5 de março: UM LIDER MORREU

9 de março de 2013

   

 

Imagem de Carta Capital

 

Parafraseando a jornalista da Carta Capital CynaraMenezes, "Há polí­ticos e há os Hugo Chávez, que aparecem uma vez na vida de um paí­s, para o bem e para o mal “ e Chávez, com todos os defeitos que pudesse ter, foi para o bem. O mundo fica pior quando um polí­tico assim se vai. í‰ o tipo de homem público que tem ideias próprias, que não teme desafios, que tem sonhos, objetivos de transformação. Um lí­der latino-americano tão importante para o equilí­brio do poder no mundo que só se vai reconhecer seu papel histórico, estou segura, alguns anos mais para a frente. Um homem de Esquerda, com letra maiúscula. Sobre isso não resta nenhuma dúvida". Não mudaria uma palavra das palavras de Cynara.

Mas para manter meu dever cí­vico como jornalista, não posso deixar de expor o um ponto de vista diferente a respeito de Hugo Chaves. A revista Veja citou a organização Human Rights Watch (HRW)   que afirmou que o lí­der boliviano deixa um legado autoritário na Venezuela após sua morte. A ONG de defesa dos direitos humanos, uma das maiores e mais respeitadas do mundo, lamentou a "aberta indiferença" do coronel venezuelano pelo tema: "A Presidência de Hugo Chávez (de 1999 a 2013) esteve marcada por uma alarmante concentração de poder e indiferença absoluta pelas garantias básicas de direitos humanos", afirmou a entidade em comunicado divulgado após a morte do venezuelano.

A Morte de Chaves

 

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, morreu na tarde desta terça-feira (5), aos 58 anos, na capital Caracas, após mais de um ano e meio de luta contra o câncer.A morte ocorreu í s 16h25 locais (17h55 de Brasí­lia), segundo o vice-presidente Nicolás Maduro, herdeiro polí­tico de Chávez, que fez o anúncio em um pronunciamento ao vivo na TV."Nesta dor imensa desta tragédia histórica que hoje toca a nossa pátria, nós chamamos todos os compatriotas, homens, mulheres de todas as idades, a ser vigilantes da paz, do respeito, do amor, da tranquilidade desta pátria", disse.

"Pedimos ao nosso povo para canalizar nossa dor em paz e tranquilidade. Suas bandeiras serão erguidas com honra e com dignidade", complementou Maduro. "Vamos ser dignos herdeiros filhos de um homem gigante como foi e como sempre será na memória o comandante Hugo Chávez."

Chávez estava internado em um hospital militar na capital, Caracas. Na véspera, um boletim médico pessimista havia relatado uma piora no seu estado de saúde.Ao fazer o anúncio nesta terça, o vice Maduro mandou as Forças Armadas para as ruas, para garantir a segurança.

Segundo o site G1, o clima da população na capital, Caracas, inicialmente era de apreensão e silêncio, í  espera dos próximos acontecimentos. Após o anúncio da morte, uma confusão tomou as ruas, além de filas nos postos de gasolina. A população dividida entre chavistas e antichavistas ainda assimilava a notí­cia.

Com a morte de Chávez, a Constituição da Venezuela prevê a realização de novas eleiçíµes presidenciais no prazo de 30 dias. O chanceler Elí­as Jaua afirmou que Maduro assume o poder e que novas eleiçíµes serão convocadas para dentro daqui um mês.Espera-se que o Tribunal Supremo de Justiça, principal corte do paí­s, pronuncie-se sobre os próximos passos da sucessão.

O vice Maduro, de 50 anos, é apontado como candidato presidencial quase certo do governista PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela).Ele deve enfrentar a Henrique Capriles, oposicionista derrotado por Chávez nas urnas em outubro.

Após o anúncio da morte de Chávez, Capriles adotou um tom conciliador e falou em união nacional e solidariedade.

A luta contra o câncer havia impedido Chávez de tomar posse em 10 de janeiro deste ano, depois da reeleição obtida em outubro de 2012 para um novo mandato de seis anos, em que se vislumbrava a chance de completar 20 anos de chavismo.

Em janeiro, a Assembleia Nacional concedeu ao presidente uma permissão indefinida de ausência do paí­s para tratar a doença, em Cuba, enquanto o Tribunal Supremo autorizou que a posse de Chávez fosse adiada para quando ele tivesse condiçíµes de saúde.

A oposição protestou fortemente contra essas decisíµes, exigindo que o governo desse informaçíµes mais claras sobre o estado de saúde do lí­der e sobre se ele tinha condiçíµes de continuar no governo, e clamando pela realização de novas eleiçíµes se necessário. O governo retrucava pedindo "tempo" e "respeito í  privacidade" do Chávez convalescente e acusando a oposição de tentativas de desestabilização.

 

Repercussão internacional

 

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, disse que a morte de Chávez "deve encher de tristeza todos os latino-americanos".A presidenta brasileira, bem como os presidentes do Uruguai, Jose Mujica, da Bolí­via, Evo Morales, e da Argentina, Cristina Kirchner, aliados de Chávez, participaram do enterro nesta sexta-feira, em Caracas.

Enfatizando a tristeza com a morte do chefe de Estado venezuelano, Lula expressou solidariedade com o povo venezuelano e disse ter orgulho de ter trabalhado com Chávez pela integração dos povos latino-americanos e por um mundo mais justo.

Após o anúncio da morte de Chávez, o presidente dos EUA, Barack Obama, divulgou nota dizendo que deseja um "novo relacionamento" construtivo com a Venezuela, rival aberta dos norte-americanos durante os governos de Chávez.

