EM BUSCA DE SOLUí‡í•ES: secretária aponta diversas mazelas da saúde em Torres

22 de abril de 2013

 

 Secretária da Saúde, Karla Matos foi a Câmara dos Vereadores falar sobre os desafios de gerir a pasta, respondeu perguntas dos parlamentares e ouviu sugestíµes  

 

Na última segunda-feira (15), durante a sessão da Câmara dos Vereadores de Torres, a secretária de Saúde de Torres, Karla Mattos, utilizou a tribuna popular para informar aos vereadores e muní­cipes sobre a situação da pasta da Saúde em Torres. Karla, que assumiu o cargo no dia 1 de janeiro, fez um balanço sobre os seus pouco mais 100 dias de trabalho, e ressaltou as dificuldade em gerir aquela que, geralmente, é a secretaria mais difí­cil de ser administradas pelo poder público de qualquer cidade brasileira.

"Uma pessoa não entrará em um posto de saúde ou hospital com alegria, ela entrará buscando solucionar seus problemas, e muitas vezes demanda por uma solução urgente", ressaltou Karla. "Entramos em contato com muitas pessoas insatisfeitas com o sistema de saúde municipal, mas a missão da secretaria é tentar fazer sempre o melhor para acolher as pessoas que precisam de ajuda, usando da melhor forma os recursos disponí­veis." indicou a secretaria.

 Mas o problema para Karla, como para a maioria dos gestores da saúde pública no Brasil, é que as verbas destinadas para a área são geralmente insuficientes frente aos grandes gastos. Isso porque, além da necessidade da saúde pública em ter recursos para seduzir os ultra-valorizados médicos a trabalharem, há ainda os investimentos constantes com a manutenção e compra dos caros aparelhos médicos, os custos na aquisição de medicamentos, etc.

 

FITAS PARA TESTE DE GLICOSE

 

Em seu discurso, Karla passou um sentimento de transparência e honestidade em relação ao seu trabalho, não buscou esconder as mazelas que enfrenta na secretaria da saúde. Meu papel não é me eximir de culpa, mas sim buscar soluçíµes para aqueles que precisam de auxí­lio, ponderou. Ela explicou sobre a falta de fitas para diabéticos (tiras de teste para glicose), um problema que perdurou por meses e já havia virado polêmica aqui na cidade. Tivemos um problema com as fitas sim, mas a população pode se tranquilizar que já fizemos uma compra emergencial de 220 caixas contendo as fitas, e outras 1000 caixas já foram licitadas também.

Karla indicou ainda que as máquinas para medir glicose, e que eram utilizadas até o ano passado, não estavam regulares. Indagada pela vereadora Gisa Webber sobre as irregularidades deste equipamento, a secretária ressaltou.   As instruçíµes sobre como utilizar a máquina estavam em coreano. Mas agora já compramos novas máquinas para a medição, estas regulamentadas e com instruçíµes em português. Queremos fazer as coisas de acordo com a lei, indicou Karla.

A secretária Municipal de Saúde também falou sobre uma situação constrangedora envolvendo o transporte de pacientes para tratamento em Porto Alegre. Diariamente levamos os pacientes de Torres para se tratarem com especialistas na capital, mas este transporte é destacado para pessoas que necessitam de atendimento. Porém, havia uma má cultura difundida na cidade por algumas pessoas, gente que se aproveitava da enfermidade de um parente para usar o transporte público gratuito e ir fazer compras nos shoppings de Porto Alegre. Para evitar casos como estes, hoje o enfermo só pode levar um acompanhante nestas viagem mediante apresentação de um laudo médico. Além disso, buscando prestar um atendimento justo e igualitário, que auxilie em primeiro lugar as pessoas mais desfavorecidas, não transportamos conveniados com planos de saúde, sejam públicos (como o IPE) ou privados

 

AS CARíŠNCIAS NOS POSTOS DE SAíšDE DO INTERIOR

 

Sobre as UBS™s (Unidades Básicas de Saúde) na Vila São João, Zona Sul e Igra, que foram conquistadas ainda na gestão passada (do governo João Alberto), Karla afirma que as obras já estão concluí­das na unidade Zona Sul, e em fase de finalização no Igra e na Vila São João. Porém, apesar da estrutura estar prestes a ser construí­da, faltam verbas para equipar estas UBS’s e para contratar médicos e funcionários. Na definição do orçamento para 2013 (que foi definido ainda no ano passado) não foi planejado a equipagem e a mão de obra destas unidades, por isso acho muito difí­cil que elas comecem a funcionar ainda neste ano, informou a secretária.

Outra dificuldade abordada por Karla foi í  falta de médicos contratados para trabalhar nos postos de saúde já existentes em bairros periféricos de Torres, como o São Jorge, o Rio Verde e a Vila São João. í‰ difí­cil pedir paciência neste assunto, mas a dificuldade na contratação de médicos é um problema recorrente na maioria das cidades brasileiras. Mas estes ESF™s (postos do programa Estratégia Saúde da Famí­lia) não ficaram completamente desassistidos: Nas localidades onde não haviam médicos, encaminhamos duas vezes por semana profissionais do Posto Central de Saúde para realizar as consultas.

Frente í  clara falta de recursos para pasta da saúde, a suplementação orçamentária da Secretaria foi sugerida pelo vereador Alessandro Bauer (PMDB) temos uma lei que diz que o municí­pio tem o poder de suplementar em até 25% o valor do orçamento. Ao manifestar suas preocupaçíµes, o parlamentar defendeu o aumento do recurso a ser destinado para a pasta, visando melhoria no atendimento e aquisição de mobiliário, além da contratação de funcionários para iní­cio do funcionamento das Unidades Básicas de Saúde (UBS™s) da Vila São João e do bairro São Francisco.

Referindo-se a Vila São João, Alessandro afirmou que a comunidade é grande e o posto de saúde antigo é insuficiente para as demandas, por isso é importante que a nova unidade em construção seja utilizada tão logo concluí­da.

Apesar de a secretária afirmar que o iní­cio das operaçíµes nas unidades só serão dadas no próximo ano, o vereador reiterou o pedido. Quem precisa utilizar os serviços de saúde normalmente tem pressa, e com mais unidades em funcionamento um melhor atendimento poderá ser oferecido, disse Alessandro. Ele pediu ainda atenção especial quanto o credenciamento do Centro de Oncologia no Sistema íšnico de Saúde( SUS).

 

BUSCA POR MAIS VERBAS E EXAMES   ATRASADOS  

 

Em resposta ao vereador Alessandro, a secretária de Saúde indicou que qualquer recurso adicional para a área da Saúde seria bem vindo, mas lembrou que durante a definição das diretrizes orçamentárias para 2013, ficou definido que apenas 15% do orçamento municipal (o mí­nimo previsto por lei,   que aqui em Torres equivale a cerca de R$ 15,6 milhíµes) seriam voltado para a área da Saúde. Este valor, porém, é insuficiente frente í s grandes demandas que temos. Ainda assim, acredito piamente que no ano que vêm as verbas municipais para a saúde serão maiores. E enquanto isso, estamos indo atrás de recursos, buscando garantir emendas parlamentares para aumentar o orçamento. Recentemente ganhamos alguns veí­culos para a área, como uma ambulância para o SAMU e também uma ˜motolância™, importante para um atendimento de primeiros socorros mais rápido em momentos de trânsito intenso, destacou a secretária.

Outro assunto polêmico foi levantado pela vereadora Gisa Webber (PP), que perguntou sobre a quantidade de exames atrasados junto í  secretaria de saúde. A titular da pasta respondeu que foram herdados (da gestão passada) mais de 4500 exames reprimidos, atrasados. E a situação vira uma bola de neve quando estes atrasados vão se juntando aos novos pedidos por exames. E em muitos casos, são pedidos que deveriam ser atendidos com urgência,   muitas destas pessoas inclusive faleceram esperando pela realização de exames. Por isso faremos uma ação de força tarefa, compramos 4500 exames para que possamos realmente regularizar a situação, que deve estar em ordem dentro dos próximos 15 dias prometeu Karla, que indicou que o prazo máximo entre a marcação de uma consulta e o atendimento é de 30 dias, exceto para os casos de oncologia, onde o paciente chega a esperar três meses por uma consulta aqui em Torres.

 

O PROBLEMA DA ONCOLOGIA

 

E a defasagem no tratamento ao câncer aqui na cidade foi criticada pela Secretária de Saúde. í‰ revoltante que tenhamos um centro regional de oncologia em Torres, mas não tenhamos os especialistas necessários para trabalhar na área. Isso faz com que pacientes tenham que ir todo dia até Porto Alegre, muitas vezes em condiçíµes debilitadas de saúde, para receber seu atendimento, lamentou Karla, explicando que a expectativa é que, em no máximo seis meses, o estado libere o convênio do centro de oncologia de Torres com o SUS, o que possibilitaria a chegada de maiores recursos e médicos para a área. Enquanto isso, pelo menos um alento aos pacientes com câncer foi informado pela secretária da saúde: uma nova van foi adquirida para levar os enfermos da oncologia até Porto Alegre.

Sobre a falta de médicos especialistas, Karla ressalta que o problema não se restringe a oncologia. Precisamos de especialistas em diversas áreas, mas nossos salários estão defasados. Está difí­cil contratar médicos, e por isso precisamos reavaliar os valores dos salários e realizar concursos públicos.

 

CONSULTAS COM HORíRIO MARCADO

 

Frente aos problemas latentes da saúde pública em Torres, o vereador Gimi (PMDB) lembrou que uma das dificuldades na realização de concursos públicos para médicos deve-se ao fato de que, de acordo com lei municipal, nenhum servidor pode ter um vencimento maior do que o salário da prefeita em Torres. Gimi ainda perguntou acerca dos recursos já investidos na saúde pública da cidade em 2013, Entre   os recursos captados e os que estão prestes a chegar, temos um montante de R$ 4 milhíµes destinados a saúde, respondeu a secretária Karla

Já o vereador Nego (PCdoB) aproveitou a presença da Secretária da Saúde na Câmara dos Vereadores para sugerir a implantação do agendamento de consulta com horário marcado. Nego disse que, atualmente, muitos usuários do sistema geralmente vão ao Posto bem antes das 7h da manhã, apesar de ser só a partir desse horário que são distribuí­das as fichas por ordem de chegada.   Dependendo do caso, o paciente pode chegar antes das 7h e ser o último a ser atendido. Com o horário estipulado para a consulta, se humanizaria o serviço público e se evitaria a aglomeração de pessoas no Posto, as longas esperas na madrugada. Basta agendar o dia da consulta e a hora do atendimento, e isso evitaria esperas desnecessárias", declarou Nego.


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