Festa no Pub da Ilha: local é seguro para a noite
Com a palavra: Marcos Vinício Machado, do Pub da Ilha
Segundo Marcos Vinício Machado, proprietário do Pub da Ilha, seu estabelecimento está adequado em relação as normas de segurança necessárias para o funcionamento de uma casa noturna. Ele afirma que, na quinta-feira anterior a do crime de Santa Maria, foi feita uma revista no estabelecimento pelo Corpo de Bombeiros de Torres, que constatou que estava tudo em ordem. "O alvará está em dia, aprovado tanto pelo corpo de bombeiros quanto pela prefeitura, estando assim de acordo com as normas".
Marcos cita que o seu estabelecimento conta com 2 portas de emergência com barra antipânico – que abrem facilmente em uma situação de risco – além de duas saídas de emergência, dispostas em diferentes pontos do local. " Jamais colocamos no dentro do estabelecimento um número de pessoas que fosse acima do seguro. Dentro da casa, há ainda uma quantidade de extintores acima do exigido pela legislação, além de luz de emergência. E não há nenhum tipo de isolamento acústico inflamável (como ocorreu na boate Kiss)".
Outras medidas de conforto e segurança instaladas no Pub da Ilha são o sistema de circulação de ar com 3 exaustores e 2 insufladores. "A cada 2 minutos e meio, todo o ar é trocado. Jamais haveria uma situação de excesso de fumaça dentro da casa". O proprietário do estabelecimento afirma também que vai passar a adotar, a partir do próximo evento da casa noturna, uma gravação aos seus clientes especificando os procedimentos de segurança a serem seguidos em caso de pânico.
"Estamos todos em luto pela tragédia de Santa Maria, e por isso não iremos abrir a casa no final de semana. Porém, particularmente, acho que realizar pirotecnia dentro de um estabelecimento fechado é uma falta grave, que pode colocar muita gente em risco e deve ser considerado crime. Infelizmente, temos que passar por uma situação triste dessas para começar a pensar o assunto mais a sério", lamenta Marcos, que pensa que as casas noturnas vão ter que se adequar a uma legislação mais rígida, "mas o público também vai ter que se adequar a lugares menos cheios, uma festa não deve estar lotada para ser boa. Não basta cumprir a legislação burocraticamente, tem que cumprir de forma prática", finaliza.
Com a palavra: Gibraltar Vidal, do Bora Bora
Além do Pub da Ilha, outras três casas noturnas de Torres concordaram em fazer um luto coletivo neste final de semana: O Saloon Velho Hotel, a New House e o Bora Bora. O jornal A FOLHA conversou também com o vereador e proprietário do Bora Bora, Gibraltar "Gimi" Vidal, que explicou que seu alvará de segurança também está em dia. "Somos uma casa noturna tradicional na cidade, e cumprimos também nosso papel turístico, auxiliando o desenvolvimento turístico de Torres. Assim sendo, sempre assumimos a segurança de nosso público como uma prioridade absoluta, e portanto nos responsabilizamos por estar com os alvarás sempre em dia".
Gimi relata que a estrutura do Bora Bora possui saída de emergência com porta anti pânico, iluminação de emergência, extintores adequados para os diferentes espaços da casa, hidrante próximo ao local (instalado pelo próprio estabelecimento), mangueira de incêndio, tudo de acordo com o esperado pela legislação. O proprietário da boate afirma que é importante que as casas noturnas assumam responsabilidade com as normas de segurança, mas questiona a ‘caça as bruxas’ que definiu as casas noturnas como grandes vilãs após a tragédia de Santa Maria.
"Não são apenas as casas noturnas que devem ser fiscalizadas, muitos estabelecimentos comerciais e residenciais não respeitam as normas de segurança exigidas, o que colocaria vidas em risco em uma situação de emergência. São edifícios comerciais, supermercados, teatros não são corretamente vistoriados, além das festas itinerantes que ocorrem esporadicamente em locais sem segurança, reunindo centenas de pessoas. í‰ hipocrisia das pessoas pensar apenas em fiscalizar rigidamente as casas noturnas, esquecendo-se dos outros estabelecimentos", finaliza Gimi.
Com a Palavra: Gilberto Padilha, gerente de fiscalização da prefeitura
Gilberto Pereira Padilha é gerente de fiscalização da Administração Municipal de Torres, e indica que já é realizado um rigoroso processo pela prefeitura para fiscalizar os alvarás concedidos, "Se há caso de irregularidades em relação a algum alvará municipal (que além da segurança, diz respeito a questíµes como fiscais e estruturais) , é feita primariamente uma notificação, e o local em questão terá um prazo para se regularizar. Não sendo feita a regularização, o estabelecimento será interditado. Também podemos fazer uma interdição imediata no caso do estabelecimento apresentar irregularidades graves.
Em relação as casas noturnas de Torres, Gilberto afirma que, a partir do precedente aberto com a tragédia de Santa Maria, a fiscalização será ainda mais intensificada nestes estabelecimentos. "Fazendo uma metáfora, o lamentável caso de Santa Maria simboliza um vulcão que entrou em erupção em relação as casas noturnas, e por isso iremos nos reunir com o secretário Grazziotin (da pasta relacionada fiscalização do município) para definirmos uma fiscalização mais sistemática em locais onde haja grande concentração de pessoas. Além do mais, deve ser estabelecida uma parceria maior entre a prefeitura municipal e o corpo de bombeiros para que haja maior sintonia na fiscalização, em prol da segurança dos cidadãos não apenas em casas noturnas, mas em qualquer estabelecimento comercial".
O gerente de fiscalização da prefeitura cita um exemplo de um estabelecimento cujo alvará foi indefirido: o circo montado junto ao Parque do Balonismo foi momentaneamente interditado por não apresentar a documentação necessária para garantir a segurança dos seus clientes.
Corpo de Bombeiros
O Corpo de Bombeiros de Torres é o responsável por verificar problemas em casas noturnas e outros estabelecimentos, bem como pelo alvará de segurança contra incêndio. O jornal A FOLHA tentou contatar, por 3 dias, o Major Renato, comandante-chefe do Corpo de Bomeiros de Torres e que responde pelas açíµes na cidade. Porém, o mesmo encontrava-se a serviço em Tramandaí, e por isso não temos o parecer da instituição.