 

Bibliografia de um bolivariano

 

Filho de professores, Hugo Rafael Chávez Frias foi criado pela avó paterna. Estudou na cidade de Barinas e era amante dos esportes, em particular do baseball.

Aos 17 anos, Chávez ingressou na Academia Militar da Venezuela, onde se graduou em 1975 em ciências e artes militares, ramo de engenharia. Prosseguiu na carreira militar, atingido o posto de tenente-coronel. Casou-se duas vezes: a primeira com Nancy Colmenares, (com que teve três filhos) e a segunda com a jornalista Marisabel Rodrí­guez, de quem se separou em 2003 (e com quem teve uma filha). Segundo o site Uol, manteve ainda uma relação amorosa durante cerca de dez anos com a historiadora Herma Marksman enquanto era casado com a sua primeira esposa.

No dia 4 de fevereiro de 1992, Chávez fracassou em um golpe de Estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez. Detido, passou dois anos na cadeia. Foi libertado após o afastamento de Pérez, graças a uma anistia do novo presidente Rafael Caldera. Chávez   então abandonou a vida militar para se dedicar í  polí­tica.

 

Presidencia e estatizaçíµes

 

Em 1997 fundou o Movimento 5 ª República. Nas eleiçíµes para a presidência, em 1998, Chávez venceu com 56% dos votos, após uma campanha contra os partidos tradicionais e promessas de combater a pobreza e a corrupção.

Logo que tomou posse, em fevereiro de 1999, dissolveu o Congresso e convocou uma Assembléia Nacional Constituinte. A nova Constituição, aprovada por referendo em dezembro do mesmo ano, alterou o nome do paí­s para República Bolivariana da Venezuela, ampliou os poderes do Executivo, permitiu uma maior intervenção do estado na economia, além de eliminar o Senado e reconhecer direitos culturais e lingí¼í­sticos das comunidades indí­genas.

Chaves convocou ainda novas eleiçíµes para presidente, em 2000, nas quais foi releito com 55% dos votos. Apoiado na Ley Habilitante (por ele criada), ele pode promulgar 49 decretos em um ano, sem necessitar de aprovação da Assembléia Nacional. Entre estes decretos estavam a Lei de Hidrocarbonetos, que fixava a participação estatal no setor petrolí­fero em 51%, e a Lei de Terras e Desenvolvimento Agrário, prevendo a expropriação de latifundiários.

As novas leis foram contestadas pelos empresários, sindicatos, Igreja e televisíµes privadas, que acusavam o presidente de querer tornar a Venezuela um paí­s comunista.No dia 10 de dezembro de 2001, a Federação de Câmaras, de Comércio e Produção (Fedecámaras), que agrupa os setores empresariais do paí­s, juntamente com a Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV) convocaram uma greve em protesto contra as medidas governamentais, mas não conseguiram revogar as leis aprovadas.

No final de fevereiro de 2002, Chávez substituiu os gestores da companhia estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) por pessoas da sua confiança, o que gerou profundas crí­ticas. O descontentamento com a liderança de Chávez começou a atingir alguns setores do exército e antigos companheiros.

 

Golpe de estado

 

A CTV convocou uma greve para o dia 9 de abril de 2002. No dia 11, um grupo de manifestantes marchou até o palácio presidencial para pedir a demissão de Chávez, que se encontrava numa contramanifestação de apoio. Quinze pessoas acabaram mortas e mais de 100 feridas em confrontos. No dia seguinte o general Lucas Rincón, chefe das Forças Armadas, anunciou que Chávez se tinha demitido, tendo o presidente da Fedecámaras, Pedro Carmona, assumido a presidência.

Soldados leais a Chávez organizam um contragolpe, tomaram o Palácio de Miraflores e Diosdado Cabello, vice-presidente de Chávez, assumiu a liderança temporária do paí­s. Nas horas seguintes Hugo Chávez foi libertado da prisão na ilha de La Orchila e regressou a Caracas para retomar a chefia do Estado.

Em outubro de 2002 uma nova greve paralisou o paí­s durante nove semanas. A Coordinadora Democrática (uma coligação de partidos contra o governo chavista) pediu que fosse feita uma consulta popular na qual os venezuelanos se pronunciariam sobre a permanência ou não de Chávez no poder. O referendo de 15 de agosto de 2004 mostrou que 58,25% dos votantes apoiavam sua permanência na presidência até o fim do mandato, que ocorreria em dois anos e meio.

Em 2005 a oposição boicotou as eleiçíµes parlamentares, acusando as autoridades eleitorais de não serem imparciais. Seguidores de Chávez ocuparam todas as vagas. Em 2006 Chávez conquistou mais um mandato nas urnas, disputado com Manuel Rosales, lí­der da oposição.

Com suas polí­ticas assistencialistas, Chaves obteve grande popularidade na Venezuela. Entre suas açíµes contraditórias, fundiu vários partidos de esquerda no PSUV, centralizou o poder e controlou a Assembleia Nacional, o Supremo Tribunal de Justiça, o Banco Central da Venezuela e a indústria petrolí­fera do paí­s. Também não pode negar-se que Chávez promoveu internacionalmente o antiamericanismo e o anticapitalismo (seja isso bom ou ruim), apoiou a autossuficiência econí´mica e defendeu a cooperação entre as naçíµes pobres do mundo, especialmente aquelas da América Latina. Sua atuação na região incluiu a criação da ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América“ Tratado de Comércio dos Povos) e o apoio financeiro e logí­stico a paí­ses aliados.

 

 

 


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