Está mais uma vez em debate no Congresso Nacional a questão do financiamento público de campanha. Além de outros pontos que estão sendo debatidos na Reforma Política, em pauta lá em Brasília, parece que é este o que a maioria do político quer aprovar, o que não é de se surpreender, pois é a forma dos brasileiros darem mais uma força para a categoria em seus intentos profissionais.
Mas é importante que a sociedade tenha em mente outra mazela dos certames eleitorais. A compra institucionalizada dos votos. O governo, principalmente o atual, do PT, usa como bandeira de seu plano de trabalho a distribuição de bolsas de auxílio, com transferência direta de renda. Embora não seja do PT esta descoberta, que teoricamente é uma fórmula de tentar incluir socialmente pessoas através de dinheiro nas contas, é o partido que está no poder atualmente que surfa na autoria original do sistema, já que hoje atinge mais de 50 milhíµes de pessoas em toda a nação. Portanto, tirar a obrigatoriedade de votar seria a única forma de qualquer partido tirar proveito desta compra de votos institucionalizada, compra de votos legalmente estabelecida, provada cabalmente por projeto de lei.
Talvez este tipo de submissão do inculto povo ao governo no poder seja muito mais sério do que uma obrigação teórica de votar em um candidato í qualquer cargo quando ele compra voto e paga para que nele os aproveitadores ingênuos do sistema votem (a chamada compra de votos, sempre reclamada em todos os pleitos). í‰ que as bolsas de transferência de renda são sistêmicas. Entram no orçamento das famílias brasileiras e, como em qualquer orçamento familiar, ficam imprescindíveis. Qual a família que pode abrir mão de um repasse mensal na conta de seus membros? Como podemos (povo brasileiro culto), acreditar que uma família inteira irá votar em um programa de governo que sugere que sejam retirados os repasses diretos de renda? E como uma família irá se sentir ao negar apoio í partidos que se dizem donos do programa assistencialista? Só retirando a obrigatoriedade de votos.
O ideal seria a proibição na nação de distribuição de bolsas de transferência de renda por parte de qualquer governo. Substituí-las, por exemplo, por programas coletivos como restaurantes populares, supermercados subsidiados, desconto em conta de luz e água subsidiadas pelos governos í s companhias que operam os serviços essenciais, dentre outros, são fatores que poderiam ajudar muito mais as famílias pobres. Ao invés dos beneficiários terem a liberdade de usar seu dinheiro em cachaça ou salgadinhos artificiais (como muitos o fazem), teriam a chance de se alimentar e de terem energia e água em casa. Mas esta é uma discussão ideológica que sempre terá dois lados. Um que acredita que se deve dar ambiente estrutural aos pobres; outra achando que se deve dar dinheiro. Mas obrigar a pessoa a votar é o mesmo que exigir que o sujeito que vendeu seu voto em uma eleição, comprove que votou no candidato com registro em cartório. O pobre incauto se vê amarrado em duas correntes. Uma que diz a ele que o partido que está no poder é o único que vai manter a mesada em dinheiro de sua família. Outra, que obriga a esta pobre alma a ir í s urnas, num recado próximo do Comunismo, o sistema que não deixa seus súditos saírem do país: mantêm-nos presos como animais em zoológico.
A coisa funciona mais ou menos assim: Um partido implanta um programa de governo de repasse direto de dinheiro para o povo. Após isto, basta aumentar o benefício conforme necessidade eleitoral. Não é por acaso que em anos eleitorais o Bolsa Família recebe aumentos mais polpudos… Ai, os candidatos do partido que se diz dono do pacote de benefícios prometem melhorar ou aumentar o programa em troca de voto nas urnas. E lembram que votar é obrigatório, que deixar de votar incide em perdas de benefícios oficiais. Ta feita a festa… Basta correr para o abraço…
í‰ iminente que a obrigatoriedade do voto seja derrubada antes de qualquer reforma política. O sistema da forma que se está projetando, praticamente dá espaço para a permanência no poder de quem lá o está, independente de partido e muito menos independente da salubridade do plano de governo marqueteado. Basta alimentar as 40 milhíµes de pessoas dependentes da Mesada Oficial


