OPINIÃO – O TEMPO NÃO PARA

Dizia um poeta que ‘o vento era o sopro das almas e o tempo seu calendário’. Semana passada, dia 31 de agosto poucos lembraram dos 10 anos do impeachment da Presidente Dilma Rousseff

6 de setembro de 2026

Dizia um poeta que ‘o vento era o sopro das almas e o tempo seu calendário’. Semana passada, dia 31 de agosto poucos lembraram dos 10 anos do impeachment da Presidente Dilma Roussef, hoje Presidente do Banco do BRICS, residente na China. Tudo começou quando a bancada do PT na Câmara decidiu votar pela abertura de inquérito na Comissão de Ética contra o Presidente da Casa, o poderoso Eduardo Cunha, aliás, de volta ao noticiário político depois de alguns anos atrás das grades. É candidato a deputado em Minas Gerais e vem sendo investigado, desta vez, por usar emendas parlamentares de correligionários para comprar pequenas rádios. Dilma, na época foi acusada de crime de responsabilidade fiscal,por ter usado indevidamente o Orçamento: “pedaladas fiscais”.   Teria assinado  decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso. Nada foi provado. O impeachment foi político.  Tratava-se, simplesmente, da campanha contra o empoderamento de uma corrente ideológica progressista, liderada pelo PT e que já acumulara quatro vitórias eleitorais: 2002, 2006,2010 e 2014. Foi Aécio Neves, aliás, candidato derrotado à Presidência naquele ano, indignado, que começou a contestar a vitória de Dilma exigindo recontagem de votos.

No início, ninguém acreditava no impeachment, mas a campanha foi encorpando e culminou no isolamento da Presidenta e na abertura do impeachment em 2 de dezembro de 2015. Não se trata, aqui, de discutir se estava fazendo um bom ou mau governo. Essa avaliação cabe às urnas. Mas já estava em curso a avalanche do denominado ‘lawfare’, instrumento da guerra híbrida  que tomou conta do processo político em várias partes do mundo ocidental e acabou por projetar a extrema direita.. Naquele mesmo ano, um obscuro Juiz Federal de Curitiba já se arvorara como justiceiro e dava início às suas manobras escusas na Lavajato. O resultado, todos sabemos: Estava tudo incorreto. O processo acabou anulado. Suas ações, entretanto, acabaram contribuindo para a vitória de Bolsonaro em 2018, a cujo Governo ele foi guindado como Ministro da Justiça. Virou político. Senador. Hoje candidato ao Governo do Paraná.

Lembro de tudo isso como se fosse ontem. O país fervilhava e acabou assistindo o triste espetáculo do impeachment em que os deputados se sucediam votando em viva voz pela família, pelo “Brasil”, pela democracia, pela “justiça”. Houve até um que votou em nome da memória do famoso torturador Coronel Ustra: Jair Bolsonaro. Poucos imaginavam que ele viria a ser eleito em 2018. Era um obscuro membro do “baixo claro” da Câmara dos Deputados. E na calada daquela dantesca cena, Michel Temer, o Vice, se regozijava trazendo no colete seu Projeto de “Ponte para o futuro”, um grotesco receituário do velho Consenso de Washington, preconizando terceirizações, desestatizações, e o pior: “Teto de gastos”. O “austericídio”, que comprometia irremediavelmente a promessa constituinte de 1988 de construir no Brasil uma sociedade de bem-estar, mesmo com insuficiência de renda.

Superamos o impeachment. A trama da Lavajato foi revelada. Ficaram, certamente, cicatrizes que quase nos levam de volta à ditadura militar. Lula voltou,  foi eleito em 2022 com uma proposta mais ampla de governança, indispensável ao enfrentamento com o fascismo, Dilma está muito bem, obrigado, nós aqui, continuamos com nossa resistência democrática e estamos diante de novo desafio eleitoral. Hora de refletir.. O que queremos?




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