autocrático em seus ideais públicos.
A aprendizagem que se pode ter com esta analogia entre o homem e seu meio ambiente urbano e a saudável convivência entre homem e o meio ambiente natural sugere que enxerguemos tendências ditatoriais nos governantes. Independente de partido político, dá para se separar o joio do trigo: O governante ou o partido político que tendem em legislar para dentro de nossas vidas privadas, certamente têm uma tendência autocrática em seus DNAs. Quem quer manter processos coletivos que a sociedade pede para brecar, também. Mas pessoas e partidos quem se preocupam em fazer leis e políticas públicas para modificar o ambiente coletivo no sentido de desenvolvimento da infraestrutura de bairros, cidades e naçíµes, estes sim mostram que são democratas genuínos e naturalmente apoiadores do meio ambiente urbano em um processo de desenvolvimento auto-sustentável.


