EDITORIAL – O diabo” estáno radicalismo

8 de abril de 2013

 

Os embates em vários ní­veis da sociedade em torno da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal pode servir como o iní­cio de um novo, mas antigo, dilema da polí­tica mundial, agora mais bem discutido no Brasil.

A forma insistente em que o deputado Marco Feliciano e seus correligionários ocupam espaço em uma comissão criada exatamente para defender a sociedade de pessoas radicais como ele mostra uma espécie de censura institucionalizada. Serve para tentar bloquear os debates a respeito da modernização dos costumes na sociedade brasileira. Trata-se de um antigo debate mundial, onde a sociedade procura manter separadas as questíµes de religiosidade das leis dos homens, mas por outro lado, setores xiitas insistem em misturar as coisas. Querem que leis sejam feitas baseadas em escritas religiosas e suas várias interpretaçíµes, muitas confrontantes, o que, inclusive deu espaço para o surgimento de várias outras religiíµes pelo mundo.

Acontece que existe, também, um lado xiita nos defensores do Estado laico. E as comissíµes de direitos humanos infelizmente são dominadas por estas minorias, que defendem de forma mais belicosa o término de alguns preconceitos enraizados na sociedade. E, ao serem mais aguerridos, acabam fazendo justamente o que o outro lado (o lado xiita dos religiosos no poder) milita. Assim como os religiosos querem tornar lei dos homens questíµes subjetivas e interpretaçíµes de escritas de várias seitas, os radicais leigos querem entrar nas igrejas e proibir que seus padres, pastores e militantes dêem seu recado í  seus seguidores.

São dois extremos de tendência ditatorial, outra das principais mazelas do mundo, mazela esta que ocasionou, ocasiona e sempre ocasionará as guerras entre naçíµes ou as revoluçíµes internas dos paí­ses. São grupos de pessoas que não se satisfazem em ter liberdade de ir e vir: querem mexer na cumbuca alheia.

E o pior de tudo isto é a entrada destas duas correntes radicais (religiosos xiitas e laicos xiitas) nos partidos polí­ticos da nação. Além de as agremiaçíµes aceitarem estas correntes radicais em suas nominatas oficiais, sempre de olho nos votos e o consequente poder futuro conquistado pelos fiéis de ambas as partes, partidos polí­ticos podem estar se tornando novas seitas. Utilizam as regras eleitorais para criarem frentes de batalha. E a sociedade pací­fica tem de engolir mais este sapo.

Por exemplo: o conflito em torno dos direitos dos homossexuais deixou de ser algo de interesse restrito. Ele se tornou a ponta de lança de uma profunda discussão a respeito do modelo de sociedade que queremos. A luta dos homossexuais por respeito e reconhecimento institucional pleno é, atualmente, o setor mais avançado da defesa por uma sociedade igualitária e livre da colonização teológica de suas estruturas sociais. Mas os radicalismos de ambos os lados atrapalham… O diabo é o radicalismo.

 Os militantes radicais da causa não se satisfazem em obter direitos civis igualitários. Querem criminalizar pastores que condenam as almas das pessoas que escolhem ter relaçíµes sexuais e amorosas com pessoas do mesmo sexo. Já os militantes das religiíµes, não se conformam também em somente poder ter liberdade de pregar seus credos dentro das igrejas. Querem fazer leis discriminatórias, tirando direitos civis das pessoas. Trata-se claramente de lados fascistas dos grupos, mas que infelizmente acabam protagonizando o debate principal. Este é, foi, e sempre será o tema que origina as guerras e o tema que origina sociedades com governos ditadores.

Ao exigir respeito e reconhecimento, os homossexuais, que não querem guerras, mas direitos sociais, acabam não tendo paz… Ficam no meio de uma guerra de egos doentios. E a sociedade, ao invés de avançar em modernidades, perde-se em retrocessos. Retira de armários esqueletos preconceituosos e aciona lados doentios de simples viventes, facilmente conquistados por posiçíµes radicais, justamente por serem frágeis em suas formaçíµes.

Há de se dar um basta nisto. O debate deve ser aberto e sem preconceito, de ambas as partes. Mas a sociedade deve se comportar de forma firme e não deixar que militâncias radicais a contaminem. Os partidos polí­ticos poderiam, por sua vez, colocarem em seus estatutos a proibição de entradas estratégicas em cumbucas alheias. Deveriam proibir que fatores subjetivos religiosos entrassem em leis e proibir que leis sejam feitas para eliminar religiíµes e a liberdade delas de militar pelo que acreditam.  


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados