AS TORRES DE TORRES

"Nossas três tradicionais torres naturais (Morros do Farol, das Furnas e da Guarita) não estão sozinhas. A paisagem rochosa da cidade é bem mais complexa e existem outras formações que fazem parte desse mesmo conjunto"

FONTE DA FOTO: Guia do Turismo Brasil
15 de setembro de 2026

Afinal, quais são as Torres de Torres?

Pode parecer uma pergunta estranha, principalmente para quem nasceu ou vive há muito tempo na cidade. Mas não é tão simples assim. Nós, os mais antigos, conhecemos bem os morros — ou melhor, as torres — que deram nome à cidade. Só que, muitas vezes, elas são confundidas e até têm seus nomes trocados.

Quando se fala nas três Torres, normalmente aparecem o Morro do Farol, o Morro das Furnas e a Guarita. Mas a Guarita, aquela pequena torre de pedra que fica nas areias da praia de mesmo nome, não é uma das três Torres que deram nome à cidade.

As três Torres são a Torre Norte, correspondente ao Morro do Farol; a Torre do Meio, conhecida como Morro das Furnas; e a Torre Sul, aquela que fica mais ao sul, na direção da praia da Itapeva.

E aí talvez venha outra surpresa para quem, como eu, sempre olhou para aqueles morros como sendo simplesmente as Torres de Torres. Elas não estão sozinhas. A paisagem rochosa da cidade é bem mais complexa e existem outras formações que fazem parte desse mesmo conjunto.

Alguns conhecem um pouco mais sobre as Torres porque foram atrás da história por trás dos morros. Certamente, isso só foi possível graças a pessoas como o professor Ruy Ruben Ruschel, historiador que colocou à disposição dos torrenses um verdadeiro arsenal de documentos e livros sobre a história de Torres e da região.

Um dos primeiros documentos resultantes dessas pesquisas foi a monografia de Ruschel, publicada pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul no ano de 1961. Nesse livreto, impresso para um encontro de técnicos e autoridades que estudavam o desenvolvimento da região Nordeste do Rio Grande do Sul, aparece um estudo detalhado sobre a formação dos rochedos que fazem parte da paisagem torrense.

Diferentemente do que sugere o conhecimento popular, as três Torres não estão sozinhas na paisagem rochosa da cidade. Ruschel destaca, nesse livreto, outras formações rochosas que fazem companhia às Torres.

“A tradição local refere-se sempre a Três Torres, usadas mesmo como simbolização do município em suas estampilhas: do Norte, do Meio e do Sul. Entretanto, uma visão mais minudente nos faz distinguir outros conjuntos rochosos que pertencem ao mesmo grupo geológico.”

Ruschel, em sua monografia, além de descrever as três Torres, elenca outras formações rochosas existentes na região, conforme a ilustração ao lado.

“A Torre do Norte abarca, além da Torre propriamente dita, a adjacente Plataforma rochosa sobre que está a parte antiga do balneário, e a Lage da Praia da Cal, afloramento melafírico ao sopé da Torre. A Torre chama-se também Torre do Farol. A Torre do Meio é também conhecida por Torre das Furnas. E a Torre do Sul, por Torre de Fora. A elas se associa uma agulha lapídia de nome Guarita, situada entre ambas. Mais ao Sul, no meio de uma planície arenosa, cercada de dunas móveis, há uma calota rochosa: os Morros de Pedras do Cortume.

O grupo das Torres fecha-se pelo Sul pela Itapeva, outra lombada basáltica, e pelo Leste por uma linha de recifes a 2 km da praia, a Ilha dos Lobos.”

O documento é muito completo e entra em minúcias sobre a formação de cada uma das Torres e das outras formações rochosas. Para quem quiser entender melhor aquilo que está diante dos nossos olhos todos os dias, mas que nem sempre sabemos exatamente o que é, vale a pena procurar e ler o original.

Fonte: Monografia sobre os pilares tectônicos do litoral nordeste do RS e suas relações às variações eustáticas do nível do mar, Ruy Ruben Ruschel, 1961.




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