OPINIÃO: Prisioneiros sem Crime – A Crueldade Invisível aos Animais Acorrentados

"Imagine viver uma vida inteira acorrentado. Imagine ser obrigado a comer, dormir, urinar e defecar no mesmíssimo espaço, dia após dia. Para milhares de cães em todo o país, essa não é uma suposição distópica, mas a realidade nua e crua do acorrentamento"

4 de julho de 2026

Imagine viver uma vida inteira acorrentado. Imagine ser obrigado a comer, dormir, urinar e defecar no mesmíssimo espaço, dia após dia. Para milhares de cães em todo o país, essa não é uma suposição distópica, mas a realidade nua e crua do acorrentamento. Manter um animal perpetuamente acorrentado é uma das formas mais extremas e silenciosas de crueldade humana, uma prática que priva seres sencientes de seus movimentos mais naturais e necessários.

Acorrentar um animal demonstra, antes de tudo, o egoísmo de quem o enxerga não como um membro da família ou um ser vivo complexo, mas como um mero objeto de posse. Para essas pessoas, o cão serve apenas como um “alarme residencial” barato.

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É um fato doloroso, mas óbvio: animais acorrentados não são amados por seus responsáveis. Eles vivem destituídos de qualquer interação com humanos ou com outros de sua espécie. Suas existências são resumidas à mais profunda solidão, limitando-se a um ciclo mecânico de comer, beber água e fazer necessidades. São vidas condenadas à prisão perpétua sem jamais terem cometido crime algum, tratados como monstros.

O acorrentamento não poupa nem o corpo, nem a mente. É a imposição de um estresse psicológico extremo que destrói o animal de dentro para fora.

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O impacto do isolamento e da restrição física severa deixa marcas profundas. Coloque-se no lugar do animal por um instante: a frustração contínua gera um quadro de ansiedade crônica. Esse estresse psicológico inevitavelmente se transforma em somatização, manifestando-se no corpo através de dermatites severas e feridas autoprovocadas (por lambedura excessiva), atrofia muscular e problemas articulares decorrentes da falta de mobilidade ,infecções recorrentes devido à proximidade forçada com as próprias fezes.

Além do sofrimento físico, o confinamento forçado distorce o comportamento natural do animal. Ao perceber que está permanentemente vulnerável e sem chances de fugir ou se defender de eventuais predadores ou ameaças, o animal desenvolve um forte drive de ataque. Ele se torna nervoso, reativo e passa a viver em constante estado de alerta e defensiva.

O ser humano que submete um animal a essa condição está causando um mal irreparável. Trata-se de uma demonstração de sadismo absoluto — seja pela intenção cruel ou pela total indiferença à dor alheia.

Mudar essa realidade exige mais do que indignação; exige denúncia, fiscalização e, acima de tudo, empatia. Os animais sentem frio, fome, medo e solidão. Correntes prendem o corpo, mas destroem a alma de quem só queria espaço para correr e um pouco de afeto. É hora de libertá-los.

 

*Protetora animal/ integrante do Grupo Guardiões da Natureza de Torres

 

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Publicado em: Meio Ambiente






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