DA BEIRA MAR ‘ABANDONADA’ AS EXPECTATIVAS PARA O FUTURO

6 de abril de 2013

 

 

grandes e antigos buracos são retrato do descaso na avenida Beira Mar

 

Apesar das expectativas da gestão passada, projeto de revitalização da orla, que foi iniciado em 2011, continua até agora apenas parcialmente concluí­do.

 

Projeto de revitalização da Orla…

 

No segundo semestre de 2011, aconteciam as obras de revitalização da Avenida Beira-Mar e   do calçadão de Torres. Conforme divulgado pela prefeitura municipal na época, o projeto Nova Orla de Torres era amplo, e previa diversas reformas: revitalização do calçadão, construção de ciclovia, novo sistema de drenagem pluvial e de iluminação pública, asfaltamento das pistas, novo mobiliário urbano e projeto paisagí­stico.

Após vários meses de projetos, trabalhos e alguns atrasos, parte da obra foi concluí­da em dezembro de 2011. Além disso, a administração municipal na época informou ao Jornal A FOLHA que os outros três trechos de restauro do calçadão (entre a Praia Grande e o Rio Mampituba) iriam continuar inclusive durante o veraneio de 2012. As obras não irão parar durante a temporada de verão, a meta é que o calçadão seja revitalizado até o Rio Mampituba o quanto antes.

 

…um ano e três meses depois

 

Pouco mais de um ano e três meses se passaram desde então, e o que temos? O calçadão continua em estado deplorável a partir do local onde as obras foram interrompidas em dezembro de 2011. Obras estas que deveriam terminar ‘o quanto antes’, mas que nem continuaram durante o veraneio de 2012 nem recomeçaram durante todo o ano passado.

Da tão falada ciclovia, não há nem sinal. Para o cidadão desavisado, é como se o projeto de uma ciclovia na orla de Torres não houvesse sequer existido. "Nem sabia da  ideia  desta ciclovia. Durante o inverno, a ciclovia não faz tanta falta na beira mar, mas no verão fica difí­cil achar espaços para trafegar com a bicicleta, em meio a tantos gente que enche o calçadão", indicou Jussara, moradora do Passo de Torres, que trafega frequentemente pela avenida Beira Mar com a sua bicicleta.

Já o asfaltamento da avenida Beira Mar, que realmente ficou muito mais bonito e seguro após a reforma na Prainha e num pequeno trecho da Praia Grande, continua sendo o retrato do descaso no trecho não finalizado: são grandes e antigos buracos, além de desní­veis perigosos que pioram ano a ano, em decorrência do desgaste da pista. "Eu não tenho muitos problemas porque já decorei onde estão os buracos, e dirijo com cautela na av. Beira Mar. Porém, para um turista que não conheça bem o local, os buracos e desní­veis podem ser razão para acidentes", indicou o comerciário torrense Márcio Santana.

Além disso, a iluminação de parte da orla foi efetivamente trocada, com novos postes sendo instalados, bem como lixeiras de plástico e bancos. Porém, estes bens públicos, que deveriam ser um benefí­cio para o cidadão torrense, acabaram sendo depreciado pela ação de vândalos, que depredam sistematicamente as frágeis lixeiras (espalhando lixo pelo chão), empilham bancos uns sobre os outros (numa anarquista forma de arte marginal) e quebram lâmpadas.Já a iluminação não foi considerada satisfatória pela nova administração municipal, que decidiu trocar os postes de luz da orla, inclusive aqueles instalados há pouco mais de um ano.

 

Verba não foi liberada pela Caixa, e dinheiro foi estornado

 

O jornal A FOLHA conversou com o atual secretário municipal de Planejamento, Carlos Cecchin, que deu explicaçíµes sobre a paralisação do projeto de revitalização da orla de Torres. Segundo o secretário, se as obras da administração passada fossem feitas de acordo com o projeto inicial, a revitalização da orla poderia já estar finalizada. "Do que havia no projeto inicial, cerca da metade foi parcialmente concluí­da. Digo parcialmente porque   a ciclovia acabou não sendo feita em decorrência de um erro no projeto. Faltou fiscalização das obras, e com isso a Caixa Econí´mica Federal, responsável por liberar os recursos conquistados por meio de emendas parlamentares, informou que não liberaria a verba para a revitalização da orla até que o projeto fosse readequado. A administração passada então readequou o projeto da orla, que já foi   novamente entregue para a Caixa".

Carlos indicou que o projeto inicial de revitalização previa que a ciclovia era para ser mais alta do que a rua, e o calçadão ficaria num ní­vel ainda mais alto que a ciclovia. Porém, a ciclovia acabou não sendo feita por um problema técnico, a readequação do projeto demorou mais tempo do que o esperado e as eleiçíµes municipais chegaram (quando fica proibido inaugurar novas obras públicas). A consequência desta sucessão de fatos acabou tendo uma péssima consequência para Torres, conforme afirma o atual secretário do Planejamento. " Para um dos trechos da obra na Praia Grande (da rua Leonardo Truda até o De Rose Hotel), faltou apresentar o projeto até junho, como previa a Caixa, e cerca de R$ 1 milhão foi perdido (estornado) em decorrência deste atraso", lamenta Carlos.

Apesar desta perda substancial, o secretário afirma que a atual administração municipal está correndo atrás de recursos para poder dar continuidade a este trecho do projeto. "E o trecho que vai dos Molhes até aproximadamente o Hotel De Rose deve ter suas obras iniciadas até o mês de junho, com revitalização do calçadão e da avenida Beira Mar.", explica Carlos, complementando ainda que a mesma empresa responsável pelo projeto inicial da revitalização da orla irá dar continuidade ao projeto.

 

Troca de Postes e Vandalismo  

 

Sobre a troca dos postes na orla, apesar de muitos destes terem sido instalados há menos de um ano e meio, Carlos Cecchin explica que "as luminárias atuais eram consideradas bonitas, mas pouco eficientes. Além disso, por serem muito baixas, ficavam a mercê de atos de vandalismo. Por isso a prefeitura planeja trocar os postes por outros mais altos, já utilizados em diversas cidades turí­sticas do paí­s. Porém, os postes que hoje estão na Praia Grande e na Prainha serão reaproveitados,   em praças e ruas principais como a Barão do Rio Branco, que também passarão por revitalização", indica o secretário de planejamento.

E em relação os recorrentes atos de vandalismo, que acontecem quase que sistematicamente no calçadão, Carlos indica que trata-se de um problema de conscientização e educação. "Estas pessoas que cometem atos de vandalismo acabam prejudicando a todos os cidadãos. Mas é um dever de nós todos, e principalmente das famí­lias e da escola, trabalhar para que haja uma maior conscientização de que o bem público é um bem de todos", finaliza.

muito do projeto original da revitalização na orla de Torres ficou apenas no papel


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