EDITORIAL – Governo, sindicato, máfia…

20 de março de 2013

   

 Mais duas notí­cias da semana mostram que o governo do Rio Grande do Sul coloca acima de tudo seu papel de sindicalista da corporação dos funcionários públicos estaduais.   Por um lado a Assembléia Legislativa aprova o aumento dos subsí­dios do Judiciário e do MP. Por outro, o Conselho Nacional de Justiça, baseado na nova lei da transparência, vigente em toda a nação, manda que o Tribunal de Justiça do RS cumpra a lei e divulgue abertamente o salário, os benefí­cios e penduricalhos ao lado do nome da cada servidor estadual. Mas mais uma vez o RS mostra sua cara. Aprova o aumento dos subsí­dios de mais uma categoria, engessando mais uma vez as finanças públicas locais e se nega a abrir para a sociedade   o acesso í  informação dos salários dos servidores, pagos com impostos pesados que assolam os bolsos dos contribuintes que produzem .

Esta atitude de Estado no RS estampa mais uma mazela de um governo pesado, inchado, ineficiente e corporativo. Mais uma vez se vê um   Estado que não trabalha uma ví­rgula sequer no sentido de diminuir despesas; não enfrenta a previdência pública e o necessário embate social entre as cúpulas corporativas dos três poderes, no sentido de reestruturar a viciada máquina de remunerar cada vez melhor o topo da pirâmide dos três poderes – e sacrificar os menores salários públicos como um todo; enfim,  trabalha ao contrário do objetivo que foi formatado,  olhando somente para um lado: o aumento de receitas, geralmente conseguido através do aumento da já extorsiva carga tributária dos brasileiros, principalmente dos gaúchos.

O governo do Rio Grande do Sul é formado por 19 secretarias de Estado e 9 secretarias ligadas a governadoria do Estado;  3 estruturas ligadas ao Gabinete do vice-governador e 6 estruturas ligadas ao Gabinete do Governador. Não enxergamos ultimamente, em nenhum horizonte, após a passagem dos últimos governantes no poder (vindos de todas as frentes polí­ticas do Estado) sequer uma fagulha de espí­rito de responsabilidade fiscal, no sentido de colocar nossas finanças públicas e naturalmente o plano de cargos e salários dos servidores estaduais, principalmente das cúpulas de todos os poderes, no lugar do tamanho da capacidade e  da realidade das receitas ordinárias locais.

Ao contrário, o último governo ainda aumentou o número de secretarias e contratou mais um grande naco de CCs caros para preencher rapidamente o esforço do governo anterior, de Yeda Crusius, que diminuiu despesas caminhando ao menos com a vontade de colocar as finanças locais nos eixos.  E todos os poderes estabelecidos no RS, para provar cabalmente sua vontade coorporativa, se negam a abrir para a sociedade os salários de seus servidores. Afirmam que a atitude pode prejudicar funcionários públicos por abrirem sua intimidade, quando se sabe que no fundo são os Marajás, justamente í queles que ganham muito mais do que merecem, que estão por trás desta censura pública.

Um sindicato. í‰ isto. Os últimos governos estaduais no RS têm se comportando como um sindicato que milita a favor da continuidade do ciclo vicioso de conseguir empregos com salários polpudos para partidos polí­ticos alinhados; e manter o estabelieshment das cúpulas dos três poderes do Estado, remunerando com diferença abismal os chefes e sacrificando a base de serviços essenciais sociais como  os da Educação, da Saúde, da Segurança e nos serviços que projetam a infraestrutura local. As colunas de debate sobre os problemas que afunilam estampadas na mí­dia se transformaram em um espaço de debate sobre os aumentos salariais das corporaçíµes publicas do RS, quando se sabe que, afinal,  sempre serão dados TODOS os benefí­cios requeridos pela parte demandadora.  Não se discute mais investimentos no RS. Simplesmente porque nunca sobre dinheiro. Ele é consumido pelos salários e benefí­cios dos servidores, de todas as instâncias e de todos os poderes constituí­dos.

O Estado, a Assembléia Legislativa, o Judiciário, o Ministério Público, a cúpula do CPERGS, a cúpula da Brigada Militar, a cúpula da Polí­cia Civil, dentre outras cúpulas, brincam de dirigir, mas, no fundo, se comportam como sindicalistas aumentando emprego & renda de servidores í  serviço de seus salários, sem medir o impacto que os aumentos projetam nas contas públicas, muito menos se preocupando com o engessamento das finanças e com a falta de dinheiro para Saúde, Educação, Segurança e infraestrutura. O Estado e o governo estadual são os lí­deres sindicais. São, no fundo, os lí­deres maiores de novelas que começam e terminam sempre com o final previsí­vel: a continuidade e o maior sacrifí­cio da sociedade trabalhadora em prol de vantagens aos trabalhadores e dirigentes do setor público.  


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